Por: Luiza Florencio Nutricionista Funcional
Você não ficou fraca de repente. Sua fome mudou, seu treino pareceu mais difícil, e seu corpo pediu mais descanso.
O ciclo menstrual pode participar de tudo isso.
Ao longo do ciclo, estrogênio e progesterona sobem e descem. E essas oscilações podem influenciar a temperatura corporal, sono, apetite, percepção de esforço e alguns aspectos do desempenho físico. Mas existe um detalhe importante: isso não acontece da mesma forma em todas as mulheres.
A fome é um bom exemplo:
Uma meta-análise publicada em 2024 reuniu estudos que compararam a ingestão alimentar entre as fases folicular e lútea. Os resultados indicaram que algumas mulheres consomem mais energia na fase lútea. Ou seja: o aumento da fome pode ser real, mas não existe uma regra universal.
E o treino?
Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2024 analisou 22 estudos, com 433 participantes, sobre força máxima ao longo do ciclo.
Foram observadas pequenas diferenças entre algumas fases e isso muda a forma de olhar para o treino de forma individual.
Se você percebe mais fadiga, maior esforço ou queda de rendimento em determinada fase, não significa que esteja “sem disciplina”. Mas também não significa que você precise reduzir o treino automaticamente. O seu próprio padrão é mais importante do que uma regra pronta.
E existe uma estratégia nutricional simples:
não chegar à fase pré-menstrual tentando manter exatamente a mesma ingestão calórica de todos os dias.
Mais fome pode exigir refeições mais estruturadas, proteína adequada, carboidratos de boa qualidade e alimentos com maior volume e densidade nutricional. A ideia não é “comer por dois”, é responder à fisiologia sem perder a estratégia.
Também vale observar o que acontece com o seu desempenho.
Registre por alguns ciclos: fome, sono, disposição, carga utilizada, percepção de esforço e recuperação.
Seu corpo não precisa funcionar exatamente igual todos os dias, alguns dias pedem mais energia, outros, mais recuperação. Isso não significa perder consistência.
Significa aprender a interpretar o próprio corpo e ajustar a estratégia sem transformar cada oscilação em falta de disciplina.
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