Tom Brady está oficialmente entrando de cabeça no “mercado do bem-estar”, mas não do jeito óbvio. O ex-astro da NFL assumiu como chief wellness officer da eMed, uma startup de telemedicina que promete acesso a medicamentos da classe GLP-1 para perda de peso, com acompanhamento clínico contínuo. E aqui está o detalhe que chama atenção: a eMed mistura prescrição de GLP-1 (como Ozempic e Mounjaro) com exames de sangue feitos em casa no começo do programa, depois de 6 meses e ao completar 1 ano. A leitura desses resultados fica com profissionais de saúde, que ajustam o tratamento ao longo do caminho. Na prática, a empresa também diz entregar um kit para manejo de efeitos colaterais, com medicamentos sem prescrição, além de triagem clínica e suporte para sintomas comuns. O serviço inclui consultas médicas mensais e check-ins obrigatórios. E tem um movimento ainda maior por trás: uma oferta corporativa para empregadores, que passariam a oferecer aos funcionários elegíveis acesso ao GLP-1 com supervisão clínica contínua. É o GLP-1 saindo do indivíduo e virando “benefício de empresa”. Wellness como política interna, não só escolha pessoal. Em comunicado, Brady bateu na tecla do “uso responsável”: que cuidados médicos de qualidade precisam ser acessíveis e entregues com decisões baseadas em evidências e necessidades individuais. E reforçou a ideia de escala, especialmente no ambiente corporativo, com uma frase que traduz o espírito do momento: esses medicamentos podem ser transformadores, mas só quando vêm com orientação clínica e suporte contínuo. E isso conversa com a trajetória recente dele. Antes da eMed, Brady já vinha construindo presença na economia do bem-estar: é cofundador da TB12 (performance e recuperação), criou a Autograph (que se fundiu no ano passado com o app de treinos Future), fechou parceria com a Gopuff para lançar as Goat Gummies (snacks veganos) e foi nomeado chief innovation officer da Aescape, empresa de massagem robótica baseada em IA. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui
Se você ainda acha que procedimento estético é “coisa de mulher”, o mundo já virou essa página faz tempo. Entre 2018 e 2024, as cirurgias plásticas em homens cresceram 95%. E os procedimentos sem cirurgia (injeções, laser, peelings e afins) subiram 116%. Quase dobraram. E não é um movimento tímido: América Latina e Oriente Médio aparecem como os mercados mais quentes dessa virada. Enquanto isso, entre mulheres o crescimento foi bem menor no mesmo período: 59% nas cirurgias e 55% nos procedimentos não cirúrgicos. Tradução: não é que as mulheres “pararam”. É que os homens aceleraram. O ponto real é cultural. A leitura apresentada no congresso IMCAS, em Paris, é direta: a estética saiu do lugar elitizado e virou consumo recorrente. Antes era “algo de poucos”. Agora está mais perto de rotina e manutenção, com demanda sólida e competição aumentando. E tem um motor por trás disso: as gerações Z e millennial estão entrando mais cedo nesse universo do que as gerações anteriores. Isso muda o jogo porque deixa de ser só “corrigir” e passa a ser “manter”. Cuidar do rosto, do corpo e da aparência vira parte do pacote de identidade, de vida social e até de performance profissional. Por isso o mercado deve continuar crescendo numa média de 5% ao ano até 2030, com disputa pesada principalmente em toxina botulínica e ácido hialurônico, que hoje concentram mais da metade do mercado mundial de medicina estética. Os EUA seguem liderando o bolo global, com grande volume de intervenções não cirúrgicas e domínio no segmento de toxinas. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui
Desde 2018, a Anvisa registrou 225 casos suspeitos de pancreatite e seis mortes em investigação associadas ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil. Os dados vêm do VigiMed, sistema oficial de farmacovigilância da agência. Os relatos envolvem medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, usados no tratamento de diabetes e obesidade, como semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida. É importante reforçar: suspeita não é confirmação. Todos os casos ainda passam por análise técnica para entender se há, de fato, relação causal com os medicamentos. O que os números dizem e o que eles não dizem Os registros envolvem pacientes de estados como São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. No caso das mortes, os estados não foram divulgados. Dois pontos precisam ser lidos com cuidado. O primeiro é que a notificação não é obrigatória, o que significa que os números podem estar subestimados. O segundo é que o público que utiliza essas terapias já apresenta maior risco de pancreatite. Pessoas com obesidade e diabetes, por si só, têm maior incidência da inflamação no pâncreas. Segundo Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, ainda não é possível afirmar se os casos estão sendo causados pelos medicamentos ou pelas doenças de base dos pacientes. O risco de pancreatite já está descrito em bula e é conhecido pelos médicos. No caso do Mounjaro, por exemplo, a pancreatite aguda aparece como reação adversa incomum, mas possível. O maior problema apontado por especialistas acontece fora do consultório. Uso sem prescrição, versões manipuladas ou falsificadas, ausência de avaliação clínica e falta de monitoramento de sintomas precoces. Nesse cenário, não há controle de dose nem acompanhamento da saúde do pâncreas, o que pode atrasar o diagnóstico e levar a quadros graves antes da busca por atendimento médico. O que tudo isso muda? Nada muda para quem usa com indicação correta. A própria Anvisa reforça que não há recomendação de suspensão das canetas emagrecedoras. O tratamento segue considerado seguro quando há prescrição e acompanhamento médico. Desde abril de 2025, a agência passou a exigir retenção de receita, justamente para reduzir o uso indiscriminado. Outras medidas podem ser adotadas se novos riscos forem confirmados. Em escala global, já foram registradas mais de 14 mil notificações de pancreatite associadas a esses medicamentos e 378 mortes. Todos esses dados também seguem sob investigação. O posicionamento das empresas A Eli Lilly informou que monitora continuamente os relatos e que o risco de pancreatite consta em bula. A Novo Nordisk reforçou que todas as terapias baseadas em GLP-1 trazem advertência de classe sobre pancreatite e que os pacientes devem ser orientados a interromper o uso e procurar um médico diante de qualquer sintoma suspeito. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui
A curadoria semanal da FitFeed com os melhores achados em saúde, ciência e cultura — toda sexta-feira, direto na sua inbox.