O alívio rápido que pacientes com enxaqueca crônica encontram em analgésicos pode, com o tempo, acabar piorando as próprias crises segundo estudo publicado no The Journal of Headache and Pain em março pesquisadores apontam que o uso frequente desses medicamentos está associado a alterações em estruturas cerebrais ligadas à memória controle motor e processamento visual O estudo analisou imagens cerebrais de 63 mulheres divididas em três grupos com enxaqueca crônica com enxaqueca associada ao uso excessivo de medicamentos e grupo controle saudável usando ressonância magnética multimodal que combina diferentes tipos de imagens cerebrais os pesquisadores identificaram diferenças marcantes entre os grupos Nas pacientes que faziam uso excessivo de analgésicos o volume da substância cinzenta era significativamente menor no giro para-hipocampal esquerdo ligado à memória e regulação emocional e no giro occipital médio direito associado à atenção visual também foi observada menor integridade da substância branca e redução da atividade espontânea no putâmen estrutura ligada ao controle motor e à aprendizagem Segundo o neurologista Tiago de Paula membro da International Headache Society e da Sociedade Brasileira de Cefaleia esses medicamentos não tratam a doença de forma efetiva quanto mais remédios se toma menos eles funcionam e mais dor se sente caracterizando a cefaleia por uso excessivo de medicamentos A análise mostrou que quanto mais frequente era o uso de analgésicos maior era a atividade conjunta entre o putâmen e outras regiões cerebrais como lobo frontal e giro cingulado essa comunicação exagerada entre áreas pode contribuir para manter ou até intensificar as crises de enxaqueca ao longo do tempo Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Nos últimos anos, medicamentos como semaglutida e liraglutida, usados no tratamento do diabetes e da obesidade, ficaram conhecidos no mundo todo por ajudar na perda de peso e na melhora da saúde metabólica. Mas alguns pacientes relataram não apenas menos fome, mas também menor vontade de beber álcool, fumar ou consumir outras substâncias, e esse efeito vem sendo investigado pela ciência. Pesquisas sugerem que esses medicamentos, chamados agonistas do receptor de GLP-1, podem influenciar o comportamento ligado à dependência química. Eles imitam um hormônio natural que regula glicose, apetite e saciedade, mas também atua em regiões do cérebro ligadas ao sistema de recompensa, o mesmo envolvido no vício de álcool, nicotina e outras drogas. Quando alguém consome substâncias que provocam dependência, ocorre liberação de dopamina associada ao prazer, e os agonistas do GLP-1 podem reduzir essa resposta, diminuindo o impulso por recompensas imediatas. Estudos observacionais mostraram que pacientes que usam essas medicações apresentam menor risco de desenvolver problemas relacionados ao álcool, nicotina, opioides, cannabis e cocaína, além de menos internações e complicações associadas ao uso dessas substâncias. Ensaios clínicos iniciais indicam que a semaglutida reduziu o desejo por álcool, a quantidade ingerida em cada ocasião e o número de episódios de consumo excessivo, principalmente em pessoas com obesidade. Pesquisas similares estão sendo conduzidas para tabagismo, dependência de opioides e outras drogas. Apesar do potencial, é importante destacar que esses medicamentos não são aprovados para tratar dependência química. As agências regulatórias ainda não autorizam esse uso, não há definição de dose ideal e o tratamento de vícios é complexo, envolvendo fatores biológicos, psicológicos e sociais. O acompanhamento clínico, terapia e suporte social continuam essenciais. O que essas observações indicam é que medicações inicialmente criadas para metabolismo podem afetar mecanismos biológicos do desejo e da compulsão, abrindo novas perspectivas para a abordagem da dependência. Essa descoberta também já tem impacto indireto na indústria, com marcas de bebidas alcoólicas adaptando produtos e oferecendo alternativas sem álcool, refletindo mudanças nos hábitos de consumo de um público que busca menos volume e mais qualidade. Ricardo Cohen, head do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e ex-presidente da Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólicas, reforça que os efeitos sobre comportamento de dependência ainda estão sendo investigados e podem apontar caminhos importantes para a medicina no futuro. Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Uma nova revisão científica reacendeu o debate sobre os efeitos dos adoçantes artificiais na saúde ao analisar os principais estudos disponíveis os pesquisadores concluíram que esses produtos podem estar associados a alterações no metabolismo de adultos especialmente em indicadores ligados ao controle da glicose e à ação da insulina O trabalho reuniu evidências de 21 ensaios clínicos randomizados com adultos e observou que o consumo de adoçantes não nutritivos comparado ao consumo de água ou placebo esteve relacionado ao aumento dos níveis de insulina em jejum e da hemoglobina glicada HbA1c marcador utilizado para acompanhar o controle da glicose no sangue ao longo do tempo os pesquisadores também identificaram uma tendência de redução da sensibilidade à insulina Os autores destacam que os adoçantes artificiais foram desenvolvidos para substituir o açúcar sem adicionar calorias mas novas evidências sugerem que eles podem não ser metabolicamente neutros como se acreditava anteriormente uma das hipóteses é que essas substâncias influenciem a microbiota intestinal e mecanismos envolvidos na regulação do metabolismo Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
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