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O “divórcio do sono” está com os dias contados. Conheça o “acordo do sono”

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Meta aceita limitar Instagram e Facebook para adolescentes nos EUA em acordo bilionário

Culpar apenas o adolescente pelo tempo de tela é simplificar demais o jogo. A Meta anunciou acordo com um grupo bipartidário de 52 procuradores-gerais norte-americanos que prevê novas restrições para adolescentes em suas plataformas, tendo como medida principal um limite padrão de duas horas de uso diário contabilizado em conjunto no Facebook e no Instagram. O texto ainda depende de aprovação da Justiça federal na Califórnia. O que muda na prática As regras mexem justamente no horário mais sensível. As plataformas terão bloqueio padrão entre meia-noite e 6h, restringindo o acesso de adolescentes a recursos como Feed, Stories, Explorar e Reels, e o limite de duas horas por dia só poderá ser alterado com autorização dos pais. Também haverá suspensão de notificações das 22h às 7h e durante o período escolar. O pacote vai além do relógio. A Meta ainda deverá esconder a quantidade de curtidas para adolescentes, retirar filtros que simulam procedimentos estéticos, reforçar a identificação da idade dos usuários e oferecer a opção de um feed sem recomendações personalizadas, com um auditor independente acompanhando o cumprimento das medidas. A companhia também pretende impedir que a regra seja contornada com o uso de várias contas. O preço da conta Os valores mudam de acordo com quem conta a história. Procuradorias estaduais anunciaram acordo multijurisdicional de até US$ 17,1 bilhões distribuídos ao longo de dez anos, enquanto a Meta, ao apresentar o pacote completo firmado com 52 procuradores-gerais, fala em aproximadamente US$ 18 bilhões. A empresa não admitiu responsabilidade pelas acusações, mas aceitou mudanças em seus produtos. Existe um detalhe pouco comentado que muda a dinâmica do setor inteiro. Se TikTok e YouTube adotarem condições semelhantes, as restrições do próprio Instagram e Facebook ficam mais duras, com o limite caindo para uma hora diária por aplicativo e o bloqueio noturno ampliado para o período entre 22h e 7h. A Meta transformou a própria punição em pressão competitiva sobre as rivais. Sono é o ativo de saúde que está em disputa Aqui está a leitura de bem-estar que o mercado precisa fazer. O horário escolhido para o bloqueio não é aleatório, é exatamente a janela em que o sono do adolescente se perde. E sono curto na adolescência afeta humor, concentração e crescimento, o que coloca a regulação de tela dentro do território da saúde preventiva, não apenas da moderação de conteúdo. O que está sendo regulado, no fundo, é o desenho do produto. Os processos vieram de investigação iniciada em 2021, na qual os estados acusavam a Meta de desenvolver o Instagram com recursos capazes de aumentar o engajamento de crianças e adolescentes mesmo conhecendo os riscos associados. Quando engajamento vira alvo de acordo bilionário, todo produto digital de saúde e bem-estar precisa revisar suas próprias alavancas de retenção. E no Brasil As regras não se aplicam automaticamente ao Brasil, mas o país já tem o ECA Digital em vigor, que exige ferramentas para limitar e monitorar tempo de uso e impõe restrições a recursos viciantes. O Instagram já oferece Contas de Adolescente por aqui, com avisos de uso e modo de descanso noturno, e a ANPD fiscaliza o ECA Digital com previsão de ações de fiscalização a partir de janeiro de 2027. O calendário importa. Quem opera produto digital voltado a jovens no Brasil tem pouco mais de um ano para arrumar a casa antes que a fiscalização comece. O mercado passou anos tratando tempo de tela como métrica de sucesso. Agora ele começa a ser tratado como passivo regulatório e como fator de risco à saúde. O produto digital do futuro é menos otimizado para minutos capturados e mais responsável pelo que acontece com o corpo do usuário depois que ele fecha o aplicativo. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Centauro é a nova parceira oficial da Maratona do Rio pelos próximos 5 anos

A velha lógica de patrocínio esportivo como mídia de fim de semana está com os dias contados. A Centauro fechou acordo com a Maratona do Rio e será parceira oficial e dona dos naming rights da prova de 10K do principal festival de corrida de rua da América Latina até 2031, em anúncio feito nesta quinta-feira, 3, em evento no Arpoador. Cinco anos de contrato para uma categoria que já sustenta boa parte do negócio. Por que cinco anos e não um O número explica a decisão. A corrida representa mais de 35% do faturamento da Centauro, do Grupo SBF, e só no primeiro semestre deste ano a companhia registrou crescimento de 24% nas vendas ligadas à modalidade frente ao mesmo período de 2025. Quando um terço da receita vem de uma modalidade, patrocínio deixa de ser marketing e vira defesa de posição. E tem troca de guarda no jogo. A Centauro assume o lugar da Netshoes, dona da propriedade neste ano, e em 2025 a Betnacional havia detido os naming rights dos 10K, decisão que gerou críticas de corredores pelo fato de a marca ser do segmento de apostas. Sai uma casa de apostas, entra uma varejista de material esportivo. A leitura de contexto do patrocinador mudou. O ativo não é a prova, é o alcance nacional Aqui está a sacada estratégica. O acordo garante visibilidade na arena nos quatro dias de provas, mas também ao longo de todo o ano, e a marca pretende explorar a parceria nas lojas físicas e no ambiente digital, mirando três pilares definidos para o running em 2027, capilaridade, aspiracional e autoridade. O motivo é geográfico. Nicolas Mêmolo, gerente de marketing de running, training e lifestyle da Centauro, destacou que a empresa precisava de uma prova que expandisse para além da cidade onde acontece, e que a Maratona do Rio permite falar com público de âmbito nacional porque 80% de quem vai correr vem de fora do Rio de Janeiro. Oitenta por cento é o número que transforma uma prova carioca em plataforma de país. A Casa da Corrida e a lógica de ecossistema A varejista não está apostando em uma marca só. No evento, a empresa também apresentou A Casa da Corrida, conceito que traduz a nova campanha dedicada ao universo do esporte. Na prática, a Centauro vai realizar uma série de treinos gratuitos em lojas pelo país em parceria com marcas como Nike, ASICS, Olympikus, On e a própria adidas, patrocinadora esportiva da prova. Reunir concorrentes diretas debaixo do mesmo teto é jogada de quem entendeu que o varejista não disputa com as marcas, ele curadoria o acesso a elas. Quem controla a porta de entrada do corredor iniciante controla também a jornada até o tênis de elite. O tamanho do tabuleiro A prova está crescendo junto. A edição de 2027 será a 25ª e a organização espera 71 mil inscritos nas quatro provas, com a ambição declarada de elevar a Maratona do Rio à condição de Major nos próximos anos. Pedro Pereira, chefe de produto da Dream Factory, que organiza o evento ao lado da Spiridon, afirmou que a entrada de uma marca desse porte não é lida apenas como novo patrocinador, e sim como parceiro que viabiliza as grandes ambições da prova. Para dimensionar, a edição de 2026 reuniu 70 mil corredores e mais de 40 marcas ativas, com crescimento de 17% no número de inscritos em relação ao ano anterior. Corrida de rua deixou de ser evento e virou mídia de longo prazo com público qualificado, recorrente e engajado. A Centauro não comprou visibilidade em uma prova, comprou cinco anos de presença dentro do hábito de bem-estar de dezenas de milhares de brasileiros. É a prova de que o bem-estar virou território de disputa competitiva, e quem chegar atrasado vai pagar caro pelo espaço que sobrar. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Oura ring abre capital publicamente depois de sua receita atingir US$ 1,2 bilhões

Esqueça a ideia de que anel inteligente é acessório de tecnologia vestível. A Oura acaba de protocolar publicamente seu pedido de abertura de capital na SEC e o número que abre o documento muda a conversa. A receita chegou a US$ 1,21 bilhão nos nove meses encerrados em 30 de junho, alta de 74% sobre os US$ 697,6 milhões do mesmo período do ano anterior, com lucro líquido de US$ 60,8 milhões contra US$ 1,6 milhão um ano antes. A empresa vai listar na Nasdaq sob o código OURA. O que o prospecto realmente entrega O crescimento tem lastro em volume. A Oura vendeu cerca de 3,6 milhões de anéis no último ano e o Oura Ring 5 parte de US$ 399. Bloomberg apurou que a companhia deve buscar avaliação em torno de US$ 16 bilhões na oferta, salto relevante frente aos cerca de US$ 11 bilhões da rodada de outubro de 2025, e reportagens recentes indicam captação de até US$ 3 bilhões. Vale o contraponto que quase ninguém lê. Investidores iniciais venderam US$ 1,09 bilhão em ações preferenciais de volta para a própria Oura, aposentando cerca de 17% dos papéis emitidos entre o seed e a Série C-1, e como a contabilidade trata essa recompra como dividendo presumido, o prejuízo atribuível aos acionistas ordinários ficou em US$ 924,3 milhões. É contabilidade, não operação. Mas quem lê balanço precisa saber separar as duas coisas. A assinatura é o produto que importa Aqui está a virada de chave para quem vende bem-estar. A receita de assinaturas somou US$ 240,5 milhões nos nove meses, alta de 121% na comparação anual, com margem bruta de 89%, e a base de membros pagantes dobrou para 5 milhões. O hardware ainda responde por 80% da receita e a assinatura por 20%, com margem bruta consolidada de 55%. Traduzindo. O anel é o ponto de entrada, a recorrência é onde mora o valor. E a permanência sustenta o modelo, já que a retenção média ponderada de 12 meses fica em torno de 85%, ou seja, aproximadamente 85% de quem assina em um dado mês continua assinante um ano depois. 42 bilhões de horas de corpo humano viram ativo competitivo A Oura não está pedindo para ser avaliada como fabricante de gadget. No documento, a empresa afirma ter reunido um dos maiores e mais qualificados conjuntos longitudinais de dados biométricos da saúde de consumo, acompanhando mais de 50 métricas de saúde e bem-estar e representando quase 42 bilhões de horas de dados fisiológicos. Segundo o arquivamento, essa base alimenta os modelos de inteligência artificial que decodificam padrões fisiológicos e ganham precisão à medida que o histórico de cada membro se aprofunda. O tamanho da ambição está escrito em texto claro. A companhia diz acreditar que sua oportunidade vai além do uso tradicional de vestíveis centrado em atividade e fitness, e que a plataforma pode atender populações significativamente maiores conforme amplia acesso, constrói evidência clínica e aprofunda integrações com planos de saúde, empregadores e provedores de cuidado. Não é linguagem de varejo. É linguagem de sistema de saúde. O dado que explica tudo Existe uma métrica no prospecto que vale mais que qualquer projeção. No terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, os membros pagantes usaram o anel por uma mediana de aproximadamente 23 horas por dia. Vinte e três horas. Nenhum aplicativo de saúde, nenhuma academia, nenhum plano tem esse nível de presença na vida de alguém. A companhia sustenta essa continuidade em precisão validada, com cerca de 99% para frequência cardíaca, 98% para variabilidade da frequência cardíaca, 96% para rastreamento de ovulação e 96% para sono. Continuidade mais precisão é o que separa curiosidade de decisão clínica. O IPO da Oura é a prova de que o mercado deixou de precificar bem-estar como consumo e passou a precificar como infraestrutura de saúde preventiva. Quem vende bem-estar hoje está competindo por um lugar na rotina do usuário, não por um lugar na prateleira. E quem ocupa 23 horas do dia de 5 milhões de pessoas está construindo algo bem maior do que um acessório. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

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