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HYROX volta às mãos dos fundadores, investe na concorrência e mira o mundo inteiro

Christian Toetzke e Moritz Fürste acabam de fazer algo raro no mercado esportivo. Eles recompraram o controle da empresa que criaram. A dupla voltou a deter a maioria acionária da HYROX em uma transação que avalia a série global de corridas fitness em cerca de 700 milhões de dólares, com a Infront Sports and Media deixando totalmente a sociedade e dois novos sócios minoritários entrando em cena, a L Catterton, gestora de private equity ligada à LVMH, e a WndrCo, fundo de Jeffrey Katzenberg. Por que um fundador recompra a própria empresa A Infront investiu na HYROX em 2019 e assumiu o controle em 2022, período em que a marca ganhou escala internacional. O que os fundadores compraram de volta não foi apenas participação, foi o comando da direção estratégica. Em vídeo de anúncio, eles falaram em construir a empresa pensando em décadas, não nos próximos anos. Essa diferença de horizonte importa. Ativo de participação em massa sob gestão puramente financeira tende a seguir um roteiro conhecido, com aumento de ticket e foco crescente em receita de transmissão e de público espectador. Com a maioria nas mãos de quem criou o formato, quem decide o preço da inscrição e o ritmo de abertura de novas cidades é quem tem a relação direta com o atleta. O tamanho real da corrida fitness A HYROX nasceu em 2017 com uma única prova em Hamburgo. A temporada 2025/26 fechou com mais de 100 eventos e 1,4 milhão de participantes, e a companhia projeta ultrapassar 2 milhões de atletas em 2026/27. Ao redor disso existem cerca de 13 mil academias afiliadas e parcerias com Puma, Red Bull, Centr e Amazon. Esse é o ponto que muita gente do setor ainda subestima. A HYROX não vende um evento, vende um objetivo. A academia afiliada ganha um motivo concreto para o aluno treinar por meses, a marca esportiva ganha um calendário de lançamento e o atleta amador ganha uma meta com data marcada. É um ecossistema fechado onde treino, produto e competição se alimentam. Apostar na concorrente é apostar na categoria O detalhe mais estratégico do anúncio passou quase despercebido. Toetzke e Fürste também entraram, via WndrCo, como investidores da XENOM, outra plataforma de competição fitness. À primeira vista parece contradição. Na prática é leitura de mercado. Eles estão dizendo que a categoria de corrida híbrida ainda está longe do teto e que crescer o bolo vale mais do que defender fatia. Some a isso a ambição declarada de buscar reconhecimento olímpico e o desenho fica claro. A dupla não quer apenas administrar uma empresa de eventos, quer consolidar uma modalidade esportiva. São jogos diferentes, com valuations diferentes. É a prova de que o fitness competitivo deixou de ser subcultura de academia e virou indústria de entretenimento em massa, com fundo de private equity na mesa e ambição olímpica no horizonte. O bem-estar do futuro é menos assinatura mensal e mais pertencimento, e quem vende linha de chegada está vendendo exatamente isso. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

10 minutos de um exercício bem leve podem melhorar a função cerebral e o humor

Culpar a falta de tempo pela falta de treino acaba de ficar mais difícil. Pesquisadores da Universidade de Tsukuba, no Japão, colocaram 24 adultos saudáveis para correr dez minutos numa esteira em ritmo quase de caminhada, entre 3 e 6 km/h, o equivalente a cerca de 35% do consumo máximo de oxigênio. O resultado saiu na revista Imaging Neuroscience. Humor melhor, desempenho cognitivo melhor e o córtex pré-frontal lateral esquerdo mais ativo. Sem suor, sem fadiga, sem academia. O que realmente acontece em dez minutos A equipe liderada por Hideaki Soya usou espectroscopia no infravermelho próximo para acompanhar a atividade cerebral e aplicou o teste de Stroop, que mede o quanto seu cérebro consegue segurar um impulso automático e responder com controle. Depois da corrida lenta, o tempo de interferência caiu. Em bom português, os participantes ficaram mais rápidos e mais precisos para decidir sob ruído mental. O achado conversa com uma linha de pesquisa que o mesmo grupo vem construindo. Em 2018, um estudo publicado na PNAS já havia mostrado que dez minutos de exercício muito leve melhoram a memória dependente do hipocampo. O padrão que se repete é claro. O ganho cognitivo não está preso à intensidade, está preso ao fato de você sair da cadeira. A dose mínima virou o novo produto Enquanto a indústria fitness vendeu por uma década a lógica do treino duro ou nenhum treino, a ciência foi para o lado oposto e encontrou valor na dose pequena. Outro estudo, publicado na Nature Medicine com 296 adultos acompanhados por anos, mostrou que de 3 mil a 5 mil passos diários já desaceleram o acúmulo de proteína tau e o declínio cognitivo, com o benefício estabilizando entre 5 mil e 7,5 mil passos. O famoso alvo de 10 mil passos nunca foi a linha de corte. Isso reposiciona um público inteiro. A pessoa sedentária, que sempre foi tratada como alguém a ser convertida em atleta, passa a ser um cliente que precisa de um produto de entrada com resultado comprovado. Baixa intensidade, dez minutos, entrega mensurável. É um nicho gigante e mal atendido. O que muda para quem vende bem-estar corporativo Para o mercado de saúde ocupacional, o dado é ouro. Pausa ativa deixa de ser cortesia de RH e vira intervenção com evidência de impacto em foco, memória e humor, justamente as variáveis que determinam produtividade e retenção de talentos. Dez minutos cabem em qualquer agenda executiva, o que derruba a principal objeção de adesão em programas corporativos. O jogo agora é de personalização e frequência, não de esforço. Apps, wearables e operadoras de saúde que conseguirem prescrever microdoses de movimento no momento certo do dia vão criar um hábito muito mais sustentável do que qualquer desafio de 30 dias já criou. É a prova de que a fronteira entre exercício e saúde mental deixou de existir. O bem-estar do futuro é menos performance heroica e mais consistência inteligente, e quem transformar isso em produto vai alcançar as pessoas que a indústria fitness nunca conseguiu sequer colocar na porta. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Rock in Rio entra no mundo wellness e prepara sua própria corrida de rua

Esqueça a imagem do festival como território exclusivo da madrugada. No último dia da edição de 2026, o Rock in Rio anunciou a Rock in Run, sua primeira corrida de rua, marcada para setembro de 2028. A largada acontece ao pôr do sol, com percursos de 5 km e 10 km pelo Rio de Janeiro, e a linha de chegada fica dentro da Cidade do Rock, no dia do evento-teste. Quem cruza o arco não encerra a prova. Começa a festa. A ideia não veio do marketing, veio do público Roberta Medina, vice-presidente executiva da Rock World, contou que o pedido por uma corrida dentro da Cidade do Rock circulava entre os fãs havia tempos. A decisão foi ampliar o roteiro, levar o corredor para as ruas da cidade e reservar o estádio para o encerramento. O desenho da prova entrega kit, medalha temática, brindes de patrocinadores, shows, gastronomia e até sósias de artistas no percurso. Isso muda a natureza do produto. Não é uma prova esportiva com trilha sonora, é uma experiência de festival vendida em quilômetros. E repare na jogada operacional. O Rock in Rio testa toda a estrutura antes da edição oficial e transforma o evento-teste, que sempre foi bastidor, em um ativo com público pagante. O sportainment saiu do nicho Os números da edição de 2026 explicam por que a aposta faz sentido. Foram mais de 700 mil pessoas em sete dias, sendo 49% vindas de fora do estado do Rio, com fãs de 89 países. O impacto econômico chegou a R$ 3,36 bilhões, com 33,9 mil empregos diretos e indiretos, 190 shows e mais de 1.300 artistas em cena. Uma base desse tamanho já é uma comunidade pronta. Falta apenas um motivo para ela se encontrar fora dos dias de show. Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, lê o movimento como parte de uma troca de comportamento mais ampla, com a queda no consumo de álcool entre os jovens sinalizando uma migração da noite para o dia. O festival que percebe isso não está diversificando receita, está defendendo relevância. O que abre para quem vende bem-estar Uma corrida cria pontos de contato que um festival bienal nunca vai sustentar sozinho. Treino, inscrição, nutrição, vestuário, calçado, recuperação e tecnologia de monitoramento entram em cena meses antes da largada, e continuam depois dela. É um funil de engajamento que roda o ano inteiro dentro de uma marca que o público já ama. Para patrocinadores do setor de saúde, muda o tipo de ativação disponível. Em vez de um estande no meio de um festival, você passa a ter um consumidor em preparação, com objetivo definido, disposto a mudar hábito e a comprar produto para chegar lá. É o tipo de audiência que marcas de performance e longevidade gastam fortunas tentando construir do zero. É a prova de que entretenimento e longevidade pararam de disputar a agenda do mesmo consumidor. O público que quer dançar até de madrugada é o mesmo que acorda cedo para treinar, e quem enxergar essa jornada dupla primeiro vai ocupar um espaço que ainda está em aberto no mercado brasileiro. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

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