A transição menopausal altera o perfil lipídico de muitas mulheres. Entender esse processo ajuda a interpretar o exame sem culpa e sem minimizar o resultado. “Sempre me alimentei bem, e o meu colesterol subiu do nada.” É uma queixa frequente entre mulheres na faixa dos 45 aos 55 anos, quase sempre acompanhada de culpa. Essa mudança não significa, necessariamente, que houve descuido com a alimentação. A própria transição menopausal pode alterar o perfil lipídico. O que os estudos mostram O SWAN (Study of Women’s Health Across the Nation) acompanhou mais de 3.300 mulheres de diferentes origens étnicas ao longo da transição menopausal, com exames anuais. Em uma análise com 1.054 participantes que chegaram à menopausa natural, sem uso prévio de terapia hormonal, o colesterol total, o LDL e a ApoB apresentaram aumentos mais acentuados no intervalo de um ano antes a um ano depois da última menstruação. O padrão foi semelhante entre os grupos étnicos e se ajustou melhor a um efeito da menopausa do que ao envelhecimento isolado. Por ser um estudo observacional, o SWAN não prova uma causa única. Ele reforça, porém, que a transição menopausal participa dessas mudanças e é um momento importante de prevenção. Um dos mecanismos envolvidos O fígado é o principal responsável por retirar o LDL do sangue, por meio de receptores de LDL presentes na superfície das suas células. O estradiol aumenta a quantidade desses receptores. Com a queda estrogênica, essa retirada tende a diminuir, o que contribui para a elevação do LDL. Não é o único fator: mudanças na produção de lipoproteínas, na composição corporal e no metabolismo também participam do processo. Por que acompanhar O LDL participa da formação de placas nas artérias. Em mulheres do próprio SWAN, aumentos maiores do LDL nessa fase se associaram a maior chance de placa na carótida anos depois. As metas de LDL dependem do risco cardiovascular de cada pessoa, por isso um valor dentro da referência do laboratório não encerra a avaliação. E o HDL alto? Sozinho, ele não garante proteção cardiovascular em nenhuma fase da vida. Na transição menopausal, a relação entre HDL e risco pode mudar, à medida que a composição e a função dessas partículas se alteram.2 O HDL deve ser interpretado dentro do conjunto do exame. Nem tudo é menopausa A menopausa pode contribuir, mas não é a única explicação possível. Hipotireoidismo, predisposição genética, diabetes, doenças renais ou hepáticas e alguns medicamentos também podem alterar o LDL e precisam ser investigados. Atribuir qualquer alteração aos hormônios pode atrasar um diagnóstico importante. O papel da alimentação A alimentação continua central. As fibras solúveis viscosas, presentes na aveia, nas leguminosas, e no psyllium, reduzem a absorção de colesterol e aumentam a eliminação de ácidos biliares pelas fezes, o que leva o fígado a usar colesterol do sangue para produzir novos ácidos biliares. Substituir gordura saturada por insaturada também reduz o LDL. Não é só a gordura saturada que merece atenção. O excesso de açúcares também pode elevar o LDL-colesterol, além dos triglicerídeos. Quando há excesso de açúcares e de carboidratos refinados, o fígado transforma parte desse excedente em gordura e libera mais lipoproteínas ricas em triglicerídeos na circulação. O efeito aparece sobretudo nos triglicerídeos, mas o LDL também pode subir. Na transição menopausal, esse caminho ganha relevância. A queda do estradiol reduz a sensibilidade à insulina e favorece o acúmulo de gordura na região abdominal, que, por sua vez, agrava a resistência à insulina. Esse ciclo deixa o fígado mais propenso a produzir essas lipoproteínas. Por isso, olhar apenas para a gordura da alimentação deixa parte da história de fora: a quantidade e a qualidade dos carboidratos também entram no cuidado com o colesterol. Na prática: aveia no café da manhã, feijão, lentilha ou grão de bico, nas refeições principais, azeite no lugar da manteiga, castanhas e peixes na variedade da semana. Treino de força e atividade aeróbica completam o cuidado. Fitosteróis: do prato à dose dos estudos Os fitosteróis são compostos das plantas com estrutura parecida com a do colesterol. No intestino, competem com ele pela absorção, e parte do colesterol que seria absorvida acaba eliminada nas fezes. O principal deles é o beta-sitosterol, presente em alguns alimentos que podem fazer parte de uma estratégia nutricional para o controle do colesterol. Alimento Porção Fitosteróis por porção (aprox.) Óleo de gergelim 1 colher de sopa (13 g) 110 mg Pistache 30 g 85 mg Semente de girassol 30 g 80 mg Abacate 100 g 75 mg Amêndoa 30 g 55 mg Gérmen de trigo 2 colheres de sopa (14 g) 55 mg Gergelim 1 colher de sopa (9 g) 35 mg Nozes 30 g 35 mg Azeite de oliva extravirgem 1 colher de sopa (13 g) 30 mg Castanha-do-pará 30 g 30 mg Valores aproximados, o teor varia conforme o cultivo, o refino e o método de análise. O ganho maior vem da combinação. Na dieta Portfolio, que reuniu fitosteróis, fibras viscosas, proteína de soja e amêndoas, o LDL caiu cerca de 30% em quatro semanas, redução comparável à de uma estatina de baixa dose no mesmo estudo. Nenhum alimento faz isso sozinho; o padrão alimentar faz. Suplementação Alguns ativos têm estudos em humanos sobre o perfil lipídico e podem complementar a alimentação. A força da evidência, porém, varia bastante entre eles. Ativo Como age O que os estudos mostram Berberina Aumenta os receptores de LDL no fígado e reduz a PCSK9, proteína que degrada esses receptores. É a mesma via prejudicada pela queda do estradiol. Metanálises de ensaios clínicos mostram redução do LDL e dos triglicerídeos.Os estudos são, em geral, curtos. Extrato de bergamota (Citrus bergamia) Flavonoides como a brutieridina e a melitidina, propostos como inibidores da síntese hepática de colesterol. Ensaios clínicos mostram redução do LDL e dos triglicerídeos,. Policosanol Mistura de álcoois de cadeia longa da cera da cana-de-açúcar, com ação proposta sobre a síntese de colesterol. os estudos iniciais, com policosanol de cana cubano, mostraram reduções expressivas O que conversar com o profissional de saúde O colesterol pode mudar
De 27 a 29 de agosto de 2027, o Life Global Rio ocupa o Riocentro, no Rio de Janeiro, com realização do Grupo Open Brasil e uma proposta que reúne ciência, saúde, inovação, experiências e negócios dentro de um único ecossistema. De onde vem o Life Global Rio? O evento não nasce do zero, e isso faz diferença. Ele é a evolução de duas décadas de estrada da Estética In, plataforma conduzida há 20 anos por Fátima Facuri, e do Nutri In Rio, o congresso de nutrição que cresceu dentro dela. Foi acompanhando esse congresso de perto que Fátima percebeu uma virada de chave no mercado. A saúde estava deixando de ser assunto restrito à estética e à medicina e passando a atravessar a rotina, as escolhas de consumo e os negócios. Ao lado da filha, ela transformou essa percepção em pesquisa de mercado e chegou a uma conclusão clara. Havia espaço, e era o momento certo, para o Brasil assumir protagonismo no wellness global. O ponto de virada veio em 2026, no próprio Nutri In Rio, quando foi anunciado que o congresso deixaria a plataforma Estética In para se tornar um movimento independente de saúde, bem-estar e longevidade. Ali, a ideia virou projeto. Um ecossistema em três frentes O Life Global Rio não foi pensado como um congresso tradicional nem como uma feira isolada. A proposta é integrar, no mesmo espaço e nos mesmos três dias, três frentes que se complementam. Arenas de conteúdo. Seis arenas temáticas reúnem especialistas e prescritores em torno de Longevidade, Neuro Wellness, Health Tech, Odontologia do Esporte, Wellness Business e Nutri In Rio, herdeira direta do congresso que deu origem a tudo. É onde o conhecimento circula e as tendências do setor ganham base científica. Experiências imersivas. Além de ouvir, o público vive o bem-estar na prática. Os espaços de experiência colocam visitantes em contato direto com práticas, produtos e tecnologias, aproximando marcas de quem usa e recomenda. Feira de negócios. Na área de exposição, marcas, fornecedores, distribuidores e compradores se encontram com um objetivo prático: gerar conexões e fechar negócios. A lógica é complementar. O conteúdo atrai quem prescreve, a experiência aproxima quem consome e a feira conecta quem compra e vende. Saúde e bem-estar já não cabem em uma única indústria, e o evento foi desenhado para refletir isso. Por que isso importa para quem está no mercado? Os números do setor mostram um jogo concentrado. Os dez maiores mercados respondem por 70% da economia global do wellness, e só os Estados Unidos somaram 32% do volume mundial em 2023. O Brasil tem escala para estar nessa conversa, mas a América Latina ainda não tem um polo de wellness reconhecido internacionalmente. É esse espaço que o Life Global Rio quer ocupar. E a estrutura acompanha a ambição. São 13.500 m² de evento, 8.000 m² de área de exposição e salas com capacidade simultânea para participantes. O público também foi desenhado de forma estratégica, com especialistas e prescritores como protagonistas. No B2B, o evento mira supermercados, lojas especializadas, distribuidores, farmácias, academias, clubes, atacadistas, clínicas, hospitais, hotéis, spas, entidades e associações, imprensa, universidades, escolas técnicas e órgãos do governo. No B2P, nutricionistas, médicos, profissionais da saúde, dentistas, nutrólogos, terapeutas e chefs de cozinha. E no B2C, atletas, entusiastas e estudantes. Para quem tem uma marca, um serviço ou um negócio de bem-estar, isso abre caminhos concretos para se destacar no mercado de saúde e bem-estar do Rio de Janeiro: ganhar autoridade nas arenas, criar conexão real com o público nas experiências e gerar negócios na feira. Em vez da vitrine isolada do marketplace, a marca se coloca diante de quem decide, prescreve e compra. O Rio como cenário, o mundo como mercado À frente do projeto, Fátima Facuri, CEO e cofundadora do Life Global Rio, é embaixadora do Global Wellness Institute. O selo dá peso institucional a uma iniciativa que já nasce com apoio de entidades como o Conselho Regional de Nutricionistas, a Ascoferj, a Ubrafe e órgãos de turismo da cidade e do estado do Rio. A meta vai além de uma boa edição. O objetivo é que o mercado, incluindo consumidores, investidores e formuladores de políticas públicas, passe a enxergar o Rio como polo produtivo e econômico do setor, e não apenas como cartão-postal de bem-estar. A visão de longo prazo é ver a cidade citada em relatórios internacionais de wellness como um dos hubs relevantes do setor. O Rio sempre teve o estilo de vida. O que faltava era um palco para o mercado que existe por trás dele. Com o Life Global Rio, o wellness brasileiro deixa de ser um conjunto de nichos separados e passa a se apresentar como ecossistema, conectando o Rio ao mundo wellness. É a prova de que o bem-estar do futuro é menos categoria e mais estratégia de negócio. Acompanhe as novidades em @lifeglobalrio. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Existe um tipo de cansaço que uma noite de sono não resolve. Você dorme, acorda, toma café, trabalha, treina, responde mensagens, pula de uma tela para outra, encontra gente, consome informação o dia inteiro. E mesmo assim sente que precisa de mais energia. Pode ser que o problema nem seja falta de energia, e sim estímulo demais. Até o descanso, hoje, parece precisar ser produtivo. Se aparece uma hora livre, ela vira treino, aula, reunião, leitura, conteúdo ou algum ritual de autocuidado. O wellness também entra nessa lógica com facilidade, e o cuidado acaba virando mais um item da lista. Só que o cérebro também precisa de momentos em que nada está sendo pedido a ele. Silêncio, pausa, um pouco de tédio. Um banho quente sem celular, uma caminhada sem podcast, o sofá sem culpa. Não fazer nada pode ser uma forma bem sofisticada de recuperação. Isso não quer dizer que todas as práticas de wellness sirvam para a mesma coisa. Yoga, meditação, breathwork, sauna, massagem, mobilidade e sound healing podem ajudar a baixar o volume dos estímulos, tirar o corpo do estado de alerta e abrir espaço para recuperar. A pergunta que importa é o que exatamente você precisa recuperar. Tem dia em que o corpo está cansado e pede recuperação física. Tem dia em que a cabeça está saturada e o que falta é silêncio. E tem dia em que mais estímulo só piora, e o que resolve é ter menos. Nesse ponto, recovery fica bem maior do que “descansar depois do treino”. Entra aí recuperar atenção, presença, a capacidade de ficar quieto e a energia mental que se perde ao longo do dia. As métricas podem ajudar nesse processo, desde que não virem mais uma fonte de cobrança. O relógio mostra sono, frequência cardíaca, HRV e carga de treino, e esses dados são ótimos para entender padrões do corpo. Mas eles não sabem tudo. Aprender a perceber como você se sente continua sendo parte do trabalho. O dado pode dizer que você está “pronto para treinar” num dia em que sua cabeça está esgotada. Ou você pode ter dormido pouco, acordar bem e escolher um treino leve, sem transformar aquele número em sentença. A tecnologia mede muita coisa. Uma métrica, porém, continua sendo só sua: como você se sente depois. Uma boa prática de wellness não deveria te deixar com a sensação de que precisa fazer mais. Ela deveria devolver alguma coisa, seja calma, energia, presença ou disposição. Talvez esse seja o luxo de agora. Não uma agenda vazia, mas energia suficiente para escolher o que merece sua atenção, e maturidade para saber quando não fazer nada. Descansar também se aprende. E pode ser que a próxima tendência do wellness não tenha nada a ver com fazer mais para viver melhor, e sim com finalmente aprender a parar. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
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