A discussão sobre saúde mental e ambiente digital acaba de ganhar um novo capítulo em Brasília. O deputado federal Mauricio Neves apresentou na Câmara um Projeto de Lei que proíbe o acesso de menores de 16 anos a redes sociais no Brasil. A proposta altera a Lei 15.211/2025, conhecida como Lei 15.211/2025, o chamado ECA Digital. Se aprovado, o texto cria uma vedação expressa e total ao uso de redes sociais por quem tem menos de 16 anos. O que isso vai mudar? Hoje, não existe no Brasil uma proibição geral por lei para menores de 16 anos usarem redes sociais. Plataformas como Instagram, TikTok, Facebook e X já adotam idade mínima de 13 anos para criação de conta, seguindo padrões internacionais. Para menores de 18, há restrições extras como contas privadas por padrão, limitação de mensagens de desconhecidos e filtros de conteúdo. O problema é que, na maioria dos casos, o cadastro depende apenas da data de nascimento informada pelo próprio usuário. Sem checagem documental obrigatória. Na prática, basta declarar outra idade. O novo projeto obriga as plataformas a adotarem mecanismos efetivos de verificação etária e controle de cadastro. O descumprimento pode gerar sanções administrativas previstas na própria lei. Na defesa da proposta, o autor cita riscos à saúde mental de crianças e adolescentes, incluindo ansiedade, distúrbios do sono, exposição a conteúdos sensíveis e cyberbullying. O argumento parte de um ponto cada vez mais debatido: o impacto do ambiente digital na formação emocional e cognitiva. Pesquisas de comportamento digital no Brasil indicam que uma parcela relevante dos jovens cria perfil antes da idade mínima exigida pelas plataformas. Especialistas em proteção digital apontam que a autodeclaração facilita esse descompasso entre regra formal e prática real. O que já existe hoje O próprio Lei 15.211/2025 já obriga empresas de tecnologia a implementar medidas de proteção a menores, como ferramentas de supervisão parental e retirada de conteúdos prejudiciais. Além disso, outra lei federal restringe o uso de celulares nas escolas públicas e privadas durante aulas, recreios e intervalos, com exceções pedagógicas, de acessibilidade e saúde. Ou seja, o movimento de restrição digital já está em curso. A proposta atual eleva o nível da intervenção. Proibição resolve? Aqui começa a parte mais complexa da conversa. Proibir pode reduzir exposição? Talvez.Pode empurrar o uso para ambientes menos regulados? Também é possível. O debate não é apenas jurídico. É cultural, tecnológico e comportamental. Redes sociais hoje não são apenas entretenimento. São espaço de socialização, informação, pertencimento e identidade. Ao mesmo tempo, são ambientes de comparação constante, estímulo dopaminérgico e exposição precoce. A pergunta central não é simples. O problema é a existência da rede ou a forma como ela é usada?É a idade cronológica ou a maturidade digital?É a falta de proibição ou a falta de alfabetização digital? O projeto ainda aguarda despacho para começar a tramitação nas comissões da Câmara. Depois dessa fase, precisa passar pelo plenário e pelo Senado antes de eventual sanção presidencial. Nada muda imediatamente. Mas o sinal está dado: o debate sobre limites digitais para adolescentes entrou de vez na agenda legislativa brasileira. No fundo, a discussão é maior do que redes sociais.É sobre como equilibrar proteção, autonomia e desenvolvimento numa geração que já nasceu conectada. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui
Nos últimos dias, com um novo surto do Nipah virus na Índia e a fama de alta letalidade da doença, começou a pergunta inevitável nas redes: o Brasil pode enfrentar uma nova epidemia graças ao Carnaval? A resposta, segundo especialistas e autoridades de saúde, é objetiva: não, o risco atual para o Brasil é considerado muito baixo. E entender o porquê ajuda a separar alerta real de pânico digital. Por que o risco no Brasil é baixo O Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, passa de animais para humanos. O principal reservatório natural são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como raposas-voadoras, comuns na Ásia e em partes da África. O Brasil não abriga essa espécie específica, o que reduz drasticamente a chance de circulação natural do vírus por aqui. O Ministério da Saúde chegou a divulgar nota oficial desmentindo rumores de casos confirmados no país e reforçando que mantém protocolos permanentes de vigilância para agentes altamente patogênicos. A avaliação é a mesma da Organização Mundial da Saúde: o surto recente na Índia está praticamente encerrado e o risco de pandemia global é considerado baixo neste momento. O que é o Nipah e por que ele preocupa? Apesar do risco baixo no Brasil, o Nipah não é um vírus trivial. Ele pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite, que é a inflamação do cérebro. O que começa como uma virose comum pode evoluir rapidamente para um quadro neurológico grave. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dor muscular, fadiga e tontura. Em alguns casos, surgem dificuldades respiratórias. Nos quadros mais severos, aparecem confusão mental, desorientação, sonolência, convulsões e até coma. A taxa de mortalidade pode chegar a 70% em determinados surtos. E aqui está o ponto crítico: não existe vacina nem tratamento antiviral específico aprovado. O cuidado é de suporte, com hidratação, controle da pressão e monitoramento intensivo. É por isso que ele está na lista de vírus prioritários da OMS. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o vírus é transmitido principalmente de animais para humanos, especialmente por meio de morcegos frugívoros e porcos. Também pode ocorrer transmissão por alimentos contaminados e, em menor escala, de pessoa para pessoa, especialmente em ambientes hospitalares. Ao entrar no organismo, o vírus afeta o sistema respiratório e o sistema nervoso central. Histórico de surtos O Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de suínos na Malásia. Desde 2001, Bangladesh registra episódios quase anuais. A Índia também enfrentou surtos importantes, incluindo um em 2018 na cidade de Calecute, com alta mortalidade. Especialistas apontam que a perda de habitat natural aproxima morcegos de áreas urbanas e rurais, facilitando o salto do vírus para humanos. Esse é um padrão que já vimos em outras zoonoses. Então, devemos nos preocupar com o Carnaval? Preocupação informada é diferente de pânico. No cenário atual, não há evidência de circulação do vírus no Brasil, não há registro de casos confirmados no país e não existe o principal hospedeiro natural por aqui. Isso não significa ignorar vigilância sanitária. Significa entender que risco epidemiológico depende de contexto ecológico, circulação ativa e cadeias de transmissão estabelecidas. Nenhum desses fatores está presente no Brasil neste momento. O caso do Nipah reforça uma lição maior da saúde global: zoonoses emergem quando há desequilíbrio entre ambiente, animais e humanos. Não é sobre espalhar medo antes do Carnaval.É sobre manter sistemas de vigilância fortes e informação de qualidade circulando mais rápido que o boato. E, neste caso específico, a ciência é clara: o risco para o Brasil hoje é baixo. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui
Pesquisadores da University of Pennsylvania, nos Estados Unidos, descobriram que cachorros treinados conseguem identificar sinais de câncer antes mesmo do diagnóstico formal da doença. O estudo foi publicado no The Veterinary Journal e abre uma discussão interessante sobre o futuro da triagem precoce. Câncer tem cheiro? A pesquisa focou no hemangiossarcoma, um tipo agressivo de câncer canino que costuma ser descoberto tarde demais. O objetivo era entender se existia um perfil olfativo detectável na doença. Em testes duplo-cegos, uma das cadelas do projeto acertou 70% das vezes ao identificar amostras de sangue com o câncer. A média geral dos cães ficou nessa mesma faixa. Pode parecer “apenas 70%”. Mas para um estudo de prova de conceito, isso é relevante. Mostra que existe um padrão químico no sangue que pode ser reconhecido e isso muda o jogo. Estudos anteriores já indicavam que cães conseguem detectar câncer em humanos, como ovário, pâncreas, bexiga e pulmão, com taxas que podem chegar a 90% dependendo do protocolo e do tipo de amostra analisada. Como os cães foram treinados? Cinco cães de biodetecção participaram do estudo. Eles já tinham sido treinados para reconhecer odores ligados a outras doenças, incluindo câncer humano e transtornos como estresse pós-traumático. Os testes utilizaram amostras de soro sanguíneo de três grupos: Cada animal avaliou conjuntos de amostras em múltiplos ensaios controlados. Para evitar interferência humana, os pesquisadores usaram olfatômetros de alta tecnologia, com sensores a laser que registravam o tempo de análise do cão. Quando o animal permanecia tempo suficiente na amostra correta, recebia um sinal sonoro e a recompensa. O hemangiossarcoma é devastador principalmente porque se espalha silenciosamente. Quando os sintomas aparecem, muitas vezes já é tarde. Se a detecção acontecer antes da ruptura do baço ou da metástase, veterinários poderiam considerar intervenções mais cedo, como cirurgia preventiva ou início antecipado de quimioterapia. E aqui entra o ponto mais interessante. O objetivo não é colocar cães em todos os consultórios.É usar o que eles revelam para desenvolver máquinas e testes laboratoriais capazes de replicar esse reconhecimento olfativo. Se os cães conseguem detectar um padrão químico específico, significa que ele existe. E se existe, pode ser medido. Uma das hipóteses levantadas pelas pesquisadoras é que um teste de odor poderia virar um exame anual de triagem. Algo que sinalizasse um alerta precoce, direcionando o tutor para exames como ultrassom ou tomografia. O que essa pesquisa realmente diz Ela não diz que cães “veem” câncer.Ela mostra que doenças alteram nosso metabolismo a ponto de produzir odores detectáveis. E se o olfato animal consegue perceber isso antes de exames tradicionais, talvez estejamos diante de uma pista poderosa para a medicina preventiva. No fim, a pergunta não é se o cachorro é melhor que a máquina, mas é como transformar o faro em dado. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui
A curadoria semanal da FitFeed com os melhores achados em saúde, ciência e cultura — toda sexta-feira, direto na sua inbox.