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Nike deixa lista de 100 maiores empresas de capital aberto dos EUA

Culpar apenas uma campanha ruim é simplificar demais o jogo. A S&P Dow Jones Indices confirmou no dia 4 de setembro que a Nike sai do S&P 100 antes da abertura do pregão de 21 de setembro, encerrando quase 18 anos no índice das cem maiores empresas de capital aberto dos Estados Unidos. A marca entrou nesse clube em dezembro de 2008 e permanece no S&P 500, mas perdeu o assento na mesa principal. Para a empresa que praticamente inventou o conceito de marca esportiva global, isso é mais que um ajuste técnico de índice. A matemática por trás do corte Os números explicam sozinhos. A ação da Nike opera perto de 38 dólares, contra um pico de 179,10 dólares em novembro de 2021. O valor de mercado caiu de cerca de 264 bilhões de dólares para algo próximo de 57 bilhões, uma queda de 78%. Só em 2026, o encolhimento foi de 36%. Enquanto isso, o próprio S&P 100 subiu 83% em cinco anos. A Nike não apenas caiu, ela caiu enquanto o resto do time avançava. Rebalanceamento de índice é matemática fria, e a matemática deixou de fechar. O tabuleiro mudou de esporte Olhe quem entrou no lugar. Dell Technologies, Palo Alto Networks, Arista Networks e SanDisk, todas do setor de tecnologia da informação. No documento oficial, a Palo Alto aparece pareada diretamente com a saída da Nike. Junto dela também saem Honeywell Aerospace, Simon Property Group e Colgate-Palmolive, e cada substituição vem de TI. Isso conta uma história maior que a da Nike. O mercado está trocando marcas de consumo por infraestrutura digital na definição do que é essencial. Os investidores estão pagando por crescimento, e hoje o crescimento tem cara de nuvem, chip e cibersegurança. Marca forte com produto físico virou categoria em disputa, não posição garantida. Onde a estratégia rachou A Nike apostou pesado em vender direto ao consumidor durante a pandemia e concentrou recursos nos próprios canais. Fazia sentido no papel. Mas com o mundo reaberto, o consumidor não migrou como o plano previa, e no caminho a empresa azedou a relação com varejistas grandes como Foot Locker, Dick’s Sporting Goods e JD Sports. Os últimos anos foram gastos reconstruindo essas pontes. Enquanto isso, o nicho comeu o generalista pelas beiradas. On e Hoka avançaram em corrida, Lululemon dominou o território de treino e estilo de vida, Adidas retomou fôlego, e no maior mercado da Nike fora dos Estados Unidos, marcas chinesas como Anta e Li-Ning ganharam espaço. Nenhuma delas precisou vencer a Nike no jogo inteiro. Cada uma venceu em uma quadra específica. Sair do S&P 100 não muda a operação do dia a dia, mas oficializa uma perda de competitividade que o mercado já vinha precificando há anos. É a prova de que escala e reconhecimento de marca não são fosso, são vantagem temporária. No mercado de bem-estar e performance, quem entende o nicho melhor que o gigante não precisa ser maior, precisa apenas ser mais preciso. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Médicos que não existem estão prescrevendo tratamento para milhares de brasileiros

Um avatar de jaleco, voz firme, um título inventado e a promessa de uma cura que a ciência nunca viu. A Advocacia-Geral da União notificou o Google, dono do YouTube, para remover ou sinalizar vídeos que usam inteligência artificial para simular médicos e outros profissionais de saúde. A plataforma tem 72 horas para tirar os conteúdos do ar ou aplicar rotulagem que deixe explícita a natureza artificial dos personagens. Não é um caso isolado de fake news. É uma indústria montada em cima da autoridade médica. O tamanho real do problema O programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, mapeou 97 perfis com esse tipo de conteúdo entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026. Segundo o ministério, os vídeos usam avatares de aparência humana apresentados como médicos ou especialistas, atribuem qualificações profissionais fictícias e recorrem a linguagem alarmista para conferir credibilidade. A força-tarefa não é só da Saúde. Reúne a AGU, a Secom, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Ciência e Tecnologia. A notificação foi elaborada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, e as informações também foram encaminhadas à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina. Procurado, o Google não se manifestou até a publicação das primeiras reportagens. O alvo escolhido não é aleatório Parte dos perfis é direcionada especialmente à população idosa. E em vários casos a autoridade fabricada do personagem serve para vender e-books, produtos e serviços pagos. Ou seja, o deepfake não é o fim, é o funil. Os riscos apontados pelo Ministério da Saúde são clínicos e imediatos. Automedicação, uso de terapias sem eficácia comprovada, atraso na busca por atendimento profissional e interrupção ou substituição de tratamentos em curso. Um vídeo bem produzido pode custar uma janela terapêutica inteira. Quem paga a conta é o mercado legítimo Aqui está o ponto que interessa a quem opera no setor. Confiança é o ativo mais caro e mais lento de construir em saúde e bem-estar. Clínica, healthtech, marca de suplemento, plataforma de longevidade, todo mundo gasta anos e muito dinheiro provando credibilidade. O deepfake fabrica essa mesma credibilidade em minutos e a queima para todo mundo. Quando o público não consegue mais distinguir o especialista real do avatar, ele passa a desconfiar dos dois. O resultado é um mercado inteiro com o custo de aquisição mais alto e o ciclo de venda mais longo, porque cada afirmação precisa de uma camada extra de prova. Verificação, registro profissional visível e origem rastreável da informação deixaram de ser detalhe de compliance e viraram diferencial competitivo. O precedente já existe e funcionou. A AGU já havia notificado o Telegram depois que o Ministério da Saúde identificou 18 grupos e canais que comercializavam ilegalmente comprovantes e passaportes vacinais falsificados. A plataforma removeu os grupos indicados e excluiu uma conta identificada na investigação, com as evidências encaminhadas à Polícia Federal. É a prova de que a próxima disputa do setor de saúde não será só por eficácia, será por procedência. Num mercado em que qualquer rosto pode ser sintetizado, a informação verificável vira produto. Se o médico do vídeo soa estranho demais para ser verdade, denuncie direto na plataforma e confira a fonte no Ministério da Saúde ou nos conselhos profissionais. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Dormir até mais tarde no fim de semana pode reduzir em 20% o risco de doenças cardíacas

Esqueça a culpa de acordar tarde no fim de semana. Um estudo apresentado no ESC Congress 2024, o congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Londres, mostrou que quem mais compensa o sono no sábado e no domingo tem até 20% menos risco de desenvolver doença cardíaca do que quem menos compensa. A pesquisa foi liderada por Yanjun Song e Zechen Liu, do Hospital Fuwai, em Pequim, o Centro Nacional de Doenças Cardiovasculares da China. Por que esse dado pesa mais que os outros sobre sono A maior parte dos estudos sobre sono depende de as pessoas contarem quanto dormiram. Aqui não. Os pesquisadores analisaram 90.903 participantes do UK Biobank, o grande banco de dados de saúde do Reino Unido, e mediram o sono com acelerômetro, um sensor que registra movimento. Os participantes foram divididos em quartis de acordo com quanto sono compensavam no fim de semana, e acompanhados por 14 anos. O desfecho não foi cansaço nem humor. Foi doença cardíaca de verdade, incluindo doença isquêmica, insuficiência cardíaca, arritmia e AVC. Quando um estudo troca o questionário pelo sensor e o autorrelato pelo desfecho clínico, ele sai da categoria de curiosidade e entra na categoria de evidência. O efeito é mais forte em quem dorme mal a semana inteira Entre os 19.816 participantes que dormiam menos de sete horas por noite durante a semana, a associação ficou ainda mais pronunciada. Ou seja, quanto maior a dívida de sono acumulada de segunda a sexta, maior o valor da compensação. Isso vira um dado incômodo para o mundo corporativo. A privação de sono deixou de ser um detalhe de estilo de vida e passou a ser um fator de risco cardiovascular mensurável dentro da sua própria folha de pagamento. Empresa que celebra o time que responde e-mail às duas da manhã está, na prática, financiando um passivo de saúde de longo prazo. O alerta que ninguém pode ignorar Os próprios especialistas seguram a euforia. O estudo mostra associação, não causa. Dormir até meio-dia no sábado não anula cinco noites mal dormidas, não é um crédito que zera a conta. É uma amortização parcial de uma dívida que continua existindo. Essa nuance importa para o mercado. O setor de recuperação, sono e longevidade cresce vendendo soluções, e a leitura preguiçosa desse estudo abre espaço para promessa fácil. A leitura correta é mais estratégica. Recuperação funciona, mas ela é a segunda linha de defesa, não a primeira. O sono deixou de ser o tempo morto entre dois dias produtivos e virou uma variável de performance com impacto cardiovascular comprovado ao longo de 14 anos. O bem-estar do futuro é menos sobre o que você faz acordado e mais sobre a qualidade das horas em que você não faz nada. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

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