Reforçar a própria gôndola virou o movimento mais seguro e menos lucrativo do varejo. A Red Bull decidiu fazer o oposto. A marca instalou frigobares iluminados no meio da prateleira de café de supermercados, cercados por caixas do produto concorrente, com a frase Energia para agora estampada na porta. Quem está com a mão na embalagem de café encontra a lata gelada na mesma altura dos olhos. Café e energético brigam pela mesma necessidade Ninguém compra café por causa do café. Compra disposição, foco e o empurrão para começar o dia. O energético promete exatamente a mesma coisa. Durante décadas, esses dois produtos ficaram em corredores diferentes do supermercado, como se atendessem gente diferente, quando na verdade disputavam a mesma ocasião de consumo. A ação inverte a jornada. Em vez de esperar o consumidor caminhar até o corredor de bebidas, a marca aparece no exato momento em que ele já está pensando em energia. É invasão de território com endereço certo, e funciona porque a decisão acontece ali, na frente da prateleira. Dois terços dos shoppers apontam o ponto de venda como principal fonte de conhecimento sobre produtos da categoria. Os números que explicam a ousadia O movimento não é blefe. Segundo a Nielsen, o mercado brasileiro de energéticos cresceu 17% entre 2023 e 2024. Dados da Kantar mostram que, até setembro de 2024, a bebida estava presente em 38% dos lares brasileiros, um avanço de cerca de 22 milhões de domicílios em apenas doze meses. A Geração Z responde por até 60% do público consumidor da categoria no país, de acordo com o Times Brasil. A projeção da Euromonitor é que o mercado de energéticos dobre de tamanho no Brasil até 2027, chegando a 10% do segmento de bebidas não alcoólicas. Do outro lado da disputa, o diretor executivo da Associação Brasileira de Cafés Especiais, Vinicius Estrela, já reconhece publicamente a tendência de substituição do café pelo energético como fonte de cafeína, ainda que avalie que o café especial sofra menos por vender experiência, e não só estado de alerta. O que isso ensina para quem vende bem-estar A lição não é sobre lata gelada. É sobre parar de definir concorrência por categoria e passar a definir por ocasião. Seu estúdio de pilates não concorre com o estúdio da esquina, concorre com o app de meditação, com a caminhada no parque e com a hora de sono a mais. Seu suplemento não briga só com outro suplemento, briga com o café da manhã. O energético entendeu isso antes. Deixou de se vender como bebida de festa e passou a ocupar estudo, trabalho, treino e trânsito, apoiado em fórmulas com menos açúcar e apelo de foco e cognição. Ampliou a ocasião e, com ela, o mercado. É a prova de que a disputa mais rentável raramente está na sua prateleira. Está na prateleira do vizinho, no minuto em que o consumidor ainda não decidiu nada. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
A velha lógica de que loja serve só para vender roupa está com os dias contados. A Lacoste inaugurou no dia 19 de agosto o primeiro Café Lacoste da América Latina, ao lado da própria boutique no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Antes de olhar o croissant, olhe a carta de bebidas. Tem colágeno, spirulina azul e cúrcuma no menu de uma grife de moda. Bem-estar virou item de cardápio de grife Os boosters funcionais custam R$ 45 e não são detalhe de rodapé do menu. O Supra Curcuma leva abacaxi, manga e cúrcuma. O Active Spiruline junta manga, abacaxi, espinafre, spirulina azul, skyr e leite de coco. O Collagène Oxygène combina frutas vermelhas, gengibre, colágeno, skyr e leite de aveia. Ao lado deles, o espresso sai a R$ 15 e a Eau de Croco, exclusiva da casa, mistura água de coco, matcha e gengibre por R$ 32. Repare no reposicionamento. Colágeno e spirulina saíram da prateleira de suplemento e entraram na carta de um café de luxo, servidos em porcelana de Limoges. O funcional deixou de ser remédio e virou indulgência. Para quem opera no bem-estar, esse é o sinal mais claro de que a categoria amadureceu, porque produto que consegue ser desejado sem apelo terapêutico não depende mais de convencer ninguém. O Brasil como laboratório da marca A escolha de São Paulo não foi acaso. O Brasil responde por 60% dos negócios da Lacoste na América Latina, e o Cidade Jardim já vinha sendo usado como vitrine de testes. Em maio, a mesma unidade foi a primeira do país a receber o novo conceito global de loja, criado em Paris no bairro Le Marais. O café segue o modelo que nasceu em Mônaco e ganhou versão permanente em Paris, em fevereiro deste ano, em parceria com o Giraudi Group. O conceito gastronômico é assinado por Riccardo Giraudi, o mesmo por trás do Beefbar, presente em 38 endereços pelo mundo. No Brasil, a operação do dia a dia fica com a Il Barista, fundada em 2003, sob gestão de Gelma Franco. O blend de grãos nacionais foi desenvolvido só para esta unidade. Tempo de permanência é a nova métrica O ambiente combina verde, branco e terracota numa referência direta ao saibro de Roland-Garros, onde René Lacoste construiu a própria história. Os Polo Cakes imitam o formato da camisa polo e vêm nos sabores Pistache Dubai, Caramel Toffee e Ispahan. Nada disso é decoração gratuita. Cada elemento existe para prolongar o tempo que você passa dentro do universo da marca. Marcas de moda estão entrando na gastronomia porque a conta mudou. Vender uma peça exige uma decisão de compra. Vender um café exige quase nenhuma, e ainda assim coloca o consumidor dentro do território da marca por uma hora. A Louis Vuitton faz isso de Nova York a Bangkok. A Lacoste chega agora, com o funcional como diferencial. O varejo do futuro é menos vitrine e mais lugar de ficar, e quem vende bem-estar acabou de ganhar um concorrente inesperado na disputa pela mesma hora do seu dia. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Esqueça o painel de oitenta biomarcadores e a pilha de suplementos. A pessoa mais velha do mundo acaba de completar 117 anos e resume a própria longevidade em três hábitos que não custam nada. Ethel Caterham, nascida em 21 de agosto de 1909 num vilarejo do sul da Inglaterra, se tornou nesta sexta-feira a primeira britânica da história a chegar a essa idade, segundo o Guinness World Records. Ela evita discussões, escuta o que os outros têm a dizer e faz aquilo que gosta. Uma vida que atravessou dois séculos de mudança Ethel nasceu cinco anos antes da Primeira Guerra Mundial. Aos 18 anos, em 1927, embarcou sozinha num navio rumo à Índia britânica, três semanas de viagem, para trabalhar como babá de uma família inglesa. Voltou, casou com Norman Caterham na Catedral de Salisbury em 1933, viveu em Hong Kong e em Gibraltar, montou uma creche bilíngue no caminho. Ficou viúva em 1976, herdou o carro do marido e dirigiu até os 97 anos. Ela herdou o título de pessoa mais velha do mundo em abril de 2025, após a morte da freira brasileira Inah Canabarro Lucas, aos 116. Sobreviveu à Covid-19 quando tinha 110 anos, em 2020, o que a torna a pessoa mais velha conhecida a superar a doença. Hoje está entre as apenas treze pessoas já registradas na casa dos 117. O recorde absoluto segue com a francesa Jeanne Calment, que viveu 122 anos e 164 dias. O ativo que nenhum wearable mede Traduza as três regras dela para linguagem de mercado e você tem regulação do estresse, vínculo social e autonomia. Nenhuma delas aparece num relatório de sono ou num exame de sangue, e são exatamente as variáveis que a indústria da longevidade tem mais dificuldade de empacotar. Aí mora a oportunidade. O setor investiu pesado em diagnóstico e personalização, o que é bom, mas a camada relacional continua subatendida. Programas que criam comunidade, propósito e senso de controle sobre a própria rotina tendem a segurar gente por mais tempo do que qualquer painel de métricas. Retenção, no fim, é um problema de vínculo antes de ser um problema de produto. O Brasil está nesse mapa Vale lembrar quem mandou parabéns a Ethel no aniversário. João Marinho Neto, de 113 anos, o homem mais velho do mundo, é brasileiro. O país que ainda discute infraestrutura de cuidado para idosos já ocupa o topo do ranking global de longevidade, e essa é uma sinalização de mercado que poucos operadores leram até agora. Envelhecer bem deixou de ser história de família e virou categoria econômica. Cada ano a mais de vida ativa é um ano a mais de consumo de saúde, movimento, alimentação e serviços de cuidado. Longevidade não veio de fórmula complexa nesse caso. Veio de relações saudáveis, aceitação e uma vida que ela escolheu viver do próprio jeito. É a prova de que o mercado que vende anos extras precisa aprender a vender também o que preenche esses anos. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
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