Março de 2026 pode marcar uma virada no mercado das canetas para diabetes e obesidade. Com a provável queda da patente do Ozempic, empresas brasileiras e estrangeiras poderão registrar versões genéricas ou similares do medicamento, além de alternativas para Wegovy e Rybelsus. Segundo Reginaldo Arcuri, presidente do Grupo FarmaBrasil, já existem pelo menos 13 pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida. Sete deles são de empresas brasileiras. O que muda na prática? Com mais empresas produzindo, a tendência é que os preços caiam ao longo de 2026. Não deve ser imediato, porque os produtos entram no mercado em etapas. Mas a lógica de mercado é clara. Mais concorrentes significam disputa por preço. Para o consumidor e para o SUS, isso pode representar acesso mais amplo a um medicamento importante tanto para diabetes quanto para obesidade. E a Anvisa? A Anvisa já publicou edital para acelerar a análise desses medicamentos, justamente por causa do aumento de importações paralelas e falsificações. A expectativa da indústria é que os registros avancem de forma mais rápida ao longo do ano. Hoje o país já é considerado o maior polo de biossimilares da América Latina. Isso acontece porque o Brasil tem indústria instalada, profissionais qualificados e políticas públicas que incentivaram produção local, como as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo. O próximo passo é produzir medicamentos biológicos mais avançados e, no futuro, desenvolver moléculas próprias. O principal desafio, segundo Arcuri, é coordenação entre governo e indústria. Empresas nacionais investem entre 6% e 8% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento. Mas para dar um salto maior, é preciso alinhamento regulatório, incentivo à pesquisa clínica e integração mais forte com universidades. A recente aprovação da lei de pesquisa clínica é vista como avanço importante. Próxima década A meta da indústria é ambiciosa. O foco segue nas áreas que mais crescem no mundo: oncologia, diabetes, doenças cardiovasculares e imunológicas.
O esporte fitness está virando espetáculo e a nova peça no tabuleiro atende pelo nome de XENOM. A liga levantou US$ 15 milhões para lançar eventos em escala de estádio voltados para atletas de CrossFit e modalidades híbridas. O movimento coloca a XENOM no centro de uma disputa silenciosa com o modelo padronizado da HYROX. A XENOM nasce como evento licenciado da CrossFit, com apoio da fabricante de equipamentos Rogue Fitness. A estreia acontece em junho, no centro de treinamento do Dallas Cowboys, e a temporada inaugural passa por 11 cidades, incluindo Londres, Miami e Paris. O diferencial está no formato. Enquanto os CrossFit Games mudam as provas todos os anos, a XENOM aposta em 10 eventos fixos, com pontuação estilo decatlon. Por que isso importa? A HYROX cresceu rápido porque seu modelo é simples e replicável. Mesmas provas. Mesmo formato. Mesmo produto. Isso facilita vender treino licenciado, equipamento, roupas, viagens e experiência. CrossFit sempre foi mais imprevisível. E isso é incrível para performance. Mas difícil para escalar como produto global padronizado. A XENOM tenta ser essa ponte. Rivalidade ou coexistência? A CrossFit afirmou que não vê a HYROX como rival direta e que os dois modelos podem coexistir. Mas a realidade é clara. Com fitness virando esporte de massa, o formato mais simples de entender tende a crescer mais rápido. E a XENOM quer revitalizar afiliados CrossFit usando rede, marca e infraestrutura para construir o que chama de plataforma cultural definitiva de alta performance.
Semanas após deixar o cargo de CEO da Zomato, Deepinder Goyal voltou ao jogo com uma nova aposta. O empreendedor indiano levantou US$ 54 milhões para a startup Temple, focada em wearables para atletas de elite. A rodada foi feita com amigos, familiares e primeiros apoiadores do Zomato, com avaliação pós dinheiro de aproximadamente US$ 190 milhões. O que a Temple quer fazer? A proposta é ambiciosa. A Temple está desenvolvendo um dispositivo para ser usado na têmpora que monitora continuamente o fluxo sanguíneo cerebral. A ideia é medir métricas que, segundo Goyal, os wearables atuais ainda não conseguem capturar. Enquanto o mercado monitora sono, frequência cardíaca e recuperação, a Temple quer entrar na camada cerebral do desempenho. Goyal deixou o comando da Zomato e da holding Eternal em janeiro, passando o cargo para Albinder Dhindsa, que lidera a unidade de comércio rápido Blinkit. Depois de quase duas décadas à frente da empresa de delivery, ele já havia sinalizado uma virada estratégica para projetos de maior risco e experimentação. Temple é a expressão mais clara dessa mudança. Além dela, Goyal também investiu US$ 25 milhões do próprio bolso na Continue Research, focada em prolongar a vida humana. Ele também é cofundador da LAT Aerospace, que expandiu atuação para tecnologia de defesa. Um mercado difícil A Temple entra em um cenário competitivo pesado. Empresas como Whoop, Oura e Garmin já dominam métricas como sono, recuperação e desempenho atlético. O desafio da Temple será provar que monitorar o cérebro agrega valor real e não vira apenas mais um dado complexo difícil de interpretar. Se funcionar, a Temple pode inaugurar uma nova categoria dentro do high performance. Se não, vira apenas mais uma startup tentando encontrar espaço em um mercado saturado de wearables. Por enquanto, é promessa e capital.
A curadoria semanal da FitFeed com os melhores achados em saúde, ciência e cultura — toda sexta-feira, direto na sua inbox.