Quando o diretor-geral da OMS aponta um sistema de saúde como exemplo para o mundo, vale prestar atenção. Foi o que Tedros Adhanom fez com o SUS, destacando que ele atende de graça mais de 200 milhões de pessoas. O que está por trás do elogio? A declaração veio em 28 de julho, durante visita ao Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro. Segundo Tedros, poucos países têm um sistema público que cobre toda a população. Escala desse tamanho é rara. E é justamente ela que sustenta resultados como o que o Brasil levou à mesa na mesma visita. Prevenção como estratégia vencedora Na ocasião, o Brasil entregou à OMS o pedido de certificação pela eliminação da transmissão da hepatite B de mãe para filho. A régua é alta. Para conquistar o selo, menos de 0,1% das crianças de até cinco anos pode ter a infecção ativa por dois anos seguidos. O país bateu a meta em 2024 e em 2025. O resultado se apoia em duas frentes. O pré-natal, que chega a mais de 98% das gestantes, e a vacina aplicada logo ao nascer, que alcançou 100% dos bebês em 2025. É prevenção feita cedo, e em escala. Um selo inédito nas Américas Se o pedido for aprovado, o Brasil será o primeiro país das Américas com essa certificação. E o país já conhece esse caminho. Em dezembro de 2025, recebeu o mesmo selo para o HIV. Tedros também elogiou o papel brasileiro no acordo global sobre pandemias e a parceria da OMS com a Fiocruz, reforçando o peso do país na diplomacia da saúde. Para quem atua no bem-estar, o recado vai além do orgulho nacional. O jogo da saúde se ganha antes de a doença aparecer, com cobertura ampla e cuidado desde o início da vida. É a prova de que prevenção bem executada não é custo, é uma das estratégias mais inteligentes que um sistema pode ter. Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar?A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Esqueça a imagem do psicodélico como uma sessão de dia inteiro. Um spray nasal feito com a molécula do veneno de um sapo do deserto reduziu os sintomas de depressão resistente em um estudo publicado no JAMA em 26 de outubro. E o detalhe que mais deveria chamar a atenção do mercado é o relógio. Do sapo ao laboratório A molécula em questão é a mebufotenina, também conhecida como 5-MeO-DMT. No estudo, ela foi produzida em laboratório, em versão pura. Ou seja, nada a ver com o “bufo” vendido na rua. O teste envolveu 193 pessoas que já tinham passado por dois a cinco antidepressivos sem melhora. Cada participante recebeu uma única dose do spray, em 38 centros espalhados por seis países. Cerca de um mês depois, entre 18% e 26% dos pacientes tratados estavam sem sintomas de depressão. No grupo placebo, esse número ficou em 8%. Por que duas horas mudam o jogo? O efeito psicodélico dura menos de duas horas, e a maioria dos pacientes foi liberada dentro desse prazo. Para comparar, a psilocibina, outro psicodélico em teste, exige uma sessão de cerca de seis horas. Essa diferença vai muito além do conforto do paciente. Menos tempo de sessão significa mais pessoas atendidas por clínica, menos horas de equipe por tratamento e uma operação mais fácil de escalar. Em saúde mental, onde o acesso é um gargalo, isso pode ser a virada de chave para tirar os psicodélicos do nicho. Os efeitos colaterais mais comuns foram dor de cabeça, náusea e dor no nariz, quase todos leves ou moderados. Pessoas com risco de suicídio ficaram de fora do estudo, então ainda não se sabe como o tratamento funcionaria para esse público. A big pharma entrou em quadra O estudo foi financiado pela AtaiBeckley, empresa comprada pela Eli Lilly. Quando uma gigante farmacêutica coloca um psicodélico no portfólio, o recado para o setor é claro. A terapia psicodélica deixa de ser aposta de startup e passa a disputar espaço no tabuleiro das grandes. O caminho ainda é longo. O remédio precisa passar pela fase 3 e, por enquanto, só está disponível dentro de pesquisas. Mas o movimento já mostra para onde o mercado está olhando. O tratamento de saúde mental do futuro é menos sessão interminável e mais eficiência, escala e precisão. Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar?A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Quando a esperança corre mais rápido que a ciência, alguém precisa puxar o freio. A Anvisa decidiu fazer esse papel. A agência manteve as restrições ao uso compassivo da polilaminina, substância experimental testada contra lesões na medula espinhal, e ainda rebateu as críticas da pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ. O que mudou nas regras do jogo? Até abril, pacientes com lesão de até três meses podiam ser autorizados a receber a substância. Agora, a janela caiu para 72 horas e vale apenas para lesões entre as vértebras T2 e T10, exatamente o recorte previsto no protocolo do estudo clínico. É contra esse aperto que Tatiana se posiciona. Em vídeo de 21 de outubro, ela disse ao g1 que hoje “tudo depende de uma correria louca”. A pesquisadora defende que o acesso seja liberado para lesões completas em qualquer altura da medula, inclusive no pescoço. Os números que pesam na decisão Segundo a Folha, a Anvisa contabiliza 119 aplicações e nove mortes. O laboratório Cristália, fabricante da substância, fala em 111 aplicações, confirma os nove óbitos e afirma que eles não tiveram relação com o produto. Para a agência, o ponto central é outro. Em nota de 22 de outubro, a Anvisa afirmou que não existem dados de segurança confiáveis e que os pacientes tratados não são acompanhados. Sem esse acompanhamento, fica impossível medir com clareza o que o produto faz ou deixa de fazer. E o estudo de fase 1, aprovado em janeiro de 2026, ainda não começou. Por que até o fabricante ficou do lado da Anvisa? Um painel com o CFM, neurologistas e neurocirurgiões recomendou, por unanimidade, que o uso não seja ampliado. O próprio Cristália apoiou a agência. Parece contraditório, mas faz todo sentido estratégico. Para quem desenvolve um produto inovador, o maior ativo é a credibilidade. Uma substância que chega ao mercado sustentada por estudo controlado vale muito mais do que uma que avança no improviso, carregando dúvidas que podem travar seu caminho lá na frente. Hoje, a polilaminina não tem registro, e sua eficácia e segurança seguem sem comprovação. Tudo o que existe vem de uso compassivo, sem grupo de comparação. É a prova de que, na saúde, a inovação só vira jogo ganho quando atravessa o caminho longo da evidência. Pular etapas pode até parecer atalho, mas costuma ser campo minado para pacientes, pesquisadores e para o próprio mercado. Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar?A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
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