A maior categoria de medicamentos da década acaba de entrar em um campo minado jurídico. Dezenas de pacientes nos Estados Unidos processaram as fabricantes de Ozempic, Wegovy e Zepbound alegando que os remédios contribuíram para uma forma rara de perda súbita da visão. Em 1º de setembro, o processo federal consolidado dedicado ao tema somava 216 ações pendentes na Pensilvânia, sem contar casos em tribunais estaduais. O que é a NAION e o que os reguladores já disseram A condição se chama NAION. Ela acontece quando o sangue para de chegar ao nervo óptico e pode causar perda repentina, indolor e às vezes permanente da visão. Costuma atingir um olho, às vezes os dois, e não existe tratamento aprovado. A Agência Europeia de Medicamentos já analisou o tema. Depois de revisar estudos e dados de farmacovigilância, classificou a NAION como efeito colateral “muito raro” da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy. A estimativa é de até um caso a cada 10 mil pacientes. A OMS emitiu alerta na sequência, a agência britânica atualizou a bula da semaglutida em fevereiro de 2026 e a Austrália foi além em julho, ampliando os avisos para toda a classe GLP-1. O Zepbound, da Eli Lilly, usa tirzepatida. A conclusão da agência europeia não se aplica a ele. Processo não é sentença Os processos não provam que os remédios causaram cada caso. Pacientes podem ter outros fatores de risco, e cada situação ainda será analisada clínica e judicialmente. Médicos e pesquisadores dizem que a evidência é mista e ainda não é clara o bastante para determinar se os medicamentos causam a condição, ou como. A Novo Nordisk afirma levar a sério todo relato de evento adverso, mas considera as ações sem fundamento. Para quem constrói produto ou serviço em cima da onda GLP-1, a lição é de gestão de risco. A demanda continua gigante, mas a régua de transparência subiu. Bula, acompanhamento e comunicação com o paciente deixaram de ser detalhe e viraram vantagem competitiva. Qualquer mudança súbita na visão exige avaliação médica. O tratamento não deve ser interrompido sem orientação profissional. O futuro da caneta emagrecedora é menos sobre a molécula e mais sobre o ecossistema de cuidado que se constrói ao redor dela. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
A sequência de cinco anos do pickleball no topo acabou. O padel se tornou o esporte que mais cresce nos Estados Unidos, segundo os dados de meio de ano da Sports & Fitness Industry Association. A participação subiu 14,5% em apenas o segundo ano de rastreamento da SFIA, enquanto o pickleball mostrou o primeiro sinal de desaceleração, com alta de 1,3% no primeiro semestre de 2026. O ritmo do padel foi cerca de 11 vezes maior no período. O detalhe que o percentual esconde Antes de decretar a virada, olhe a escala. O pickleball tem mais de 24 milhões de jogadores. O padel, pouco mais de 1 milhão. Entre os praticantes frequentes, que jogam ao menos oito vezes por ano, a SFIA conta cerca de 7,5 milhões no pickleball contra 238 mil no padel. Crescer de uma base menor é mais fácil, e o mercado sabe disso. Tito Machado, CEO da DUPR, resumiu o ponto com uma provocação. Ir de um jogador para dez é um crescimento de 900%, e continuam sendo dez jogadores. O padel vence a corrida do ritmo. O pickleball ainda vence, com folga, a corrida do volume. Por que o investidor não está olhando o placar de jogadores A diferença estrutural está na quadra. O padel exige uma quadra fechada com paredes de vidro. Em abril, os Estados Unidos tinham pouco mais de mil quadras em 31 estados. O pickleball cabe em parques, ginásios, escolas, quadras de tênis adaptadas e garagens de subúrbio. Isso limita o acesso, mas cria um ativo de negócio. Quem controla a quadra controla a experiência. É exatamente aí que o crescimento já virou empresa. Reserve Padel, ULTRA e Padel Haus estão abrindo clubes em novas cidades com estrutura que vai muito além do esporte. Gastronomia, design, convivência e bem-estar. A Padel Haus, clube de membros, prepara sua terceira unidade em Nova York e a primeira em Nashville, que terá oito quadras, playground infantil, espaço de coworking, parede de escalada e lounges sociais. Depois de captar US$ 7,5 milhões, o fundador Santiago Gomez fala em abrir até 50 clubes em cinco anos. O padel está se tornando um clube social. É por isso que o investidor enxerga a modalidade como entretenimento, não só como esporte. O pickleball ganhou a massa resolvendo o acesso. O padel está apostando em ganhar a receita por metro quadrado. São dois jogos diferentes, e o setor de bem-estar vai precisar aprender a jogar os dois. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Esqueça a imagem do técnico procurando a veia com o dedo. A FDA autorizou o Aletta, primeiro robô capaz de executar praticamente toda a coleta de sangue sem intervenção manual. O aparelho é da holandesa Vitestro e recebeu o sinal verde em 19 de agosto, liberado para adultos em clínicas e centros de coleta. A autorização veio pelo processo De Novo, reservado a dispositivos inéditos de risco baixo a moderado, e com ela a agência criou uma nova categoria regulatória para sistemas robóticos de coleta venosa. Como a máquina decide furar ou não O Aletta combina luz infravermelha e ultrassom para localizar uma veia e diferenciá-la de uma artéria. Se não encontra um vaso adequado, simplesmente não tenta. Quando encontra, coloca o garrote, prepara a pele, insere a agulha, coleta, troca os tubos, descarta a agulha e aplica o curativo. A segurança está desenhada para falhar do lado certo. Se o paciente mexe demais o braço, a agulha se solta e o procedimento para. Outros sensores pausam o processo e chamam o profissional. Esse profissional, treinado em flebotomia, inicia a coleta, permanece disponível para intervir e confere depois se os tubos foram preenchidos corretamente. O número que muda a conta da operação Nos dados enviados à FDA, a taxa de sucesso do robô foi igual ou superior à de profissionais treinados. O resultado foi demonstrado em uma ampla faixa de pacientes, incluindo pessoas com diferentes condições de saúde, diferentes tons de pele e quem já relatava acesso venoso difícil, com eventos adversos incomuns e leves. O estudo multicêntrico ADOPT, com 1.633 pacientes em três serviços ambulatoriais nos Países Baixos, registrou 94,5% de sucesso na primeira tentativa. Mas o dado que interessa a quem gere uma rede de laboratórios é outro. Uma única pessoa pode supervisionar até três robôs ao mesmo tempo. A própria FDA lembra que a coleta de sangue é um dos procedimentos mais realizados nos Estados Unidos e que pacientes enfrentam atrasos por causa da escassez crescente de flebotomistas. O robô não substitui o profissional. Multiplica a capacidade dele. O que vem depois da autorização O Aletta já tem marcação CE e começa a ser usado gradualmente em contextos clínicos e pré-comerciais na Europa. Com a autorização americana, a Vitestro pretende ampliar a produção e iniciar uma implantação escalonada no mercado dos Estados Unidos. Para o ecossistema de diagnóstico, isso significa que a coleta, o gargalo mais manual de toda a cadeia de exames, acaba de ganhar uma versão escalável. SINDPD É a prova de que a automação em saúde não vai chegar primeiro pela cirurgia de alta complexidade, e sim pelo procedimento repetitivo que todo laboratório faz centenas de vezes por dia. Quem opera coleta em escala precisa começar a fazer as contas agora. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
A curadoria semanal da FitFeed com os melhores achados em saúde, ciência e cultura — toda sexta-feira, direto na sua inbox.