Esqueça o happy hour de sexta como o grande ponto de encontro de quem tem vinte e poucos anos. Com o consumo de álcool na menor marca em quase nove décadas, a nova balada começa no sábado às 7h, de tênis e garrafinha na mão. Os clubes de corrida viraram o ponto de encontro da geração mais jovem, e as marcas já entenderam onde está a nova vitrine. O bar perdeu o posto Os números mostram uma mudança de comportamento, não uma moda passageira. Segundo o Gallup, 54% dos adultos americanos dizem beber. É o menor índice desde 1939, ano em que a pesquisa começou. Entre quem tem de 18 a 34 anos, a queda é ainda mais rápida, de 59% em 2023 para 50% em 2025. Do outro lado do Atlântico, o impacto já aparece no mapa da cidade. No Reino Unido, um em cada quatro locais de vida noturna fechou as portas desde 2020. A corrida virou rede social O espaço que o bar deixou vago foi ocupado rapidinho. No Strava, o número de clubes de corrida cresceu 3,5 vezes em 2025. E o motivo vai muito além do pace. Usuários da Geração Z têm quatro vezes mais interesse em conhecer gente treinando do que num bar, e um em cada cinco já namorou alguém que conheceu se exercitando. A amizade também entra na conta. Entre os usuários ouvidos pelo Strava, 58% fizeram amigos em clubes de corrida. O treino em grupo virou o lugar onde a vida social acontece. As marcas entraram na pista Quando a atenção muda de endereço, o marketing vai junto. Hoka, Nike e Lululemon criaram clubes próprios. A adidas foi além e abriu o Runbase, um espaço com armários, chuveiros e ajuste de tênis para quem quer correr sem passar em casa. O caso mais revelador vem de uma marca pequena. A WakeWater, de bebidas com eletrólitos, distribuiu amostras em cerca de 25 clubes ao longo de 18 meses e alcançou perto de 30 mil corredores nesse período. As vendas da empresa subiram 460%. É a prova de que o clube de corrida funciona como canal de aquisição, com público qualificado, recorrente e engajado. Pertencimento é o verdadeiro produto O sociólogo Ray Oldenburg chamava de terceiros lugares os espaços que não são nem a casa nem o trabalho. É neles que a gente sente que faz parte de algo. Durante décadas, esse papel foi do bar. Agora ele está migrando para a calçada, o parque e a pista. Para quem empreende em bem-estar, a lição é estratégica. O quilômetro rodado é só o pretexto. O que as pessoas buscam ali é vínculo, rotina e identidade. O terceiro lugar do futuro é menos balcão e mais largada. As marcas que entenderem que vendem comunidade, e não só produto, vão correr na frente. Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar?A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
A velha lógica de que Medicina é o vestibular imbatível está com os dias contados. Na Universidade Federal do Ceará (UFC), Psicologia teve 47 candidatos por vaga no Sisu 2025, contra 36,7 em Medicina. E não foi um ponto fora da curva. É o segundo ano seguido em que isso acontece por lá. Uma corrida por vagas que se espalha pelo país Na USP, Psicologia é o segundo curso mais concorrido da Fuvest 2027, com 50,9 candidatos por vaga no campus da capital. Só fica atrás de Medicina, que somou 76,3 candidatos por vaga considerando os três campi. O detalhe que chama atenção é outro. Psicologia é o único curso que aparece duas vezes no top 3, com o campus de Ribeirão Preto ocupando o terceiro lugar. O movimento também aparece no Sisu 2026, em que Psicologia foi o curso mais disputado em cinco estados, segundo dados do MEC. E a base não para de crescer. O Brasil registrou 375,6 mil matrículas em cursos de Psicologia em 2024, de acordo com o Censo da Educação Superior do Inep. Mais alunos, mas que tipo de psicólogo? Com a procura em alta, a pergunta que importa muda de lugar. Não é mais quantos psicólogos o país vai formar, e sim como eles chegam ao mercado. Segundo o CensoPsi, levantamento do Conselho Federal de Psicologia com mais de 20 mil profissionais, 73% atuam com atendimento clínico e 59% trabalham em mais de uma área. Isso significa que a escuta, a avaliação e a condução de atendimentos são o coração da profissão. E é justamente aí que muitos cursos ainda tropeçam, com pouca prática supervisionada e muita teoria descolada do consultório. Uma reportagem do The University Journal mostra como as instituições estão lidando com esse crescimento e quais são os gargalos na formação. A aposta da APSY em formação prática Um dos sinais mais claros dessa transformação é a APSY, escola de Psicologia criada pela Artmed. A primeira turma de graduação presencial começa em fevereiro de 2027, na Vila Olímpia, em São Paulo, com 75 vagas e mensalidade de referência de R$ 6.700. O modelo coloca prática deliberada do primeiro ao oitavo semestre, estágios a partir do quarto semestre e supervisão clínica estruturada ao longo de todo o curso. A seleção também foge do vestibular tradicional. Ela combina histórico escolar, carta de recomendação, vídeo de apresentação, prova própria ou exames como SAT, IB e AP, redação obrigatória e duas entrevistas individuais. A inteligência artificial entra na análise da redação e na simulação de entrevista, mas a decisão final é sempre de um avaliador humano. Para a diretora científica Adriane Kiperman, o desafio é formar profissionais capazes de lidar com situações complexas e trabalhar com evidências, e não apenas transmitir teoria. A corrida por uma vaga em Psicologia revela uma mudança maior. A saúde mental saiu da coxia e entrou no centro do palco, e o mercado que forma esses profissionais está sendo obrigado a se reinventar. O psicólogo do futuro é menos teórico de sala de aula e mais clínico preparado desde o primeiro semestre. Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar?A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
A Garmin acaba de mostrar que o pulso ainda é um dos territórios mais lucrativos do bem-estar. A receita da área de fitness subiu 16% no terceiro trimestre e chegou a US$ 694 milhões. O lucro operacional do segmento foi de US$ 231 milhões, com margem de 33%. Fitness já responde por 35% de tudo o que a empresa fatura. Cirqa, a pulseira que desafia a lógica da assinatura O destaque do trimestre tem nome. A Cirqa, pulseira sem tela de US$ 199,99 lançada em julho, mede saúde, recuperação e treino. As funções básicas não exigem assinatura. Já os recursos avançados de inteligência artificial ficam no plano pago Connect+. A Garmin não abriu os números de vendas da Cirqa, mas a pulseira esgotou logo após o lançamento. Na teleconferência com investidores, o CEO Cliff Pemble afirmou que a demanda inicial foi muito forte e que a empresa ainda corre atrás para atender os pedidos. Pagar uma vez ou pagar todo mês? A concorrente direta da Cirqa é a Whoop, que funciona com assinatura mensal. E aqui está o centro da disputa. A Garmin aposta num modelo híbrido, em que você compra o aparelho e decide se quer pagar pelo extra. A Whoop aposta na recorrência desde o primeiro dia. Para o consumidor, é a diferença entre um produto e um serviço. Para as empresas, é a diferença entre receita pontual e receita previsível. A Garmin também não está parada no software. Em julho, comprou as plataformas de treino TrainingPeaks e TrainHeroic, referências em planejamento de endurance e de força para atletas e treinadores. Com isso, a empresa deixa de apenas registrar o treino e passa a participar de como ele é planejado e acompanhado. É o ecossistema ganhando camadas. Recorde no caixa, cautela no mercado A receita total da companhia foi recorde, de US$ 1,99 bilhão, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. A previsão para 2026 subiu para US$ 8,15 bilhões. Mesmo assim, as ações caíram cerca de 6% após o resultado. Parte da margem do trimestre veio de fatores pontuais, como US$ 33 milhões em reembolsos de tarifas, e investidores temem pressão nas margens nos próximos trimestres. A briga dos wearables deixou de ser só sobre sensor e bateria. O jogo agora é de modelo de negócio, e quem acertar a fórmula entre hardware, dados e assinatura vai definir como o mundo paga para cuidar da própria saúde. Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar?A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
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