Por que a maior plataforma de infoprodutos do mundo está entrando no mercado de suplementação — e o que isso significa para médicos, nutricionistas e criadores de conteúdo. Na tarde desta segunda-feira, 31 de março de 2026, a Hotmart anunciou oficialmente uma vertical dedicada à venda de suplementos alimentares com marca própria para seus criadores de conteúdo. Não é um recurso lateral. É uma vertical sendo ativamente promovida pela maior plataforma de produtos digitais do mundo. Não é uma notícia pequena. É um movimento estratégico da maior plataforma de produtos digitais do mundo — uma empresa que já processou mais de US$ 10 bilhões em vendas, atende mais de 250 mil criadores ativos em 188 países, é líder do ranking GSV 150 em Creator Economy e gerou, segundo estudo da FGV, mais de 300 mil postos de trabalho só no Brasil. Estamos falando da líder global do segmento entrando, de forma deliberada e estruturada, em um dos mercados que mais cresce no país. E o mais interessante: ela não está entrando para competir com a Growth, com a Max Titanium ou com a DUX. Ela está entrando para empoderar quem já tem audiência — e transformar criadores de conteúdo em marcas de suplementos. Quem é a Hotmart, afinal? Para quem ainda não conhece, a Hotmart nasceu em 2011 em Belo Horizonte, fundada por João Pedro Resende e Mateus Bicalho. Eles não conseguiam vender um simples e-book sobre tráfego pago e criaram uma plataforma para resolver isso. No primeiro mês, faturaram R$ 182. Quatorze anos depois, a empresa é um unicórnio avaliado em mais de US$ 1 bilhão, líder global em vendas de produtos digitais e físicos para criadores de conteúdo, com investidores como TCV (o mesmo fundo por trás de Netflix e Spotify), GIC (fundo soberano de Singapura) e General Atlantic. O grupo Hotmart Company — que inclui a Hotmart, a Teachable (adquirida por cerca de US$ 250 milhões), a eNotas e a startup de IA Reshape — se posiciona como o maior ecossistema de creator economy do mundo em volume de vendas processadas. A plataforma cobra cerca de 9,9% + R$ 1 por transação. São mais de 500 mil produtos cadastrados, mais de 35 milhões de usuários e 25 milhões de brasileiros que já compraram algum produto digital pela Hotmart — quase 1 em cada 5 adultos economicamente ativos do país. Pelo quarto ano consecutivo, a empresa figurou no ranking GSV 150 como líder de Creator Economy entre as empresas de maior crescimento em aprendizado digital do mundo. A empresa chegou a contratar Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley para um IPO na Nasdaq, que acabou sendo adiado por condições de mercado. Em resumo: a Hotmart não é uma plataforma de cursinhos online. É a maior infraestrutura de negócios para a creator economy do planeta. O mercado de suplementos no Brasil: R$ 10 bilhões e crescendo Para entender por que a Hotmart está de olho nesse mercado, é preciso olhar os números. O mercado global de suplementos alimentares vale entre US$ 195 e US$ 210 bilhões em 2025, com crescimento anual de 8 a 9%. O Brasil ocupa uma posição única nesse cenário: é o 5º maior mercado de suplementos esportivos do mundo, o 4º em consumo de whey protein e o 3º em consumo de creatina. Dependendo da fonte e do escopo, o mercado brasileiro de suplementos vale entre R$ 6,4 bilhões e R$ 10 bilhões por ano — crescendo consistentemente acima da média global. Só nos dois primeiros meses de 2025, as vendas de suplementos subiram 41% em volume e 32% em receita comparado ao mesmo período do ano anterior. Outros dados que contextualizam o tamanho da oportunidade: O Brasil é o 2º maior mercado fitness do mundo em número de estabelecimentos, com cerca de 57 mil academias — o dobro de cinco anos atrás — e apenas 7% de penetração de matrículas (contra 25% nos EUA). O gasto com suplementos cresceu 35,4% em 2023, superando o crescimento de matrículas em academias (27,7%). E 59% dos lares brasileiros já têm pelo menos um consumidor de suplementos — eram 49% em 2015. As empresas que dominam esse mercado são máquinas de faturamento. A Growth Supplements lidera com estimados R$ 2 bilhões+ em receita em 2025, construída inteiramente em D2C digital com taxa de recompra de 70%. O Grupo BRG (Integralmédica, Darkness, Nutrify) bateu R$ 1,25 bilhão em 2024. A Supley (Max Titanium, Probiótica, Dr. Peanut) chegou a quase R$ 1 bilhão em 2023 e mira um IPO. A DUX recebeu R$ 250 milhões da XP Private Equity. Entre 2023 e 2025, o setor registrou mais de 20 transações de M&A — incluindo a aquisição da Puravida pela Nestlé e a entrada de players internacionais como MuscleTech na manufatura local. Esse não é mais um mercado de nicho. É uma indústria bilionária com tração de venture capital, private equity e grandes conglomerados. O que a Hotmart realmente anunciou E aqui é onde a coisa fica séria. A Hotmart não apenas “permite” vender suplementos como produto físico. Ela criou uma vertical específica voltada exclusivamente para criadores que querem vender suplementos com a própria marca. Leia de novo: com a sua marca. Isso não é um feature secundário escondido nas configurações. É uma frente de negócio sendo ativamente promovida pela plataforma. A Central de Ajuda da Hotmart lista textualmente “suplementos alimentares” como categoria de produto físico. O blog oficial detalha como criadores podem usar Order Bumps, Funis de Venda e Club Ads para fazer cross-sell de suplementos junto com cursos digitais. E a plataforma conecta criadores a parceiros de produção sob demanda — você só paga pela fabricação dos itens que vender. A expansão para produtos físicos começou em março de 2024, com parceria com os Correios para logística, UICLAP para livros sob demanda e Reserva INK/Montink para camisetas. No Hotmart FIRE 2025 — evento que reuniu 10 mil pessoas de 26 países em Belo Horizonte —, a empresa apresentou agentes de IA para vendas, conversão de e-books em livros
Cozinhar em casa pode ganhar uma nova camada de engajamento a Linecook lançou um aplicativo que transforma a cozinha em uma experiência social conectada e com lógica de progresso parecido com o que já acontece no fitness A proposta é simples você cozinha registra e compartilha mas sem fricção em vez de digitar receitas manualmente a plataforma usa IA para analisar fotos dos ingredientes do preparo e do prato final e a partir disso organiza tudo em uma receita estruturada que já vira conteúdo dentro da rede Isso transforma cada refeição em um registro de evolução e também em um ponto de conexão com outras pessoas que estão fazendo o mesmo Os fundadores já passaram pelo universo de apps de saúde e performance e carregam essa lógica para a culinária a ideia é aplicar elementos que funcionam no fitness como tracking comunidade e desafio dentro de um hábito que já faz parte da rotina de muita gente Com isso cozinhar deixa de ser uma tarefa isolada e passa a ser uma atividade compartilhada com estímulos constantes Por que isso faz sentido agora Existe um movimento crescente de pessoas voltando a cozinhar em casa seja por saúde custo ou estilo de vida e estudos já mostram que quem cozinha mais tende a ter uma alimentação melhor no longo prazo Ao mesmo tempo a gamificação de hábitos saudáveis vem ganhando espaço e o Linecook junta esses dois mundos colocando estrutura e motivação em algo que antes dependia só de disciplina O app também aposta em desafios sociais etiquetas nutricionais e planejamento alimentar criando um ambiente onde as pessoas não apenas cozinham mas evoluem juntas Essa dinâmica gera consistência porque transforma o hábito em algo visível mensurável e compartilhado O lançamento vem acompanhado de investimento e apoio de nomes relevantes do ecossistema de saúde e tecnologia mostrando que existe uma aposta real nesse espaço No fim a proposta é clara se o fitness virou social a alimentação pode seguir o mesmo caminho Cozinhar deixa de ser só rotina e passa a ser também identidade
A ideia de que corrida faz bem não é nova mas o que chama atenção agora é o tamanho do impacto um conjunto robusto de estudos mostrou que correr pode aumentar a expectativa de vida em cerca de três anos e o mais interessante é que esse benefício aparece mesmo com volumes baixos de treino Pesquisadores analisaram dados de mais de 55 mil pessoas acompanhadas por mais de 15 anos e encontraram uma redução de 45 por cento no risco de morte por doenças cardiovasculares e cerca de 30 por cento no risco de morte por qualquer causa em quem corria E não estamos falando de treinos longos ou intensos o benefício apareceu até em pessoas que corriam de cinco a dez minutos por dia em ritmo leve o suficiente para caber em qualquer rotina Além da proteção cardiovascular a corrida também foi associada a menor risco de desenvolver doenças como câncer e condições neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson o que reforça que o impacto vai muito além do condicionamento físico O que mais chama atenção? Talvez o dado mais forte seja a relação entre tempo investido e retorno para cada hora de corrida estima se um ganho médio de sete horas de vida ao longo do tempo Isso muda a lógica tradicional de treino não é preciso volume alto para ter benefício consistência passa a ser o principal fator Apesar do foco na corrida os pesquisadores também analisaram outras atividades cardiovasculares como caminhada e ciclismo os resultados seguem na mesma direção movimento regular reduz risco e melhora longevidade mas a corrida se destaca pelo impacto mesmo em pequenas doses Existe limite Uma das dúvidas era se correr demais poderia anular os benefícios a resposta não é totalmente fechada mas o consenso atual aponta que volumes moderados já entregam grande parte dos ganhos sem necessidade de extremos No fim a mensagem é simples longevidade não depende de grandes mudanças mas de consistência pequenas doses de movimento repetidas ao longo do tempo têm um efeito acumulado enorme Correr deixa de ser só performance e passa a ser uma das ferramentas mais acessíveis para viver mais e melhor
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