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Entre competir e sentir, o crescimento dos esportes outdoor

Tem uma cena que fica na cabeça. Eram seis da manhã, subida íngreme, trilha de terra vermelha molhada. Do meu lado, uma mulher de uns cinquenta anos, passo firme, olhar na vista. Na frente, um cara com dois relógios no pulso, calculando pace em voz alta pra ninguém. Os dois estavam no mesmo lugar. Fazendo a mesma prova. Por motivos completamente diferentes. Esse contraste diz muito sobre o que está acontecendo com os esportes outdoor agora. Nos últimos anos, corrida de trilha, trekking, triatlon e provas em ambientes naturais saíram do nicho aventureiro e viraram fenômeno de comportamento. No Brasil, inscrições em trail run cresceram de forma consistente mesmo depois da pandemia. Globalmente, o mercado de outdoor sports não para de expandir. Mas o dado mais interessante não é o número de participantes. É o porquê eles foram. Durante anos, esporte foi quase sinônimo de resultado estético, comparação, vitrine. E o outdoor foi onde muita gente encontrou uma saída disso. Quando você está numa trilha, a pergunta muda: você consegue subir isso? Você aguenta o calor, o terreno irregular, a falta de controle? Não tem espelho. Não tem luz favorável. Tem você e o ambiente. Performance, aqui, deixa de ser aparência e passa a ser capacidade de se adaptar. Você não controla a montanha. Você aprende a se mover dentro dela. E é nessa adaptação que algo importante acontece. Há pesquisas consistentes mostrando que atividade física em ambientes naturais reduz marcadores de estresse e melhora indicadores de humor de forma mais significativa do que o mesmo esforço em ambientes fechados. Não é misticismo. É que o ambiente irregular, imprevisível e sem notificação nenhuma obriga o sistema nervoso a estar presente. E esse estado, que a gente raramente acessa no cotidiano urbano, é onde boa parte da regulação emocional acontece. Voltando àquela cena da trilha. O cara dos relógios e a mulher do olhar tranquilo: os dois estão certos. O esporte outdoor tem esse efeito, ele comporta os dois perfis sem precisar escolher. Quem quer bater tempo vai encontrar um desafio que nenhuma esteira simula. Terreno que muda, calor que não dá pra regular, uma leitura de situação que só se constrói na prática. Quem quer se conectar vai encontrar silêncio, presença, a sensação de que o corpo serve pra algo além de aparecer bem numa foto. Nem todo mundo que corre quer ganhar. Alguns só querem sentir. Eu aprendi isso na prática. Viajo muito, e o esporte se tornou a forma que encontrei de conhecer os lugares com o corpo, não como observador. Uma trilha entrega uma cidade, uma praia, uma floresta de um jeito que nenhum roteiro turístico consegue. O lugar vira parte do treino. O treino vira parte da experiência. E você sai de lá tendo feito as duas coisas ao mesmo tempo, sem precisar escolher entre mover e descobrir. Esse crescimento não é tendência passageira. É um sinal de que as pessoas estão buscando performance com contexto. Um esporte que caiba na vida real, com desconforto mais real, e que devolva algo além de um número na tela. A natureza não adapta o ambiente pra você. E parece que muita gente estava precisando exatamente disso. Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Crise do whey: o queridinho do wellness está em falta e deve dobrar o preço

O whey protein se tornou protagonista do mercado de alimentos funcionais nos últimos meses a demanda recorde por barras shakes snacks e até produtos como waffles e cafés da Starbucks fez com que fabricantes enfrentassem escassez e disparada de preços forçando algumas empresas a pausar produção ou reformular receitas com alternativas de proteína Estoques esgotados e aumento de custos No início de maio a HelloAmino no Canadá ficou sem whey protein para suas 30 misturas de panificação a solução foi importar whey isolado dos EUA com custo 50% mais alto e alterações no processamento que afetaram a textura dos produtos as panquecas, por exemplo, saíram ressecadas exigindo reformulação Impacto global No Reino Unido empresas como a David e a Vitalura Labs também enfrentaram alta de preços e falta de estoque a Vitalura viu o preço do whey isolado subir mais de 300% desde 2023 e precisou interromper vendas temporariamente enquanto absorvia custos de forma parcial Alternativas à base vegetal e blends Com a escassez muitas marcas começaram a testar concentrado de proteína do leite blends de ervilha sementes de abóbora e arroz integral embora esses substitutos alterem textura e sabor eles ajudam a manter a operação em funcionamento enquanto o mercado de whey permanece pressionado Cadeia de produção limitada O whey é um subproduto da fabricação de queijo não é possível aumentar produção de forma imediata durante o processo o leite é separado em coalhada e soro que depois é pasteurizado e transformado em pó proteico isso limita oferta e cria volatilidade de preço Preços e mercado Atualmente o preço médio de produtos com whey subiu cerca de 32% em quatro anos e ofertas de concentrado de alto teor proteico tiveram aumento de mais de 40% nos últimos meses fornecedores agora exigem relacionamento estabelecido com compradores e muitas empresas estão aceitando pagar o preço que o mercado determina apenas para garantir estoque Consequências para os consumidores Enquanto a demanda segue alta os consumidores podem começar a sentir aumento de preço em barras shakes e outros snacks enriquecidos com proteína de soro de leite marcas que migraram para proteínas vegetais ou outros blends conseguem manter oferta mas com mudanças sensoriais Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Amazfit anuncia 2 novos relógios focados no treino híbrido e no Hyrox

A Amazfit, marca da Zepp Health, acaba de lançar seus novos smartwatches, o Balance 3 e o Balance Ultra, e o recado é claro: a marca quer dominar o pulso dos “atletas híbridos”. O lançamento, que aconteceu em Nova York, mira diretamente em quem mistura corrida, treino de força, yoga e outras modalidades em uma rotina fitness multifacetada. O que esses relógios têm de especial? O Balance Ultra é o modelo carro-chefe, robusto e pensado para o dia a dia e treinos intensos, enquanto o Balance 3 tem um formato menor, mas com a mesma pegada de desempenho. A grande sacada é a tecnologia HybridCharge, uma evolução que monitora energia corporal, recuperação, estresse e carga de treino para otimização dos resultados. Com 180 perfis de treino e uma parceria estratégica com a Hyrox, os relógios oferecem planos específicos e análises pós-evento, fortalecendo o vínculo com o público do fitness competitivo. E como fica a briga com Apple e Garmin? Num mercado com gigantes consolidados, a estratégia da Amazfit é focada e agressiva. O principal diferencial competitivo é a bateria: os modelos Balance prometem de 21 a 30 dias de autonomia, superando com folgas concorrentes como o Apple Watch e o Samsung Galaxy Watch, que mal passam de dois dias. O hardware também impressiona, com tela AMOLED super brilhante, GPS de banda dupla e materiais premium, como o titânio no modelo Ultra. Embora ainda tenha um ecossistema de aplicativos mais limitado, a marca aposta na forte relação custo-benefício para ganhar espaço. O que isso diz sobre o futuro do bem-estar? O movimento da Amazfit reflete uma tendência clara: o consumidor moderno busca soluções integradas e personalizadas. O mercado de smartwatches híbridos, embora ainda um nicho, está projetado para movimentar mais de US$ 14 bilhões até 2025. A demanda por gadgets que transformam dados fisiológicos em insights práticos está impulsionando a inovação. Como destacou o CEO da Zepp Health, Wayne Huang, o objetivo é entregar um sistema que ajude os usuários a gerenciar o esforço e entender sua capacidade física de forma mais inteligente. A lição é que, no jogo do bem-estar, vence quem combina tecnologia, segmentação e uma profunda compreensão do estilo de vida do consumidor. Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/