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Brasil e União Europeia selam parceria para revolucionar nutrição animal

Parece pauta de agronegócio distante do universo do bem-estar. Não é. O Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal e a Federação Europeia dos Fabricantes de Alimentos para Animais assinaram um memorando de entendimento para alinhar os dois mercados em segurança de alimentos para animais, saúde e bem-estar animal, biossegurança, sustentabilidade e normas internacionais. Na prática, os dois blocos vão trocar conhecimento sobre aprovação de insumos, rotulagem e limites máximos de resíduos naquilo que alimenta frango, porco, peixe e gado. Por que o começo da cadeia decide o fim dela Tudo o que entra na ração acaba, de um jeito ou de outro, no ovo, no filé e no leite que o seu consumidor compra achando que está fazendo uma escolha saudável. Resíduo de antimicrobiano, origem do farelo, pegada ambiental do insumo. Esses três itens deixaram de ser assunto técnico e viraram argumento de prateleira. O comprador de proteína animal premium hoje pergunta de onde vem, o que o animal comeu e como ele viveu, e a resposta a essas perguntas nasce lá atrás, na fábrica de ração. Alinhar padrão regulatório entre Brasil e União Europeia significa que o mesmo lote pode circular nos dois mercados sem retrabalho. Menos incerteza, menos custo de conformidade, mais previsibilidade para quem exporta. O timing não é acidente O acordo foi discutido durante a 19ª Reunião Internacional de Autoridades Reguladoras de Alimentação Animal, organizada pela federação internacional do setor em cooperação com a FAO, e assinado na sede do Sindirações, em São Paulo. O pano de fundo é o acordo entre União Europeia e Mercosul, que entrou em aplicação provisória em 1º de maio de 2026. As entidades também pretendem atuar juntas em fóruns como Codex Alimentarius, Organização Mundial de Saúde Animal e Organização Mundial do Comércio, para empurrar padrões internacionais baseados em ciência. Vale entender o peso de quem senta nessa mesa. O Sindirações foi fundado em 1953 e reúne cerca de 140 associados que representam aproximadamente 90% do mercado nacional de produtos destinados à alimentação animal. Quando essa entidade harmoniza regra com a Europa, ela está definindo o padrão que a cadeia brasileira inteira vai seguir. A leitura de negócio para quem está fora do agro Se você vende alimento funcional, proteína, suplemento ou serviço de nutrição, essa notícia é sobre o seu custo de insumo e sobre a sua história de marca. Regra alinhada abre porta para farelo, grão, oleaginosa, coproduto e aditivo circularem com menos atrito entre os continentes. Isso pressiona preço e amplia oferta. Ao mesmo tempo, padrão europeu tende a puxar a régua de rastreabilidade para cima, o que favorece quem já sabe contar de onde vem cada ingrediente e prejudica quem não sabe. Bem-estar deixou de terminar no rótulo e passou a começar na ração. A empresa que enxergar a cadeia inteira, do insumo animal ao produto final, vai contar uma história que o concorrente simplesmente não consegue provar. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Campeonato de lutas chega ao maior evento fitness de SC e atrai 2,5 mil pessoas

Esqueça a ideia de que campeonato de fisiculturismo é só palco, bronze e pose. No dia 5 de setembro, em Camboriú, o Sardinha Classic estreia dentro da própria programação um campeonato de lutas, o H2H Head2Head Grappling, criado em parceria com a Federação Catarinense de Jiu-Jitsu. A expectativa é de 500 atletas de fisiculturismo, 2,5 mil pessoas circulando e cerca de 35 marcas expositoras na feira. Duas tribos que treinam pesado, consomem suplemento e seguem protocolo, colocadas debaixo do mesmo teto no mesmo dia. O formato foi desenhado para gerar conteúdo, não só resultado O H2H não usa chave tradicional. Os confrontos são previamente definidos, com adversários selecionados por critérios técnicos para produzir lutas equilibradas, do infantil ao adulto, com predominância do no-gi, a modalidade sem quimono. Algumas disputas com quimono também devem entrar nesta primeira edição. Quem acompanha o mercado de esporte de combate reconhece o movimento na hora. É a lógica do superfight, a mesma que fez o grappling profissional crescer nos últimos anos. Chave grande gera muita luta e pouca história. Confronto casado gera narrativa, corte de vídeo e nome para o público lembrar. Segundo Emerson Alberton, CEO da SC Fitness, a proposta é abrir espaço para novos atletas e usar a estrutura de um grande evento para dar visibilidade a esses competidores. Ou seja, o jiu-jítsu entra pegando carona numa audiência já formada, e o fisiculturismo ganha um motivo a mais para o público ficar no ginásio entre uma categoria e outra. Evento fitness virou plataforma de mídia e de negócio O detalhe que interessa a quem vende no setor está na feira. São 35 expositores disputando a atenção de um público que já chegou ali disposto a gastar com performance. A SC Fitness organiza também o Eduardo Corrêa Classic e trabalha com competições qualificatórias reconhecidas pela NPC Worldwide, a principal federação internacional da modalidade. Isso muda a natureza do ativo. Não é um evento isolado, é calendário. E calendário permite contrato anual de patrocínio, base de dados de atleta, recorrência de expositor e previsibilidade de receita. Adicionar uma modalidade nova é a forma mais barata de ampliar o público sem construir um evento do zero. O custo marginal é baixo, a estrutura já está montada, e cada tribo nova traz consigo suas marcas, seus times e sua própria audiência. O bem-estar deixou de ser vendido por modalidade e passou a ser vendido por identidade. Quem entende que o mesmo consumidor treina força, luta, corre e mede sono está montando ecossistema, e quem continua organizando eventos de nicho isolado está apenas dividindo a própria plateia. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Nestlé aposta em inteligência artificial para conquistar o mercado de nutrição GLP-1*

Culpar o Ozempic pela queda no consumo de alimentos embalados é simplificar demais o jogo. A Nestlé acaba de mostrar a jogada oposta. A companhia está usando inteligência artificial e ciência nutricional para desenhar produtos feitos especificamente para quem toma medicamentos GLP-1, e o motor disso é uma plataforma interna chamada Food Genie, que cruza cerca de 120 mil receitas do banco de dados da empresa com pesquisa clínica para prever como uma formulação vai se comportar antes de existir. Cerca de 16 milhões de americanos usam esses remédios hoje, número que deve crescer até o fim da década. O ativo escondido não é a IA, é o banco de receitas O diretor de tecnologia da Nestlé, Stefan Palzer, deu a chave dessa história ao comentar o tamanho do acervo. Uma empresa pequena tem mil receitas. A Nestlé tem 120 mil. Modelo de IA é commodity, qualquer um compra. Dado proprietário acumulado por décadas não. É isso que transforma a mesma tecnologia disponível para todos numa vantagem competitiva real, porque a qualidade da previsão depende diretamente do volume de dados que alimenta o sistema. A empresa não parou aí. Também testa simulações de reação do consumidor para avaliar produtos e alegações de saúde antes de chegarem à prateleira, e usa IA para varrer redes sociais separando barulho passageiro de tendência que vai durar. Traduzindo, a Nestlé está encurtando o ciclo entre hipótese e lançamento num mercado onde chegar seis meses antes vale mais do que chegar melhor. Vender menos comida, mais cara A ansiedade do setor era simples. Se milhões de pessoas passam a comer menos, quem vive de volume perde. Investidores olharam para snacks, bebidas e congelados e viram uma conta encolhendo. A Nestlé virou a equação. Se o consumidor vai comer menos, a disputa passa a ser por uma fatia maior daquilo que ele ainda come. Nos Estados Unidos, quem usa GLP-1 consome cerca de 40% mais proteína e 30% mais fibra. Menos volume, mais densidade nutricional, ticket mais alto. O portfólio já reflete isso. O Boost Advanced Nutrition Shake, com 35 gramas de proteína, mira a preservação de massa muscular durante a perda de peso. Na Ásia e na Austrália saiu o Milo PRO High Protein. A empresa também adicionou colágeno a produtos da Vital Proteins e identificou uma combinação de dois micronutrientes que estimula o crescimento de tecido muscular quando somada à proteína. A categoria que nasceu do efeito colateral Aqui está o insight mais valioso para quem opera bem-estar. O produto não é o emagrecimento. O produto é o conjunto de problemas que o emagrecimento rápido cria. Perda de massa magra, perda de gordura facial, deficiência nutricional, hidratação comprometida. Cada um desses é uma linha de receita. A Nestlé chegou a patentear formulações para ajudar a controlar o aumento do apetite em quem para de usar a medicação, o que significa apostar até no fim do tratamento como oportunidade comercial. Nem todo mundo compra a tese. Parte dos nutricionistas argumenta que proteína e micronutrientes já estão disponíveis em ovo, laticínio, feijão e peixe, e que boa parte disso é marca, não ciência. A crítica é justa e vai definir quem constrói autoridade real nessa categoria e quem só troca o rótulo. O GLP-1 pode se tornar o descritor comercial mais importante da próxima década, e ele nem precisa aparecer na embalagem. Basta a porção menor, a densidade maior e a promessa de manter músculo. A categoria criada por um medicamento tende a ficar bem maior que o próprio medicamento, transformando a forma como a indústria de alimentos define o que é um produto de valor. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

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