O portal de notícias sobre o
ecossistema do bem-estar e
da wellness economy no Brasil.

Agora

Agonorexia, o efeito colateral das canetas que pode passar despercebido

Veja mais

Nobel de Medicina 2026 premia a técnica que liga e desliga o cérebro com luz

Imagine apertar um interruptor e acender, por milésimos de segundo, um grupo específico de neurônios. Foi essa ideia, que parecia ficção científica, que levou o Nobel de Medicina 2026. O prêmio foi para a optogenética, uma técnica que usa luz para ligar e desligar células do cérebro. Os vencedores são o americano Karl Deisseroth, da Universidade Stanford, e os alemães Peter Hegemann, da Universidade Humboldt de Berlim, e Georg Nagel, da Universidade de Würzburg. O anúncio foi feito em 5 de outubro. Tudo começou com uma alga A história nasce longe do cérebro. No início dos anos 2000, Hegemann e Nagel descobriram por que uma alga de uma única célula nadava em direção à luz. A alga é a Chlamydomonas, e a resposta estava numa proteína, a canalrodopsina. Ela funciona como uma porta na membrana da célula que se abre quando recebe luz. Em 2003, os pesquisadores mostraram que essa proteína também funcionava em células de mamíferos. Um interruptor para os neurônios Em 2005, Deisseroth deu o salto decisivo. Ele colocou o gene da canalrodopsina em neurônios, que passaram a responder à luz. Sua equipe também descobriu como levar pulsos de luz ao cérebro de camundongos vivos usando uma fibra óptica longa e flexível. Com isso, ficou possível ativar ou inibir tipos específicos de neurônios em milissegundos. O impacto foi enorme. Cientistas mapearam em animais os circuitos de memória, sono, movimento e emoções. Em camundongos, conseguiram reativar uma memória de medo só iluminando as células que a guardavam. A grande contribuição da optogenética foi provar relações de causa e efeito dentro dos circuitos cerebrais. Do laboratório para a clínica? A técnica ainda é usada principalmente em laboratório. Em humanos, está em testes iniciais para devolver parte da visão a pessoas com doenças na retina. Também é estudada contra Parkinson e epilepsia. Não por acaso, Deisseroth é professor de bioengenharia e de psiquiatria em Stanford. A ponte entre a ferramenta de pesquisa e o consultório passa justamente pela saúde mental e neurológica. Para o mercado de saúde, o recado é estratégico. A saúde do cérebro vem se firmando como uma das grandes fronteiras da longevidade, e cada circuito decifrado abre espaço para tratamentos mais precisos e personalizados. Antes, os cientistas só conseguiam observar o cérebro. Com a luz, passaram a testar o que cada circuito faz. É a prova de que entender a mente deixou de ser só observação e virou intervenção, abrindo caminho para uma medicina do cérebro muito mais precisa. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Testosterona baixa? Antes de repor, dê uma olhada em como você está dormindo

Vou contar uma cena que se repete com frequência nos consultórios. Um homem de 40, 50, 60 anos chega cansado. Ganhou peso, perdeu disposição, está dormindo mal, não consegue treinar como antes e percebeu redução da libido. Faz alguns exames e a testosterona vem baixa. E aparece uma conclusão aparentemente simples: “É a idade. Precisa repor.” O sono entra no jogo antes da receita Só que existe uma pergunta que nem sempre é feita antes: Como esse homem está dormindo? Essa pergunta é muito mais importante do que parece. Cansaço, baixa disposição, alterações de humor, ganho de peso, dificuldades sexuais e sono ruim não pertencem exclusivamente ao território da testosterona. Podem existir diferentes explicações e mais de uma delas pode estar presente ao mesmo tempo. Entre elas, algumas merecem atenção especial: sono insuficiente, sono fragmentado e distúrbios do sono, como a apneia obstrutiva do sono. A relação entre testosterona e problemas do sono é mais complexa do que simplesmente dizer que uma causa a outra. Mas existe um dado que chama atenção. A testosterona pode piorar a apneia em alguns homens, particularmente quando ela é grave e não está tratada. E isso deveria nos fazer pensar. Problemas que se sobrepõem Existe ainda outra questão: o problema pode começar antes da testosterona. Talvez aquele homem não esteja apenas com testosterona baixa e, por coincidência, tenha apneia. Talvez estejamos diante de problemas que se relacionam: obesidade, fragmentação do sono, quedas repetidas de oxigenação, alterações metabólicas, redução da atividade física e outras condições que frequentemente se sobrepõem. É por isso que gosto cada vez menos de uma medicina excessivamente fragmentada, que tenta colocar cada sintoma dentro de uma única gaveta, numa lógica que tomou conta do inconsciente coletivo contemporâneo: um homem está cansado, mede testosterona, e se acha que está baixa, repõe testosterona. Mas quem perguntou sobre o sono? Dorme, habitualmente entre sete e nove horas? Tem ronco? Já foram percebidas pausas na respiração? Acorda várias vezes? Tem sono não reparador? Acorda cansado mesmo depois de sete ou oito horas na cama? Sente sonolência durante o dia? Porque pode existir uma doença acontecendo durante algumas horas, todas as noites, sem que ele saiba. Um número no exame não fecha o diagnóstico Encontrar uma testosterona baixa em um exame não significa automaticamente que aquele homem tenha indicação de reposição. O diagnóstico de hipogonadismo exige contexto clínico, sintomas e sinais compatíveis e níveis de testosterona inequivocamente e consistentemente baixos, adequadamente confirmados. Depois disso, ainda precisamos procurar a causa. Parece um detalhe técnico, mas não é. Porque estamos falando de sintomas extremamente inespecíficos: cansaço, energia baixa, redução da libido, alterações de humor, piora da composição corporal, sono ruim. Tudo isso pode aparecer no hipogonadismo. Mas também pode aparecer na obesidade, na privação crônica de sono, na apneia do sono, na depressão, no sedentarismo, como efeito de medicamentos e em diversas outras condições. E muitas vezes elas coexistem. Então vamos voltar àquele paciente. Ele tem 47 anos, ganhou peso nos últimos anos, está cansado, não consegue treinar como antes, a libido caiu e acha que dorme mal. A testosterona veio baixa. É tentador colocar todas essas informações dentro de uma única caixa e escrever do lado de fora: “Falta testosterona.” Agora acrescente mais três informações. Ele ronca há dez anos, a esposa já percebeu que algumas vezes ele para de respirar enquanto dorme e ele acorda cansado praticamente todas as manhãs. A história mudou? Para mim, mudou completamente. Porque ao invés de perguntar: “Quanto está sua testosterona?” Que tal perguntar: “o que acontece com você enquanto está dormindo?” Reposição, abuso e o que dizem as diretrizes Minha discussão aqui não é contra a testosterona. É contra simplificar uma pessoa complexa a um número em um exame laboratorial, sem um contexto. Testosterona prescrita em doses fisiológicas para um homem com hipogonadismo adequadamente diagnosticado é tratamento médico. E faço questão dessa distinção porque vivemos um fenômeno preocupante: o uso de testosterona e outros esteroides anabolizantes em doses suprafisiológicas para ganho de massa muscular, estética ou desempenho é outra situação. Não devemos colocar as duas coisas na mesma caixa. O abuso de andrógenos está associado a importantes riscos cardiovasculares, hematológicos, reprodutivos, endócrinos e neuropsiquiátricos, entre outros. Reposição é uma coisa. Abuso é outra. Aqui precisamos ter bastante cuidado com as palavras até porque pode ser a informação mais importante que poucos falam. A recomendação das sociedades médicas não impede automaticamente o uso de testosterona em todo homem com apneia do sono. A Endocrine Society, em diretriz copatrocinada pela European Society of Endocrinology e endossada pela European Academy of Andrology, recomenda não iniciar testosterona em homens com apneia obstrutiva do sono grave e não tratada. No Brasil, um posicionamento conjunto de 2026 afirma que a testosterona pode piorar a apneia, especialmente nesses casos. Porém, em homens com apneia leve a moderada ou adequadamente tratada, a reposição pode ser considerada com monitorização adequada. Portanto, não se trata de demonizar a testosterona nem de ignorar a apneia: é preciso confirmar a indicação, tratar a apneia quando presente e acompanhar o paciente como um todo. Não tratamos apenas um número no exame. Tratamos uma pessoa. Se você tem 40, 50, 60 anos, ganhou peso, perdeu disposição, percebeu redução da libido e descobriu que sua testosterona está baixa, converse com seu médico. Investigue adequadamente se existe hipogonadismo. E lembre sempre de avaliar como está seu sono. Talvez exista algo acontecendo por seis, sete ou oito horas todas as noites que ajude a explicar por que você não está se sentindo bem. Na medicina, algumas vezes procuramos respostas cada vez mais sofisticadas. Mas ainda podemos mudar muita coisa fazendo a pergunta certa. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Kiprun anuncia seu mais novo tênis que avisa quando precisa ser trocado

Todo corredor já tentou adivinhar quando trocar o tênis, e quase sempre chutou. A Kiprun, marca de corrida da Decathlon, apresentou o KIPNEXT CONNECT, um tênis com sensor embutido que avisa quando o amortecimento está gasto e chegou a hora de trocar. Como o tênis sabe que está gasto? O segredo é o SOLLO, sensor criado com a Movmenta, startup sediada em Londres. Ele pesa 3 gramas, não usa bateria e fica embutido na sola. O sensor mede a compressão da espuma, e basta aproximar o celular do calcanhar, como num pagamento por aproximação, para ver no app Kiprun Pacer o percentual de desgaste do amortecimento. Hoje, a troca costuma seguir uma regra genérica de quilometragem. Só que o desgaste muda conforme o peso do corredor, a frequência dos treinos e a forma de pisar. Pior, a espuma perde eficiência muito antes de o tênis parecer velho por fora. O sensor troca o chute por um dado real, par a par. Por que isso importa para quem corre? O ganho mais óbvio é a prevenção. Quase metade dos corredores se machuca a cada ano, e amortecimento cansado aparece com frequência entre os fatores de risco. Saber a hora exata de aposentar o par é cuidar das articulações antes que o problema apareça. E o tênis não é só um experimento de tecnologia. Ele tem 53 mm de altura no calcanhar e 20% mais amortecimento que o Kipride Max, da própria marca. Foram três anos de desenvolvimento, cerca de 300 protótipos e mais de 12 mil km de testes. O modelo ficou em primeiro lugar no Decathlon Innovation Awards 2026. O que muda para o mercado esportivo? O preço anunciado é de € 219,99, com lançamento previsto para o fim de 2026. Para uma marca conhecida pelo bom custo-benefício, é um passo claro rumo ao segmento premium. O movimento maior, porém, é outro. O equipamento passa a gerar os próprios dados, sem depender só de relógios e wearables. Para as marcas, isso abre portas para garantias baseadas em uso real, produtos desenhados a partir de dados concretos e uma relação contínua com o cliente pelo app. O tênis deixa de ser um item que você compra e esquece e vira um ponto de contato. Saber a hora certa de trocar o tênis também é cuidar do corpo. E é a prova de que, no esporte, a próxima virada de chave não está só em correr mais rápido, mas em correr por mais tempo, com menos lesão e mais informação. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Tendência