71% dos produtos para emagrecer no Mercado Livre têm irregularidades, diz Abrafarma
A guerra pela venda online de saúde ganhou uma nova arma. Os dados. Um levantamento da Abrafarma, associação das grandes redes de farmácia, encontrou irregularidades em 71% dos produtos para emagrecer vendidos no Mercado Livre.
O estudo chega num momento em que o marketplace avança sobre um território que as farmácias consideram delas.
O raio-x dos anúncios
Foram analisados 2.624 produtos. Eles saíram de uma base de 7.067 anúncios coletados entre 15 e 19 de junho. Desses, 1.865 tinham ao menos um problema sanitário ou violavam as regras da própria plataforma. Outros 953 acumulavam dois ou mais.
A maioria era suplemento, 90% do total. Outros 51 eram medicamentos.
O que mais chama atenção é a carona nas canetas. Alguns anúncios usavam termos como “Monjauro de pobre” e “mais forte que Mounjaro” para vender. Segundo a Abrafarma, 538 produtos se apropriavam de marcas de terceiros ou de variações delas, incluindo nomes parecidos com Ozempic e Mounjaro.
Uma disputa de mercado com dados na mesa
Aqui é preciso olhar o tabuleiro inteiro. A Abrafarma representa as grandes redes, que concorrem diretamente com as plataformas digitais na venda de suplementos e produtos de saúde.
E o Mercado Livre acaba de subir a aposta. A plataforma passou a vender medicamentos com prescrição, incluindo os que exigem retenção de receita e tratamentos com análogos de GLP-1. Na segunda-feira (28), a Anvisa notificou a empresa e pediu que ela explique como a operação cumpre as regras sanitárias, com documentos que comprovem a regularidade.
É o terceiro movimento em quatro dias. Antes vieram um ofício da Abrafarma e a notificação da Anvisa. Agora, a associação promete levar o estudo à agência.
O que o estudo não mostra
A análise considerou só o texto e as avaliações dos anúncios. Nenhum produto foi comprado ou testado em laboratório.
O Mercado Livre diz que remove anúncios irregulares e não comenta metodologia de terceiros.
A disputa pela venda online de produtos de saúde virou um jogo de dados, regulação e reputação. Quem controlar a confiança do consumidor nesse canal leva vantagem competitiva num dos mercados que mais crescem no bem-estar.
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