Com o fim da patente da semaglutida, a disputa pelas canetas emagrecedoras saiu do laboratório e foi parar na alfândega. A EMS, maior farmacêutica do Brasil, pediu ao governo que o imposto de importação dessas canetas suba de 7,2% para 15%. Na prática, é mais que o dobro.
Quem pode sentir o impacto?
O pedido vale para canetas com remédios da família do GLP-1, como a semaglutida, que chegam prontas do exterior. Isso pode atingir empresas como Novo Nordisk, Hypera, Sandoz e Eurofarma.
A EMS levou o tema à Camex, o órgão que define essas taxas. Fez dois pedidos, um temporário, de 24 meses, e outro definitivo.
O argumento da EMS
A empresa alega que as peças da caneta, como corpo e tampa, pagam de 12% a 18% de imposto. Ou seja, quem monta aqui paga mais nos componentes do que quem traz o produto pronto.
Ela também afirma que remédios indianos muito mais baratos prejudicam quem investiu para fabricar no Brasil. O discurso é de proteção à indústria nacional.
O detalhe que complica a narrativa
Tem um ponto que chama atenção. A própria EMS está com imposto zero para importar a caneta injetora e outros dispositivos desde março, por um ano.
E o momento é estratégico. O pedido acontece no mesmo mês em que o governo promete levar a caneta ao SUS, comprando em grande escala. Quem conseguir as melhores condições agora sai na frente em um dos mercados mais cobiçados da saúde.
Quem fabrica aqui quer deixar mais caro quem traz de fora. No fim, o preço que chega até você depende de quem ganhar essa briga. É a prova de que, no mercado das canetas, a competição já não se decide só na ciência, mas também na política tributária.
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