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MIT cria robô que se move como cobra para examinar o intestino delgado

O intestino delgado sempre foi um dos pontos cegos da medicina, e engenheiros do MIT acabam de apresentar uma solução que literalmente rasteja até lá. Batizado de BIOSENTER, o robô macio se move como uma cobra dentro do órgão. O estudo foi publicado na revista Science Robotics na quarta-feira (28/10), em parceria com o UT Southwestern Medical Center.

Por que o intestino delgado é um campo minado para o diagnóstico?

São de 6 a 7 metros de tubo enrolados dentro da barriga, com uma parede escorregadia e delicada. Chegar lá com precisão é difícil, e o padrão atual não facilita. Hoje o exame é feito com um enteroscópio de duplo balão, que o profissional enche e esvazia alternadamente para avançar pelo órgão. O procedimento pode passar de 90 minutos.

Existe outro gargalo, menos visível. Segundo Binbin Ying, um dos autores principais do estudo e hoje professor na UT Southwestern, poucos médicos são treinados para fazer esse exame. Ou seja, o problema não é só técnico. É de acesso.

Como o robô vira o jogo?

O BIOSENTER tem cerca de 9 centímetros e quatro câmaras de ar distribuídas pelo corpo. Elas inflam em combinações diferentes, contraindo um lado e depois o outro, no mesmo movimento de uma cobra. A superfície tem uma textura inspirada em kirigami, parecida com escamas, que se prende à parede do intestino sem esticar demais o tecido.

O robô entra pela boca ou pelo reto, fica ligado a um cabo e é guiado por joystick. Pelo canal central passam as ferramentas, uma câmera, um borrifador de medicamento e clipes para coletar tecido ou retirar pequenos pólipos. Nos testes com porcos, ele percorreu 2 metros de intestino em 11 minutos, fazendo imagens, biópsias e aplicando líquido em pontos específicos, sem dano visível ao órgão.

O que isso sinaliza para o mercado de saúde?

A aposta é no diagnóstico de sangramentos, doença de Crohn e outras inflamações intestinais, além de tumores. Os pesquisadores já usam inteligência artificial para otimizar a estrutura de kirigami e miram uma navegação cada vez mais automática. Se a tecnologia for integrada aos equipamentos que já existem, a curva de treinamento cai e o exame chega a mais pacientes. Por enquanto, tudo ainda está em fase pré-clínica.

É a prova de que a próxima fronteira da saúde digestiva passa menos por aparelhos maiores e mais por ferramentas que se adaptam ao corpo. Exames mais rápidos e menos dependentes de poucos especialistas significam diagnósticos mais cedo, e diagnóstico cedo é o ativo mais valioso de qualquer estratégia de longevidade.

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