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Como uma cardiologista enxerga sono, estresse e saúde do coração a longo prazo?

A cardiologista Dr.ª Roshini Malaney, médica e especialista da MoonBrew, tem uma visão direta: sono, estresse e saúde cardíaca não são temas separados, são um único sistema, que molda o bem-estar cardiovascular ao longo de décadas.

A partir do atendimento diário de pacientes com condições crônicas, ela desenvolveu uma abordagem que prioriza hábitos consistentes, regulação do sistema nervoso e escolhas que sustentam o metabolismo.

Uma abordagem integrada para saúde do coração e metabolismo

Para a Dr.ª Malaney, saúde cardiovascular não é um conjunto de regras rígidas, mas um estilo de vida sustentável. O exercício está no centro dessa estratégia. “Treinar não é apenas fortalecer o sistema cardiovascular; é gerenciar o estresse”, diz. O treino de força entra como outro pilar, por preservar a massa muscular e apoiar a saúde metabólica com o passar dos anos.

A alimentação também segue esse raciocínio: ela adota um padrão pescetariano, naturalmente rico em nutrientes anti-inflamatórios, mas sem restrições extremas. “Sustentabilidade importa mais do que perfeição. As pessoas que se saem melhor são as que encontram prazer nos hábitos saudáveis, não as que vivem em constante restrição.”

Como ela trabalha a relação entre estresse e sistema cardiovascular

Embora pressão arterial e colesterol sejam fundamentais, ela afirma que não contam a história inteira. “Se a resposta ao estresse permanece ativada, estamos sempre lutando contra a corrente.” Por isso, hoje ela analisa padrões de estresse, qualidade do sono e variabilidade autonômica junto com os marcadores tradicionais.

A boa notícia é que esse sistema é treinável. Sono adequado, movimento diário, práticas de respiração e momentos de regulação emocional ajudam a recalibrar o sistema nervoso — e dão ao coração o intervalo de recuperação de que ele precisa.

Onde a cultura da longevidade se perde

A cardiologista critica o excesso de hacks extremos. “Estou preocupada com a obsessão por jejuns prolongados e padrões alimentares muito restritivos”, alerta. Em pessoas já expostas a altos níveis de estresse, falta de sono ou alterações hormonais, essas práticas podem ter o efeito oposto do desejado.

As consequências podem incluir queda do metabolismo, perda de massa muscular, arritmias e até desequilíbrios eletrolíticos perigosos. Para ela, longevidade real exige contexto — e não extremismo.

Por que o sono é o centro da sua filosofia cardiovascula

Para Dr.ª Malaney, sono é um dos indicadores mais diretos de risco cardiovascular futuro. “Privação crônica de sono aumenta o risco de infarto, AVC e hipertensão”, afirma. Quando alguém dorme consistentemente menos de seis a sete horas, o corpo eleva o cortisol, amplifica a inflamação e impede que o coração realize sua queda natural de pressão durante a madrugada.

E a relação é bidirecional: noites ruins afetam o coração, e doenças cardíacas podem prejudicar o sono — criando um ciclo difícil de romper.

No fim, ela reforça: não existe atalho mais potente que o básico. Sono consistente, estresse manejável, movimento regular e nutrição sustentável formam a base real de uma saúde cardiovascular duradoura — muito acima de qualquer protocolo exagerado.

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