A vitamina B12 voltou ao centro do debate em saúde. Não por modismo, mas por ciência. Uma revisão recente publicada na revista Cureus analisou décadas de estudos para responder a uma pergunta simples, mas relevante: é melhor obter B12 pela alimentação ou por suplementos? E, mais importante, qual forma funciona melhor para o corpo.
B12 não é opcional
A vitamina B12 é essencial para a formação das células vermelhas do sangue, funcionamento do sistema nervoso, síntese de DNA e metabolismo celular. A deficiência pode levar à anemia megaloblástica, fraqueza muscular, alterações neurológicas, dormência e, em casos graves, danos permanentes.
O problema é que a deficiência de B12 raramente acontece por “falta de consumo”. Na maioria dos casos, o que falha é a absorção.
Onde a B12 está e quem corre mais risco
A B12 está naturalmente presente em alimentos de origem animal, com destaque para fígado bovino, carnes, ovos e laticínios. A recomendação diária para adultos é de 2,4 microgramas, com valores um pouco maiores para gestantes e lactantes.
Grupos com maior risco de deficiência incluem:
- Pessoas acima de 60 anos
- Vegetarianos e veganos
- Pessoas com doenças intestinais, como Crohn
- Usuários de certos medicamentos
- Pessoas com alterações na absorção gástrica
Natural x sintética: não é tudo igual
A revisão analisou as principais formas da vitamina. A cianocobalamina é a versão sintética mais comum em suplementos. Já a metilcobalamina é uma forma ativa e natural.
O ponto-chave é que a cianocobalamina precisa ser convertida pelo organismo antes de ser usada. Nem todo mundo faz essa conversão de forma eficiente. A metilcobalamina, por outro lado, já está pronta para uso celular.
Os dados indicam que a metilcobalamina tende a ser mais biodisponível e melhor retida pelo organismo, com menor excreção. Em pessoas com anemia megaloblástica ou problemas de absorção, ela pode ser especialmente vantajosa.
Ainda assim, a revisão deixa claro: ambas as formas conseguem elevar os níveis de B12 quando há deficiência. A diferença está na eficiência e no contexto clínico.
Coração, imunidade e metabolismo entram na conversa
Além do sangue e do sistema nervoso, a B12 participa do controle da homocisteína, marcador ligado à saúde cardiovascular. Também influencia a resposta imune, ajudando na produção de células de defesa.
Há indícios de que níveis adequados de B12 podem auxiliar na resposta a infecções virais e no equilíbrio do sistema imune, embora os autores reforcem que os dados ainda são heterogêneos e não definitivos.
Antes de suplementar, medir
Um ponto importante destacado pelos autores é que nem todo mundo precisa suplementar automaticamente. Avaliar níveis séricos e, principalmente, a capacidade de absorção é essencial para decidir dose, forma e via de administração.
A recomendação é clara: testar antes de tratar.
O que a ciência diz hoje
A revisão conclui que a vitamina B12 atua em múltiplos níveis do organismo. Não é apenas um “suplemento”. É um elemento central da saúde celular, neurológica, metabólica e imunológica.
A metilcobalamina aparece como a forma mais eficiente em muitos cenários, especialmente em populações de risco. Mas ainda faltam estudos maiores e de longo prazo comparando desfechos clínicos reais, não apenas níveis no sangue.
O recado final
B12 não é moda, nem detalhe. É base. E, quando se trata dela, forma, absorção e contexto importam mais do que simplesmente “tomar um suplemento”.
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