Por muito tempo, dizer que exercício físico protege contra o câncer soava genérico. “Faz bem para tudo”, mas sem explicar como. Agora, a ciência começa a colocar lupa nesse processo e o resultado é mais interessante do que parecia.
Um estudo publicado no International Journal of Cancer mostra que o exercício não age só de forma indireta, via peso ou inflamação. Ele altera o que circula no sangue, e essas mudanças conseguem interagir diretamente com células tumorais.
O experimento
Pesquisadores coletaram sangue de adultos imediatamente antes e depois de uma sessão intensa de exercício. A partir desse sangue, isolaram o soro, a parte líquida rica em hormônios, proteínas e moléculas sinalizadoras. Em laboratório, esse soro foi colocado em contato com células de câncer de cólon.
O que aconteceu chama atenção. O soro coletado após o exercício ajudou as células a repararem melhor danos no DNA e, ao mesmo tempo, reduziu sinais ligados à proliferação celular, um dos marcadores de crescimento tumoral.
O que o exercício libera no sangue
Quando o corpo entra em movimento, ele libera um conjunto de moléculas inflamatórias e metabólicas que circulam pelo sangue. Essas substâncias ativam vias relacionadas à proteção do DNA, ao funcionamento das mitocôndrias e ao uso mais eficiente de energia pelas células.
Na prática, isso cria um ambiente interno menos favorável a comportamentos celulares agressivos.
O que isso não significa
O estudo não sugere que exercício trate câncer ou substitua terapias oncológicas. Trata-se de um modelo experimental, feito em células, a partir de um estímulo agudo de exercício. Ainda assim, ele ajuda a explicar, no nível molecular, algo que estudos populacionais já mostram há décadas: pessoas fisicamente ativas tendem a ter menor risco de vários tipos de câncer.
Exercício como sinal, não só como esforço
Talvez o ponto mais relevante esteja na mudança de perspectiva. Exercício deixa de ser apenas gasto calórico, estética ou disciplina. Ele passa a ser informação biológica circulando pelo corpo. Informação que conversa com tecidos, células e até com o DNA.
Esse diálogo silencioso entre músculo, sangue e célula ajuda a entender por que movimento não é acessório na prevenção. Ele é parte ativa da regulação do organismo.
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