Segundo o presidente do Assaí, Belmiro Gomes, esses medicamentos já estariam mexendo no padrão de compra nas lojas da rede: queda no álcool e alta gradual na demanda por proteínas. O efeito ainda varia por classe social, mas, na leitura dele, já dá pra enxergar uma tendência estrutural no comportamento do consumidor brasileiro. As informações são do Estadão.
O que está mudando, na prática?
A lógica é simples: muita gente em tratamento tenta preservar ou ganhar massa muscular durante o emagrecimento. Resultado: cresce a busca por alimentos proteicos. Belmiro ainda diz que esse movimento pode ganhar força com uma nova geração de medicamentos prevista para este ano, que teria como promessa reduzir a perda de massa magra associada ao processo de perda de peso.

Por que o Brasil pode sentir isso antes?
Na visão dele, o país tem características que aceleram esse tipo de onda: cultura forte de corpo e saúde e uma presença enorme de academias. Ele cita que o Brasil tem o maior número de academias per capita do mundo.
E as coisas não param no supermercado
Se a mudança de hábitos virar padrão, Belmiro projeta um efeito em cadeia: o “mix” de consumo pode, com o tempo, pressionar agroindústria e commodities, ajustando demanda entre cadeias ligadas a álcool, carboidratos e proteínas.
Do lado da indústria farmacêutica, a aposta é “impacto sistêmico”.
Isabela Wanderley, ex-CEO da Novo Nordisk no Brasil, afirmou que o avanço dos tratamentos para obesidade tende a reduzir custos em saúde e alterar estruturalmente o consumo. Ela menciona números amplos: cerca de 30% dos brasileiros com obesidade e até 50% com sobrepeso, aumentando gastos com doenças crônicas associadas. A Novo Nordisk é conhecida por Ozempic e Wegovy e é grande produtora de insulina.
Wanderley também afirmou que uma perda de cerca de 10% do peso corporal poderia aumentar a expectativa de vida em até 10 anos e reduzir em torno de 65% as internações, com relevância especial para países com sistema universal e orçamento apertado, como o Brasil.
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