Se você ainda coloca enxaqueca na gaveta do “tome um remédio e dorme”, a ciência já mudou essa conversa.
Enxaqueca é um transtorno neurológico crônico, com componente genético e mecanismos biológicos bem definidos. Traduzindo: não é frescura, não é “estresse demais”, e não é só dor de cabeça.
E a melhor parte dessa história é simples.
A medicina finalmente entendeu melhor o que está acontecendo no cérebro durante a crise. E isso está mudando o jogo dos tratamentos.
O que rola no cérebro quando a crise começa
Dois nomes aparecem como protagonistas:
1) Depressão Cortical Alastrante (CSD)
Pensa numa “onda elétrica” que atravessa o cérebro devagar. Ela bagunça o funcionamento normal e acende uma cascata inflamatória. Em muita gente, isso conversa direto com sintomas como aura, sensibilidade à luz e aquele corpo inteiro reclamando.
2) CGRP (o mensageiro da dor)
Nesse processo, o corpo libera CGRP, uma molécula que pode dilatar vasos e sensibilizar as vias de dor. Aí vem o pacote completo: dor pulsante, náusea, fotofobia, irritação com som, cheiro, tudo.
Ou seja: não é “uma dor”. É um sistema inteiro disparando.

A virada de chave: da genética para o alvo certo
Enxaqueca tem cara de família por um motivo.
Estudos apontam hereditariedade alta (na casa de até 60%) e mais de 120 variações genéticas já associadas ao transtorno.
Mas o salto aconteceu quando a ciência parou de tratar “a dor” e começou a tratar o mecanismo.
Com o CGRP no centro do mapa, surgiram medicamentos que bloqueiam especificamente essa molécula (ou seu receptor). Resultado? Em estudos com centenas de pacientes, as novas terapias mostraram reduções grandes na frequência das crises ao longo de meses.
Não é cura mágica.
É precisão.
E o que podemos fazer com essa informação?
Esse avanço abre uma avenida além do remédio:
- apps para rastrear gatilhos (sono, estresse, ciclo hormonal, alimentação, rotina)
- monitoramento e dados para entender padrão de crise
- planos personalizados de prevenção (porque enxaqueca é, muitas vezes, soma de detalhes)
Enxaqueca vai deixando de ser sentença e virando condição gerenciável. E isso muda a vida.
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