Pesquisadores da USP, em colaboração com instituições como a UFSCar e a Universidade da Califórnia, desenvolveram uma saliva artificial a partir de uma proteína extraída da cana. O nome é CaneCPI-5 e o primeiro formato pensado é bem direto: enxaguante bucal.
O que essa proteína faz?
Pensa no esmalte como uma parede.
A CaneCPI-5 funciona como um verniz inteligente.
Ela gruda forte no esmalte e “reorganiza” a película protetora natural que já existe ali. Com isso, inibe enzimas que aceleram a desmineralização (aquele processo em que o ácido vai “comendo” a estrutura do dente).
E tem um detalhe importante: os estudos indicam que esse efeito pode ficar ainda mais forte quando a fórmula recebe flúor e xilitol.
No fim é uma camada extra de proteção
Por que isso importa agora
O alvo principal são pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Em muitos casos, a radioterapia causa xerostomia (boca seca). E boca seca é tipo “cidade sem chuva”: a proteção natural some, o risco sobe, e os dentes ficam vulneráveis.
A proposta da saliva artificial é preencher essa lacuna: proteger o esmalte, reduzir chance de problemas e, potencialmente, ajudar também em inflamação e cicatrização (dependendo de como a tecnologia evoluir nas próximas aplicações).

Da pesquisa para o mercado: onde o jogo fica sério
A inovação já está patenteada e a equipe estuda expandir o portfólio para além do enxaguante: géis e filmes orais, por exemplo.
Agora vem a parte que causa impacto real: escala industrial e parceiros.
Porque se virar produto acessível, essa tecnologia entra em dois mercados ao mesmo tempo:
1) necessidade médica (xerostomia e proteção do esmalte)
2) nova onda de cuidados: biohacking bucal e saúde personalizada
E aí a cana vira o que ela sempre foi no Brasil: matéria-prima que move indústria, só que agora, com um crachá de biotech.
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