Sabe quando a palavra “vacina” faz a gente pensar em prevenção, antes da doença aparecer? Aqui é outro capítulo. O que Moderna e MSD (Merck fora dos EUA) estão chamando de intismeran autogene (mRNA-4157/V940) é uma vacina terapêutica: ela entra depois da cirurgia, quando o tumor já foi retirado, pra tentar impedir o câncer de voltar.
E os novos dados que as empresas divulgaram em 20 de janeiro de 2026 apontam uma coisa importante: o benefício se manteve no longo prazo.
O que aconteceu?
O estudo acompanhou 157 pacientes com melanoma de alto risco (estágios avançados, após retirada completa do tumor). Eles foram divididos em dois grupos:
Um grupo recebeu Keytruda (pembrolizumab), que já é um imunoterápico bem estabelecido.
O outro recebeu Keytruda + a vacina personalizada de mRNA.
Resultado: a combinação reduziu em 49% o risco de recorrência ou morte quando comparada ao Keytruda sozinho, e esse efeito apareceu como sustentado no acompanhamento divulgado.

Por que essa vacina é diferente
Os médicos sequenciam geneticamente o tumor do paciente, identificam pedaços que podem virar alvo (neoantígenos) e a vacina é desenhada para ensinar o sistema imune a reconhecer e caçar aquelas células.
Esses dados ainda são da fase 2b. A fase 3 (a que costuma pesar mais para aprovação e adoção ampla) já está em andamento no programa INTerpath, com previsão de leitura final mais à frente.
A ideia do mRNA mudando de papel: saiu do “vacina de vírus” e está virando uma plataforma de tratamento personalizado em oncologia.
Se esse modelo escalar bem, abre um caminho grande pra um futuro onde “imunoterapia” não é só ativar o sistema imune. É ativar com direção, alvo e contexto.
No Brasil, vale lembrar: melanoma é o tipo mais perigoso de câncer de pele, e embora represente uma fatia menor dos casos, é o que mais preocupa quando o assunto é metástase. (O INCA costuma apontar esse peso do melanoma dentro dos tumores de pele.)
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