Todo mundo quer um atalho pra recuperar cabelo.
E, quando o assunto é calvície androgenética (o famoso “padrão genético” que afina os fios até o folículo desistir), os caminhos mais conhecidos hoje continuam sendo os de sempre: minoxidil e finasterida. Funcionam pra muita gente, mas também carregam o “custo da conversa”: uso contínuo, paciência, e o medo de efeitos colaterais, principalmente no caso da finasterida.
Agora entra um personagem improvável: uma raiz usada há séculos na medicina tradicional chinesa, chamada Polygonum multiflorum, também conhecida como He Shou Wu.
Uma revisão científica publicada no Journal of Holistic Integrative Pharmacy juntou evidências de estudos laboratoriais, relatos clínicos e registros históricos e levantou a hipótese: essa planta pode atuar em várias frentes ao mesmo tempo, algo que pouca terapia faz.
O que ela estaria fazendo no “ciclo da calvície”
A revisão aponta alguns caminhos biológicos que fazem sentido no mapa da alopecia androgenética:
- Frear o efeito da DHT, hormônio ligado à miniaturização do folículo, quando o fio vai ficando cada vez mais fino.
- Proteger células do folículo contra morte celular precoce, como se segurasse o time em campo.
- Ativar vias de crescimento associadas à regeneração, como Wnt e Shh.
- Melhorar microcirculação no couro cabeludo, ajudando a entrega de oxigênio e nutrientes.
A tese é sedutora: em vez de mirar num alvo só, a planta seria uma espécie de combo biológico.

Isso é revisão de literatura, não tratamento comprovado. A própria publicação reforça que ainda faltam ensaios clínicos robustos para dizer se funciona mesmo em gente, qual dose, por quanto tempo, para quem e com que risco.
E tem um alerta grande que muita manchete esquece
O Polygonum multiflorum, He Shou Wu, tem um histórico importante na literatura médica: há inúmeros relatos de lesão hepática, inclusive casos graves associados ao uso da planta e de preparações em cápsulas ou comprimidos. Ou seja, natural não é sinônimo de inofensivo.
A revisão e notícias derivadas dela mencionam que o processamento tradicional seria uma etapa relevante para segurança, mas isso não resolve o principal: sem padronização e sem estudo clínico forte, o risco vira loteria.
O que isso sinaliza?
O valor real dessa história é outro.
A ciência está voltando para a medicina tradicional com lupa, tentando separar folclore, marketing e farmacologia. Às vezes não sai nada. Às vezes sai uma molécula útil. E, no mínimo, sai um mapa melhor do problema.
Calvície é biologia mais tempo. Qualquer promessa simples demais costuma ser cara, no bolso, no fígado ou na frustração.
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