Quase metade da população dos Estados Unidos vive com diabetes ou pré-diabetes.
Três em cada quatro americanos têm alguma doença crônica.
E 90% dos gastos em saúde vão para tratar essas condições.
O diagnóstico oficial é simples: os EUA estão doentes.
A solução proposta? Mudar radicalmente o que vai à mesa.
A guerra ao açúcar e aos ultraprocessados
Dentro do movimento Make America Healthy Again, liderado pelo secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., o governo anunciou novas diretrizes nutricionais.
A mensagem é direta:
“Estamos encerrando a guerra contra as gorduras saturadas. Hoje declaramos guerra ao açúcar adicionado. Comam comida de verdade.”
Durante o intervalo do Super Bowl, um comercial com Mike Tyson apareceu mordendo uma maçã e repetindo exatamente isso: eat real food.
O alvo declarado são os açúcares adicionados e os ultraprocessados como fast food, congelados prontos, salgadinhos e refrigerantes.
O ponto curioso é que o documento não define claramente o que é ultraprocessado.
A parte que dividiu opiniões foi outra.
As novas diretrizes sugerem inverter a pirâmide alimentar:
- Reduzir carboidratos
- Aumentar proteínas
- Priorizar fontes animais, especialmente carne vermelha
- Preferir leite integral em vez de versões desnatadas
Para uma pessoa de 75 kg, por exemplo, a recomendação de carne vermelha sobe para algo entre 90 e 120 gramas por dia.
Na prática, dois bifes todos os dias.

O debate científico
Aqui começa a tensão.
A ciência já associa consumo elevado de gordura saturada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e AVC.
Ao mesmo tempo, há um movimento global defendendo mais proteína para preservação muscular, metabolismo e envelhecimento saudável.
É um embate entre dois discursos.
Combater o açúcar e o ultraprocessado faz sentido.
Mas aumentar carne vermelha como base da dieta é consenso? Não exatamente.
Existe ainda o impacto ambiental.
Mais consumo de proteína animal significa:
- Mais gado
- Mais emissão de gases do efeito estufa
- Maior pressão sobre recursos naturais
Proteínas vegetais têm pegada ambiental significativamente menor.
Saúde humana e saúde do planeta são duas conversas que caminham juntas.
Essas diretrizes não ficam só no papel.
Elas afetam diretamente 30 milhões de crianças e adolescentes que se alimentam nas escolas públicas dos EUA todos os dias.
É política pública moldando prato, hábito e cultura alimentar de uma geração inteira.
Não é apenas guerra ao fast food.
É uma tentativa de redesenhar o sistema alimentar americano, no país que ajudou a exportar o modelo global de ultraprocessados.
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