Um vídeo mexeu com a internet esta semana: Pedro Rolim, diagnosticado com paraplegia após uma lesão medular em T12, aparece fazendo exercícios em aparelhos de musculação 15 dias depois de receber uma aplicação de polilaminina, em 2 de fevereiro (segundo os perfis que divulgaram o caso).
Só que aqui vale o “freio de mão” que a saúde exige: vídeo não é estudo clínico. Ele pode ser um registro real de reabilitação e progresso, mas não prova sozinho que uma terapia funciona para todo mundo, nem explica o quanto dessa evolução vem do tratamento, do timing da lesão, do protocolo de fisio, ou de fatores individuais.
A polilaminina é uma proteína baseada em laminina, associada a pesquisas da UFRJ para ajudar a regenerar conexões nervosas em lesões de medula espinhal. É uma linha de pesquisa brasileira que ganhou tração justamente por tocar num ponto crítico: hoje, para muitas lesões medulares, as opções ainda são limitadas.
E tem um detalhe importante: a Anvisa autorizou o início de estudo clínico (fase 1) para avaliar segurança da substância, com um número pequeno de voluntários, como é padrão nessa etapa. Ou seja, é começo de caminho regulatório, não “cura liberada”.
O conteúdo publicado nas redes mostra Pedro realizando exercícios com movimentos voluntários das pernas, acompanhado por profissionais, e os perfis que divulgaram dizem que antes não havia resposta motora ou sensitiva abaixo do nível da lesão.
O que a FitFeed consegue dizer com responsabilidade aqui é:
- há um registro público de evolução funcional em reabilitação;
- há uma tecnologia brasileira em trilha clínica regulatória;
- não dá para concluir eficácia só a partir desse material, e nem generalizar para outros casos.