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Pepsi vai eliminar todos os seus ingredientes artificais até o final de 2026

Dois dias depois de autoridades federais dos Estados Unidos anunciarem medidas contra corantes sintéticos em alimentos e bebidas, a PepsiCo afirmou que vai acelerar a eliminação gradual de ingredientes artificiais do seu portfólio.

Em teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre fiscal de 2025, o CEO Ramon Laguarta reforçou que a empresa já vinha reduzindo sódio, açúcar e ajustando o perfil de gorduras. Agora, a pressão regulatória e o novo humor do consumidor colocam os corantes no centro da discussão.

Hoje, segundo a companhia, mais de 60% do portfólio de alimentos nos EUA já não contém corantes artificiais.

Marcas como Lay’s e Tostitos devem deixar de usar corantes artificiais até o fim deste ano.

O que está acontecendo nos bastidores regulatórios

A fala de Laguarta veio logo após um anúncio liderado por Robert F. Kennedy Jr., secretário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, e por Marty Makary, comissário da Food and Drug Administration.

O plano prevê a eliminação gradual dos seis corantes sintéticos restantes derivados do petróleo até o fim de 2026, incluindo:

  • Verde nº 3
  • Vermelho nº 40
  • Amarelo nº 5 e nº 6
  • Azul nº 1 e nº 2

Além disso, a agência já havia determinado a retirada do Vermelho nº 3 até 2027, prazo que agora pode ser antecipado.

Laguarta foi direto. Os produtos são considerados seguros, mas a empresa entende que a demanda por ingredientes mais naturais deve crescer.

A promessa é que, nos próximos dois anos, todo o portfólio migre para cores naturais ou ofereça versões com essa opção.

O debate não para nos corantes.

Estados americanos discutem restringir o uso do programa de assistência alimentar SNAP para doces e bebidas açucaradas. Segundo a empresa, o impacto estimado é limitado, mas o tema está no radar.

No mesmo evento, Kennedy chamou o açúcar de veneno no contexto da epidemia de diabetes nos EUA. A discussão sobre aditivos alimentares deve ganhar novos capítulos científicos e regulatórios.

E o efeito GLP-1

Tem outro vetor pressionando o portfólio: os medicamentos para perda de peso baseados em GLP-1.

Segundo Laguarta, consumidores que utilizam essas terapias estão buscando mais:

  • Proteína
  • Fibras
  • Hidratação
  • Porções menores

A PepsiCo afirma estar bem posicionada em fibras e hidratação, mas reconhece que ainda precisa evoluir em proteínas. Novas inovações nessa frente devem aparecer no fim do ano ou início do próximo.

Além disso, embalagens menores e controle de porção passaram a ser estratégicos. Não é que o consumidor abandone a marca. Ele consome menos de cada vez.