O termo brain rot, ou “cérebro podre”, começou como uma gíria da internet.
Mas a ciência começa a sugerir que ele pode ser mais literal do que parece.
Pesquisas recentes indicam que o consumo excessivo de conteúdos superficiais nas redes pode estar associado à redução de massa cinzenta em áreas do cérebro responsáveis por tomada de decisão, controle de impulsos e memória.
O termo ganhou tanta relevância que foi eleito palavra do ano de 2024 pela Oxford University Press, refletindo uma preocupação crescente com o impacto da vida digital na saúde mental.
O cérebro diante da rolagem infinita
O problema não está apenas no tempo de tela.
Está também no tipo de conteúdo consumido.
Estudos citados por veículos como The Guardian apontam que o consumo compulsivo de conteúdos de baixa qualidade, como teorias conspiratórias, sensacionalismo e entretenimento vazio, pode afetar diretamente o funcionamento cognitivo.
A lógica é simples.
O cérebro humano é naturalmente programado para buscar novidade, alerta e estímulos rápidos. As redes sociais exploram exatamente esse mecanismo.
Notificações, vídeos curtos, feeds infinitos e recompensas rápidas criam um ciclo constante de dopamina que mantém a pessoa rolando a tela por horas.
O alerta da neurociência
Uma meta análise que reuniu 27 estudos de neuroimagem encontrou uma associação entre uso excessivo de internet e redução de massa cinzenta em regiões ligadas ao sistema de recompensa e ao controle de impulsos.
Segundo pesquisadores, essas alterações são semelhantes às observadas em quadros de dependência química.
Outros estudos também mostram impactos no desempenho cognitivo.
Uma revisão com 34 pesquisas acadêmicas encontrou relação entre uso compulsivo de telas e pior desempenho em áreas como atenção sustentada, memória e tomada de decisão.
O impacto é ainda maior entre jovens
Os efeitos são especialmente preocupantes entre adolescentes.
Dados da organização Common Sense Media indicam que pré adolescentes passam em média 5 horas e 33 minutos por dia em frente às telas.
Entre adolescentes, o número sobe para 8 horas e 39 minutos diários.
Educadores também percebem o impacto.
Uma pesquisa do Gonski Institute mostrou que 84% dos professores consideram as tecnologias digitais uma distração significativa em sala de aula.

O problema tende a se tornar um ciclo.
Estudos publicados na revista Nature indicam que pessoas com saúde mental fragilizada têm maior tendência a consumir conteúdo superficial online.
Esse consumo, por sua vez, pode piorar os sintomas.
Quanto mais tempo na tela, mais difícil se torna reduzir esse comportamento.
Especialistas defendem duas estratégias principais.
A primeira é limitar o tempo de exposição às telas.
A segunda é melhorar a qualidade do conteúdo consumido.
Atividades fora do ambiente digital também são fundamentais para equilibrar o cérebro.
Esportes, encontros sociais, leitura profunda e momentos sem tecnologia ajudam a restaurar a capacidade de atenção.
No fundo, o cérebro humano não foi projetado para feeds infinitos.
Foi projetado para explorar o mundo real.