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USP faz história ao realizar primeira cirurgia a distância do SUS

A medicina brasileira acaba de dar um passo importante na incorporação de tecnologia avançada dentro da saúde pública.

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo realizou, entre os dias 24 e 26 de fevereiro, as primeiras telecirurgias robóticas do Sistema Único de Saúde. Os procedimentos conectaram médicos e robôs cirúrgicos em locais diferentes, inaugurando uma nova etapa para cirurgias de alta complexidade dentro do SUS.

O projeto mostra que tecnologias antes concentradas em hospitais privados começam a ganhar espaço também na rede pública.

Cirurgias feitas a distância com robótica

A iniciativa foi desenvolvida em parceria entre a Faculdade de Medicina da USP e o Hospital Universitário da USP.

Durante os procedimentos, os cirurgiões operaram a partir de um console instalado no Centro de Treinamento em Procedimentos Minimamente Invasivos, conhecido como PROMIN.

Enquanto isso, os braços robóticos estavam posicionados no centro cirúrgico do Hospital Universitário da USP, a cerca de 15 quilômetros de distância.

A conexão em tempo real permitiu que os médicos realizassem as cirurgias com precisão robótica mesmo sem estarem fisicamente dentro da sala de operação.

Cinco cirurgias em diferentes especialidades

A primeira fase clínica do projeto envolveu cinco pacientes do SUS, que já estavam na fila regular para cirurgia e tinham indicação médica independentemente da pesquisa.

Nesta etapa inicial, os casos escolhidos foram de menor complexidade, seguindo critérios rigorosos de segurança.

O primeiro procedimento foi uma prostatectomia oncológica, cirurgia para remoção da próstata em casos de câncer localizado. O paciente recebeu alta hospitalar já no dia seguinte, com evolução clínica considerada satisfatória.

Além da urologia, também foram realizados procedimentos nas áreas de cabeça e pescoço, cirurgia torácica, cirurgia geral e ginecologia.

O projeto foi estruturado desde o início com a ideia de servir como modelo para expansão futura da tecnologia dentro do sistema público.

A iniciativa está sendo coordenada por pesquisadores da FMUSP e envolve protocolos técnicos, assistenciais e de segurança digital pensados para garantir que o modelo possa ser replicado em outras instituições.

Além do avanço tecnológico, o projeto também abre caminho para discussões sobre regulamentação, financiamento e padronização da telecirurgia no país.

A Faculdade de Medicina da USP já iniciou articulações com o Ministério da Saúde para avaliar a possibilidade de transformar a tecnologia em uma política pública.

Um passo para democratizar cirurgias de alta complexidade

Hoje, a cirurgia robótica ainda está concentrada principalmente em hospitais privados no Brasil.

Ao realizar as primeiras telecirurgias robóticas dentro do SUS, o projeto busca reduzir essa desigualdade de acesso e mostrar que tecnologias de ponta também podem fazer parte do sistema público de saúde.

Mais do que um avanço tecnológico isolado, a iniciativa sinaliza um movimento maior de modernização do SUS, com foco em ampliar o acesso da população a procedimentos complexos com segurança e base científica.