24 - 26 de Abril

Expo Center Norte - SP

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O mercado de estética está focado no lugar errado?

Se você abrir o Instagram agora e rolar o feed, será bombardeada por rostos que parecem ter saído da mesma linha de montagem. O mercado de estética virou um balcão de negócios focado na ampola, no preenchimento imediato e no antes e depois de 15 minutos. Mas, como médica, eu me pergunto: estamos realmente tratando a beleza ou apenas camuflando o envelhecimento?

O erro fundamental da estética atual é acreditar que a pele é uma tela inerte onde se injeta volume. A ciência nos diz o oposto: a pele é um órgão vivo que responde a sinais biológicos profundos. Tratar a ruga sem gerenciar a célula é como pintar uma parede cheia de infiltração.

O mercado ignora o que chamamos de senescência celular. Com o tempo, acumulamos células zumbi que, embora parem de se dividir, permanecem na pele secretando substâncias inflamatórias que destroem o colágeno ao redor.

Estudos mostram que injetar bioestimuladores em um ambiente repleto dessas células é um investimento de baixo retorno. Se não inibirmos vias como a mTOR e não limparmos esse terreno biológico, o produto injetado não terá onde se ancorar. O foco deveria estar na saúde da matriz, não apenas na marca do injetável.

Volume não é sustentação

Outro equívoco é a obsessão pelo volume. Um rosto jovem não é necessariamente cheio, ele é estruturado.

O estudo de Varani et al. provou algo que eu repito diariamente no consultório: os fibroblastos (nossas fábricas de colágeno) entram em colapso e param de trabalhar quando perdem a tensão mecânica. Em vez de apenas inflar o rosto, o que muitas vezes apaga a identidade da mulher, a estratégia deve focar em devolver a arquitetura de suporte. É o que chamo de Lifting ligamentar: não é sobre volume, é sobre reativar a mecânica celular através da tração correta.

Por fim, o mercado falha ao separar o rosto do resto do corpo. Dados recentes do Journal of Cosmetic Dermatology reforçam que o sono e o controle da insulina ditam o ritmo do seu envelhecimento.

Uma paciente inflamada sofre um processo de glicação que endurece as fibras de colágeno. Se o seu plano de tratamento não analisa como você dorme ou como está o seu metabolismo, você está tratando o sintoma, não a causa.

O novo status é a autonomia

O mercado de massa foca no ter: ter lábios maiores, ter menos rugas. A minha prática foca no ser: ser metabolicamente saudável para que a sua pele sustente a sua melhor versão.

Na minha clínica, acreditamos que a estética do futuro não é sobre mudar quem você é, mas sobre dar à sua biologia as ferramentas para que ela não desabe. Menos filtro, mais estrutura. Menos volume, mais verdade celular.

O seu plano de beleza está focado na agulha ou na sua biologia?

Referências:

https://doi.org/10.2353/ajpath.2006.051302

http://dx.doi.org/10.14336/AD.2023.0321

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