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Ter um cão mantém os órgãos mais importantes ativos

O que acontece no cérebro de um tutor:

Em 2022, pesquisadores da Universidade do Alabama publicaram um estudo que poucos esperavam ver: imagens de ressonância magnética comparando o cérebro de tutores com os que não tinham pets. Os resultados mostraram que a posse de animais estava associada a estruturas cerebrais maiores e a níveis mais altos de cognição, com os efeitos mais expressivos encontrados justamente em donos de cães. O dado mais impactante: ter um pet pode reduzir a idade cerebral de uma pessoa em até 15 anos. Quinze anos. Não estamos falando de um suplemento ou de um protocolo complexo de neuro-otimização. Estamos falando do vínculo cotidiano com um animal.

Um ano depois, em dezembro de 2023, o JAMA Network Open publicou um dos estudos mais relevantes já conduzidos sobre o tema. Em uma coorte de 7.945 participantes com 50 anos ou mais, a posse de animais foi associada a taxas mais lentas de declínio na memória verbal e na fluência verbal entre pessoas que viviam sozinhas: um efeito que não apareceu nem entre aqueles que moravam acompanhados de familiares.

O Baltimore Longitudinal Study of Aging, o estudo de envelhecimento humano mais longo em andamento nos Estados Unidos, iniciado em 1958, também encontrou associação entre ter um pet e melhor função cognitiva ao longo do tempo. Tanto a posse atual quanto o histórico de ter tido animais nos últimos dez anos foram relacionados à melhor função cognitiva de forma independente da idade, o que sugere que o efeito não é pontual, mas acumulativo. O cérebro que conviveu com um animal ao longo da vida chega à velhice em melhor estado.

(McDonough et al., 2022, Frontiers in Aging Neuroscience — University of Alabama | Li et al., 2023, JAMA Network Open — Sun Yat-sen University | Friedmann et al., 2023, Scientific Reports — Baltimore Longitudinal Study of Aging)

E o coração?

No que se refere à atividade física, um estudo longitudinal publicado no BMC Public Health acompanhou idosos e constatou que donos de cães caminhavam em média 22 minutos a mais por dia e davam aproximadamente 2.760 passos adicionais. Para uma população sedentária, esse acréscimo representa a diferença entre cumprir ou não as recomendações mínimas de atividade física da Organização Mundial da Saúde.

E falando em cortisol… Tutores de pets apresentaram pressão arterial de repouso mais baixa, aumentos menores de frequência cardíaca e pressão em situações de estresse, e recuperação mais rápida dos parâmetros cardiovasculares após o estímulo estressante, com o efeito sendo ainda mais pronunciado quando o próprio animal estava presente. Vínculos positivos com o animal mostram níveis mensuravelmente mais altos de ocitocina e mais baixos de cortisol e alfa-amilase: marcadores bioquímicos relacionados ao estresse.

(Dall et al., 2017, BMC Public Health | Levine et al., 2013, Circulation — AHA Scientific Statement)

O passeio diário, o contato físico e a rotina compartilhada não trazem benefícios somente para o animal. O cuidado de hoje significa mais tempo amanhã, para ambos.

(Yusuf et al., 2004, The Lancet — INTERHEART Study | Schreiner, 2016, Current Cardiovascular Risk Reports)

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