O novo Código de Ética e de Conduta do Nutricionista, publicado pelo Conselho Federal de Nutrição (CFN), tem provocado reação intensa na categoria. As mudanças ampliam restrições sobre a divulgação de resultados de pacientes nas redes sociais e mantêm a proibição de críticas públicas a outros nutricionistas. Entre os pontos mais contestados está a proibição de conteúdos do tipo “antes e depois”, incluindo fotos corporais, exames laboratoriais, gráficos e dados de composição corporal, além de imagens geradas por inteligência artificial mesmo quando autorizadas pelo paciente. Muitos profissionais afirmam que isso dificulta a comunicação educativa sobre alimentação e saúde e limita o combate à desinformação propagada por pessoas sem formação na área.
Suspensão do lançamento e consulta pública
Diante da repercussão, o CFN suspendeu o lançamento oficial do código previsto para o Congresso Brasileiro de Nutrição e abriu uma consulta pública intitulada “Nutricionista, queremos te ouvir”, cujo prazo de envio termina no dia 13 de junho. Apesar da consulta, a resolução permanece em vigor e deve passar a valer no fim de julho, 90 dias após sua publicação. A presidente do CFN, Manuela Dolinsky, afirma que o objetivo é ouvir a categoria, sem revogar integralmente a norma. Segundo ela, o código foi construído ao longo de anos, recebeu contribuições de cerca de 1,5 mil nutricionistas e passou por análise dos Conselhos Regionais.
Críticas da categoria
Entre os críticos, o nutricionista Felipe Almeida, com cerca de 380 mil seguidores, criou uma petição online contra a ampliação das restrições, que já reúne mais de 23 mil assinaturas. Ele defende diálogo e considera inadequado que o código entre em vigor antes da conclusão do debate. A nutricionista Desire Coelho, especialista em transtornos alimentares pela USP, aponta que alguns dispositivos do novo código são excessivamente abrangentes e podem dificultar a comunicação profissional, mas reconhece avanços em outros aspectos.
Ampliação da proibição de divulgação de resultados
O principal ponto de tensão é a proibição de divulgação de resultados de pacientes. O código anterior já restringia fotos corporais, mas a nova versão inclui gráficos, exames laboratoriais e outros indicadores de saúde. O CFN argumenta que esses conteúdos podem gerar comparações inadequadas, expectativas irreais e impacto negativo na saúde mental de crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis a transtornos alimentares. Por outro lado, nutricionistas contrários à medida defendem que informações anonimizadas e autorizadas podem contribuir para a educação em saúde.
Perspectiva dos especialistas
Desire Coelho concorda que imagens corporais associadas ao emagrecimento podem reforçar padrões estéticos prejudiciais, mas destaca que exames laboratoriais representam indicadores objetivos de saúde e poderiam ter tratamento diferenciado. O debate segue nas próximas semanas enquanto o conselho analisa as contribuições da consulta pública e decide se fará ajustes antes da entrada em vigor das novas regras.
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