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FDA aprova novo comprimido que ajuda a reduzir os níveis de colesterol

Um comprimido de US$ 315 acaba de invadir um território que sempre foi exclusivo das injeções caras. O FDA aprovou nesta quinta-feira o Lipfendra, da Merck, o primeiro remédio oral da classe dos inibidores de PCSK9, capaz de derrubar em até 60% o colesterol LDL. O mecanismo não é novidade nenhuma. O que mudou foi a forma de entregar, e é exatamente aí que está a virada de chave.

O gargalo nunca foi a eficácia, foi o acesso

Os injetáveis dessa classe estão no mercado há anos. O Repatha, da Amgen, e o Praluent, de Regeneron e Sanofi, já mostraram reduzir em cerca de 20% o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular quando somados às estatinas. Mesmo com esse currículo, o uso segue restrito. Custo elevado, aplicações periódicas e adesão baixa formam um campo minado que resultado clínico nenhum atravessa sozinho.

O Lipfendra ataca justamente esse ponto. O preço de tabela é de US$ 315 para 30 dias de tratamento, contra US$ 500 a US$ 600 por mês dos injetáveis, podendo passar disso dependendo da cobertura do plano de saúde. Um comprimido diário no lugar da seringa. A Merck não está vendendo uma molécula superior. Está vendendo praticidade e preço em uma categoria que tratou os dois como detalhe por tempo demais.

Um em cada quatro adultos, o tamanho real do tabuleiro

Segundo a American Heart Association, cerca de um em cada quatro adultos americanos convive com níveis elevados de LDL. E as diretrizes vêm apertando o cerco. Quem tem risco cardiovascular acima da média precisa manter o LDL abaixo de 70 mg/dL. Para quem já sofreu um infarto ou está em risco muito elevado, a meta desce para menos de 55 mg/dL.

Meta mais dura significa mais gente que as estatinas sozinhas não dão conta de atender. É esse contingente que a versão oral destrava. Quando o cardiologista Elzo Mattar, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, diz que quanto mais baixo o LDL, melhor, e quanto mais cedo a redução, menor a chance de doença aterosclerótica ao longo da vida, ele está descrevendo um mercado que só cresce. Longevidade cardiovascular não é discurso de painel, é uma linha de receita.

O capítulo que ainda não foi escrito

A aprovação saiu de dois estudos de fase 3, que mostraram redução expressiva do LDL em um público amplo, incluindo pessoas com hipercolesterolemia familiar e pacientes que já usavam estatinas, sem aumento relevante de efeitos adversos frente ao placebo. Falta a parte mais importante do jogo. A Merck conduz agora um estudo para descobrir se o comprimido também derruba infartos, AVCs e mortes na mesma proporção dos injetáveis.

Até lá, a estatina segue como primeira escolha e o Lipfendra entra como reforço para quem precisa de uma queda mais agressiva. Você não está diante de uma revolução científica. Está diante de uma revolução de distribuição, que costuma ser a que move mais dinheiro.

É a prova de que, em saúde, inovação que não chega ao paciente não é inovação, é vitrine. A disputa pela longevidade deixou de ser sobre quem consegue baixar mais o LDL. Passou a ser sobre quem consegue manter a pessoa dentro do tratamento, mês após mês, sem que o preço ou a agulha vençam a batalha antes do remédio.

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