arrow-left-square Created with Sketch Beta.

Metabolismo lento existe de verdade?

Quando o peso para de cair, duas explicações costumam aparecer. A primeira é: “Você está comendo mais do que imagina.” A segunda é: “Seu metabolismo não está funcionando direito”. As duas podem simplificar demais uma fisiologia muito mais complexa. Metabolismo lento existe? Sim. Mas, muitas vezes, ele não está quebrado. Está se adaptando.

“Meu metabolismo travou”

Essa frase costuma aparecer quando alguém:

  • come menos do que antes
  • sente mais fome
  • perde cada vez menos peso
  • recupera o peso com facilidade

A experiência pode ser real. Mas “metabolismo lento” não é uma explicação. É apenas o começo da investigação.

Metabolismo basal não é o gasto total

O metabolismo basal é a energia que mantém seu corpo funcionando em repouso. Mas o gasto diário também inclui:

  • digestão dos alimentos
  • movimentos do cotidiano
  • atividade física
  • exercício estruturado

Por isso, o peso pode parar de cair sem que o metabolismo basal tenha “parado”.

Ao emagrecer, gastar menos é esperado. Um corpo menor e mais leve precisa de menos energia para se manter e se movimentar. Além disso, dependendo de como o emagrecimento acontece, pode haver perda de massa muscular. Essa redução do gasto é esperada. É fisiologia. Não é defeito.

Mas pode existir uma redução a mais

Em algumas pessoas, o gasto energético cai além do que seria previsto pela perda de peso e pela mudança da composição corporal. Esse fenômeno é chamado de adaptação metabólica ou termogênese adaptativa. É como se o organismo se tornasse mais econômico diante da menor disponibilidade de energia.

A resposta não é igual para todo mundo. Algumas pessoas apresentam pouca adaptação. Outras, mais. Ela pode ser mais evidente durante o déficit energético e diminuir quando o peso e a ingestão se estabilizam. Quando é mais intensa, também pode vir acompanhada de maior fome e desejo de comer. Não é apenas uma questão de disciplina.

O sono também participa dessa equação

Em estudos experimentais, dormir menos reduziu a sensibilidade à insulina. Em outro ensaio controlado, a restrição de sono aumentou a ingestão em aproximadamente 300 calorias por dia e favoreceu o acúmulo de gordura visceral. Tudo isso aconteceu sem um aumento compensatório do gasto energético. Dormir mal não necessariamente “desliga” o metabolismo. Mas muda o ambiente em que ele precisa funcionar.

E o estresse? E o excesso de treino? O estresse não desliga magicamente o metabolismo. Essa explicação seria simples demais. Mas a sobrecarga persistente e a recuperação insuficiente podem interferir no sono, na fome, na disposição, no movimento espontâneo e na qualidade do treinamento. O organismo responde ao conjunto dos sinais. Não a um único hormônio isolado.

Por isso, “coma menos e treine mais” nem sempre é o primeiro passo

Diante de um platô, pode ser necessário reavaliar:

  • composição corporal
  • ingestão e gasto energético
  • movimento ao longo do dia
  • sono e recuperação
  • carga de treinamento
  • medicamentos e condições clínicas
  • tempo real de estagnação

Às vezes, o déficit precisa ser ajustado. Em outras, é a estratégia que precisa mudar. O balanço energético continua existindo, MAS seus componentes não são estáticos. Isso acontece, porque durante o emagrecimento, o gasto pode diminuir, a fome pode aumentar e o movimento espontâneo pode cair e em algumas pessoas, surge ainda uma redução do gasto maior do que a prevista pela mudança de peso e composição corporal. Isso é adaptação metabólica. Ela não acontece com a mesma intensidade em todos, não explica todos os platôs e não torna o emagrecimento impossível, mas ignorá-la também não é científico. Sono, estresse, treinamento, rotina, massa muscular, medicamentos e condições clínicas ajudam a formar o contexto no qual esse metabolismo responde.

Talvez a pergunta não seja apenas: “Como fazer este corpo gastar mais?” Talvez seja também: “A quais sinais este corpo está tentando se adaptar?”

Seu corpo não está sabotando você. Ele está respondendo aos sinais que recebeu. Um bom tratamento não começa exigindo cada vez mais. Começa entendendo em que estado o organismo está e qual é sua capacidade atual de adaptação.

Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar?
A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.
Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/