Por Daiana Parisato, influenciadora e nutricionista
Um esporte que até pouco tempo carregava o estigma de ser coisa de terceira idade ou de “alongamento simples” voltou a viralizar em 2026. Hoje, mulheres que se chamam de Pilates Girls frequentam estúdios bonitos e decorados, tiram fotos no espelho e transformam a aula em programa entre amigas.
Como nutricionista focada no público feminino, eu levantei recentemente nas minhas redes uma hipótese sobre por que essa modalidade entrou em evidência justamente num momento de baixa da cultura de alta performance.
A resposta que eu enxergo é simples: a geração atual não quer mais treinar na base do ódio. Quer treinar na base do amor.
Durante anos a cultura fitness vendeu a ideia de que resultado exige sofrimento. Treino exaustivo, rotina punitiva, qualquer pausa entendida como falta de disciplina. As pessoas continuam querendo emagrecer, ganhar força e se sentir bem com o próprio corpo. A diferença é que agora elas também consideram a experiência que existe durante o processo.
E aqui entra um ponto que eu escuto no consultório com uma frequência que assusta: muitas pacientes se sentem coagidas a treinar musculação por causa do ambiente. Academia cheia, olhares, sensação de estar sendo avaliada, insegurança com o próprio corpo em um espaço que deveria acolher. Não é falta de vontade. É desconforto real.
Essas mulheres encontraram no Pilates um porto seguro. Estúdios menores, turmas majoritariamente femininas, ambiente com menos pressão de performance. E sim, a estética dos estúdios, as fotos no espelho e o senso de pertencimento fazem parte do fenômeno. Não como superficialidade, mas como convite. Se isso inspira alguém a vencer o sedentarismo, é ganho de saúde pública.
Vale esclarecer um ponto técnico que costuma virar disputa desnecessária: musculação e Pilates não se substituem. Eles se complementam.
O Pilates está associado ao fortalecimento dos músculos de estabilização, à prevenção de lesões e ao controle corporal. A musculação atua de forma mais direta na hipertrofia e no ganho de força, com estímulo estruturado e progressão de carga. São propostas diferentes, com objetivos diferentes.
A melhor forma de conciliar as duas modalidades é praticar as duas.
O sucesso do Pilates diz menos sobre uma tendência passageira e mais sobre uma mudança de mentalidade. Muita gente está percebendo que não precisa escolher entre ter resultado e gostar da própria rotina, nem treinar como quem cumpre uma pena.
Ele apenas ocupou um espaço que a cultura da performance deixou vazio: o de uma atividade física que também faz bem enquanto está sendo praticada, e não somente quando o resultado aparece.
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