Tem um dado que bate diferente: quase 1 em cada 3 cursos de medicina avaliados ficou nas faixas mais baixas.
Na edição de 2025, 351 cursos foram avaliados e mais de 30% entraram em zona de alerta (conceitos 1 e 2), segundo a divulgação oficial do governo.
Mas o que essa nota mede?
O critério do exame é direto: qual porcentagem de concluintes atinge um nível mínimo de proficiência.
O próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira explica que o Enamed nasce para avaliar competências esperadas pelas diretrizes curriculares e unificar instrumentos que antes estavam espalhados (incluindo a parte do Enade de medicina).
E olha o que acontece com quem foi mal
Aqui o recado ficou mais duro: tem consequência regulatória.
Pelos critérios anunciados pelo Ministério da Educação, cursos com baixa proficiência podem sofrer desde redução de vagas até suspensão de novos ingressos, além de restrições relacionadas a programas federais.
Ou seja: não é só “nota feia”. É tentativa de frear uma máquina que pode estar formando gente sem lastro.

O dilema por trás do dilema
O Brasil está numa fase de “boom” de formandos. E o dado que deixa isso ainda mais sensível é a projeção: estudos de demografia médica indicam que o país pode chegar perto de 1,2 milhão de médicos por volta de 2035, com crescimento forte da força de trabalho médica.
Só que aqui entra a pergunta que ninguém quer responder no automático:
Formar mais médicos melhora a assistência… ou só aumenta o volume?
Porque medicina não é linha de produção.
É decisão clínica. É segurança do paciente. É humildade pra pedir ajuda. É supervisão de verdade.
Sem estrutura, hospital-escola, preceptoria e régua alta de competência, o risco é um só: a conta estoura no sistema e no paciente (e aí não tem jaleco que resolva).
O movimento do Conselho Federal de Medicina adiciona mais pressão
Pra piorar (ou “pra ajustar”, dependendo do lado), o CFM avalia medidas para impedir que parte dos recém-formados com desempenho muito baixo consiga registro para atender, segundo reportagens recentes.
É uma discussão espinhosa: de um lado, proteção do paciente. Do outro, o que fazer com quem já está no sistema, com diploma na mão, dívida no bolso e futuro travado.
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