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A nova geração dos ultraprocessados – fitness: proteína por si só não define a qualidade de um alimento

Você entra no mercado procurando uma opção prática. Na prateleira, encontra uma
barra com 20 g de proteína, um cookie enriquecido com whey, um sorvete “high
protein”. Diante de tantas promessas, a impressão é de que quanto mais proteína um
alimento oferece, melhor ele é.


Mas será que essa é a melhor forma de avaliar a qualidade nutricional de um
alimento?


Nos últimos anos, os ultraprocessados fitness ganharam espaço na rotina de quem
busca emagrecimento, ganho de massa muscular ou simplesmente mais praticidade. E,
junto com eles, surgiu uma tendência: avaliar um alimento quase exclusivamente pela
quantidade de proteína que ele contém.


No entanto, essa é uma forma bastante limitada de analisar a alimentação. A qualidade
nutricional de um alimento vai muito além de um único nutriente.


Um alimento é muito mais do que seus nutrientes


Ao avaliar a qualidade de um alimento, é importante considerar o conjunto de fatores
que o caracteriza: sua composição, seu grau de processamento, sua matriz alimentar e
o papel que desempenha dentro do padrão alimentar habitual.


Isso significa que dois alimentos podem fornecer quantidades semelhantes de
proteína, mas apresentar características nutricionais distintas.


A importância da matriz alimentar


Um conceito pouco discutido fora do meio científico é o de matriz alimentar. Ela
representa a estrutura natural do alimento e a forma como seus nutrientes estão
organizados e interagem entre si.


Quando consumimos alimentos como ovos, leite, iogurte natural, feijão ou carnes,
ingerimos proteínas acompanhadas de vitaminas, minerais, gorduras, fibras (quando
presentes) e diversos compostos bioativos. Essa combinação influencia processos como
digestão, absorção de nutrientes, saciedade e resposta metabólica.


Já nos produtos ultraprocessados, é comum que proteínas, fibras e outros
componentes sejam adicionados de forma isolada durante o processo de fabricação.
Embora isso aumente o teor de determinados nutrientes, a composição final continua
sendo diferente daquela encontrada em alimentos naturalmente ricos em proteína.


Por isso, avaliar um alimento vai além de observar quantos gramas de proteína ele
oferece. A forma como esse nutriente está inserido no alimento também faz parte da
sua qualidade nutricional.

Os ultraprocessados fitness têm espaço na alimentação?
Sim.


Esses produtos podem ser úteis em diferentes situações, especialmente quando há
necessidade de praticidade, dificuldade em atingir as recomendações proteicas ou em
estratégias nutricionais individualizadas.


O ponto de atenção é que eles não substituem os benefícios proporcionados por uma
alimentação baseada, prioritariamente, em alimentos in natura e minimamente
processados. Barras proteicas, shakes e snacks enriquecidos podem ser recursos
interessantes em momentos específicos, mas não devem ocupar o lugar das refeições
ou se tornar a principal fonte de nutrientes da dieta.


O que realmente deve orientar a escolha?


Mais importante do que perguntar quantos gramas de proteína um alimento possui é
refletir sobre a qualidade da alimentação como um todo.
Uma alimentação equilibrada é construída pela variedade, pelo consumo
predominante de alimentos in natura e minimamente processados e pelo equilíbrio
entre praticidade e qualidade nutricional.


Os ultraprocessados fitness podem fazer parte desse contexto, desde que sejam
entendidos como uma ferramenta para situações específicas, e não como a base da
alimentação. Afinal, quando o assunto é Nutrição, nenhum nutriente isolado é capaz
de definir, sozinho, a qualidade de um alimento.

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