A promessa de “menos tela, mais presença” começa a sair do discurso e virar produto. A Tin Can, fabricante de um telefone infantil sem tela inspirado nos antigos aparelhos fixos, acaba de captar US$ 12 milhões para escalar sua produção, impulsionada por uma lista de espera que já se aproxima de 100 mil pessoas.
Um telefone que só faz o básico
Lançados no ano passado, os dispositivos da Tin Can são coloridos, conectados ao Wi-Fi e feitos exclusivamente para chamadas. Nada de aplicativos, redes sociais ou notificações infinitas. Os aparelhos funcionam em uma rede privada e contam com um app complementar para os pais, onde é possível definir contatos autorizados e controles de uso.
A proposta é simples, mas poderosa: preservar a conexão humana eliminando o “ruído digital” viciante. Não por acaso, os dois primeiros lotes de produção se esgotaram rapidamente. Com mais de US$ 15 milhões arrecadados até agora, a empresa já se prepara para expansão internacional.
Pais querem limite, não isolamento
O timing não é coincidência. Estudos recentes têm associado o uso precoce e intenso de smartphones a maiores taxas de depressão, obesidade e distúrbios do sono entre jovens. Diante disso, muitos pais buscam alternativas que reduzam a exposição sem cortar totalmente a comunicação.
Além da Tin Can, marcas como Zalpha Mobile e Teracube também vêm ganhando espaço com celulares mais simples e controlados, pensados para crianças e adolescentes.
O movimento não é só infantil
Curiosamente, essa mudança não se limita às famílias. Cada vez mais adultos estão trocando smartphones por versões minimalistas, de telefones giratórios com design retrô a aparelhos “burros” pensados apenas para chamadas e mensagens básicas. É uma tentativa clara de recuperar foco, tempo e saúde mental.
Para onde isso aponta
Entre decisões institucionais, como a proibição de celulares em escolas de Nova York e o banimento de redes sociais para adolescentes na Austrália e escolhas individuais, um padrão começa a emergir: as pessoas estão buscando significado fora das telas.
Com cerca de um quarto da população mundial lidando com algum nível de dependência tecnológica, a chamada “contracultura analógica” deixa de ser nicho e começa a se consolidar como um novo pilar de bem-estar. E, ao que tudo indica, essa tendência veio para ficar.
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