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A pegadinha do Ozempic: seu anticoncepcional pode estar em risco?

Os medicamentos que viraram a nova febre do emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, são um verdadeiro game-changer para o controle de peso e diabetes. Mas eles trazem um efeito colateral que poucos comentam: a capacidade de interferir na eficácia de outros remédios que você toma, incluindo a pílula anticoncepcional e até analgésicos comuns.

Como assim, meu remédio para de funcionar?

O segredo está no mecanismo de ação desses medicamentos. Conhecidos como agonistas do GLP-1, eles funcionam como um “freio” para o sistema digestivo. Ao retardar o esvaziamento gástrico, a comida (e qualquer comprimido junto) permanece mais tempo no estômago antes de seguir para o intestino, onde a absorção acontece. Isso não significa que o remédio não será absorvido, mas que a velocidade com que ele entra na sua corrente sanguínea pode ser drasticamente reduzida.

O impacto real: pílula e analgésicos na mira

Para medicamentos que dependem de um pico de ação rápido, essa lentidão é um problema. Um estudo com a tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro) mostrou que ela pode reduzir em até 50% a concentração máxima de paracetamol no sangue, atrasando seu efeito em uma hora. O mesmo raciocínio vale para os anticoncepcionais orais. Esse atraso na absorção pode criar uma janela de vulnerabilidade, diminuindo temporariamente a proteção contraceptiva. Não à toa, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) já recomenda que mulheres em uso de tirzepatida busquem métodos contraceptivos alternativos.

O plot twist: fertilidade em alta

Paradoxalmente, enquanto a eficácia da pílula pode cair, a perda de peso promovida por esses medicamentos pode aumentar a fertilidade natural. Ao regular hormônios e melhorar os ciclos menstruais, eles criam um cenário mais favorável para a concepção. A combinação de menor eficácia contraceptiva com um aumento da fertilidade é um ponto de atenção que exige diálogo transparente com seu médico. O recado é claro: a tecnologia é uma aliada poderosa do bem-estar, mas exige uma visão integrada da nossa saúde. Ajustar a rotina e entender as interações é a chave para extrair o melhor dos dois mundos.

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