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A pessoa mais velha do mundo acaba de completar 117 anos, e a receita dela não cabe em nenhum protocolo

Esqueça o painel de oitenta biomarcadores e a pilha de suplementos. A pessoa mais velha do mundo acaba de completar 117 anos e resume a própria longevidade em três hábitos que não custam nada. Ethel Caterham, nascida em 21 de agosto de 1909 num vilarejo do sul da Inglaterra, se tornou nesta sexta-feira a primeira britânica da história a chegar a essa idade, segundo o Guinness World Records. Ela evita discussões, escuta o que os outros têm a dizer e faz aquilo que gosta.

Uma vida que atravessou dois séculos de mudança

Ethel nasceu cinco anos antes da Primeira Guerra Mundial. Aos 18 anos, em 1927, embarcou sozinha num navio rumo à Índia britânica, três semanas de viagem, para trabalhar como babá de uma família inglesa. Voltou, casou com Norman Caterham na Catedral de Salisbury em 1933, viveu em Hong Kong e em Gibraltar, montou uma creche bilíngue no caminho. Ficou viúva em 1976, herdou o carro do marido e dirigiu até os 97 anos.

Ela herdou o título de pessoa mais velha do mundo em abril de 2025, após a morte da freira brasileira Inah Canabarro Lucas, aos 116. Sobreviveu à Covid-19 quando tinha 110 anos, em 2020, o que a torna a pessoa mais velha conhecida a superar a doença. Hoje está entre as apenas treze pessoas já registradas na casa dos 117. O recorde absoluto segue com a francesa Jeanne Calment, que viveu 122 anos e 164 dias.

O ativo que nenhum wearable mede

Traduza as três regras dela para linguagem de mercado e você tem regulação do estresse, vínculo social e autonomia. Nenhuma delas aparece num relatório de sono ou num exame de sangue, e são exatamente as variáveis que a indústria da longevidade tem mais dificuldade de empacotar.

Aí mora a oportunidade. O setor investiu pesado em diagnóstico e personalização, o que é bom, mas a camada relacional continua subatendida. Programas que criam comunidade, propósito e senso de controle sobre a própria rotina tendem a segurar gente por mais tempo do que qualquer painel de métricas. Retenção, no fim, é um problema de vínculo antes de ser um problema de produto.

O Brasil está nesse mapa

Vale lembrar quem mandou parabéns a Ethel no aniversário. João Marinho Neto, de 113 anos, o homem mais velho do mundo, é brasileiro. O país que ainda discute infraestrutura de cuidado para idosos já ocupa o topo do ranking global de longevidade, e essa é uma sinalização de mercado que poucos operadores leram até agora.

Envelhecer bem deixou de ser história de família e virou categoria econômica. Cada ano a mais de vida ativa é um ano a mais de consumo de saúde, movimento, alimentação e serviços de cuidado.

Longevidade não veio de fórmula complexa nesse caso. Veio de relações saudáveis, aceitação e uma vida que ela escolheu viver do próprio jeito. É a prova de que o mercado que vende anos extras precisa aprender a vender também o que preenche esses anos.

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