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Anvisa assina acordo com o Paraguai para reforçar fiscalização de canetas emagrecedoras

A fronteira com o Paraguai virou o principal campo de batalha do mercado de emagrecimento no Brasil. A Anvisa assinou, em 20 de agosto, em Brasília, um acordo com a Dinavisa, a agência sanitária paraguaia, para apertar o cerco contra o contrabando de canetas emagrecedoras. Pelo acordo, a Dinavisa passa a repassar informações que ajudam a Anvisa em fiscalizações, investigações e apreensões.

Um mercado paralelo que não para de crescer

Os números explicam por que a Anvisa decidiu entrar em quadra. Até junho de 2026, a Polícia Federal apreendeu 165.589 emagrecedores, somando canetas, ampolas e frascos. Em todo o ano de 2025, tinham sido 60.865 unidades. Ou seja, antes mesmo de fechar o semestre, o volume já é mais que o dobro do ano anterior inteiro, uma alta de 172%.

A maior parte desse material vem do Paraguai, com tirzepatida e semaglutida sem registro no Brasil. Hoje, só a tirzepatida da Eli Lilly e as versões manipuladas sob regras específicas têm aval para circular. Marcas paraguaias como Lipoless, Tirzec, Gluconex e TG estão proibidas.

O preço é o motor do contrabando

A versão aprovada no país custa cerca de R$ 1,4 mil por mês. A paraguaia sai por R$ 460, menos de um terço. Quando a diferença é desse tamanho, muita gente faz a conta e aceita o risco. Para quem atua no mercado de bem-estar, o recado é claro. Existe uma demanda enorme por tratamento acessível, e ela está sendo atendida fora do sistema.

A disputa já chegou aos tribunais. O g1 identificou ao menos 12 ações, e em cinco delas juízes liberaram a importação para uso pessoal. A Anvisa recorre com um argumento técnico. Esses produtos nunca foram avaliados no Brasil e precisam ficar refrigerados desde a fábrica, algo que o transporte ilegal simplesmente não garante.

O custo que não aparece na etiqueta

Enquanto a briga segue, o radar de segurança continua ligado. As notificações de reações adversas à tirzepatida somam 545 desde 2023, com 44 mortes ainda sob investigação. É um campo minado para o paciente e também para a reputação de uma categoria que movimenta cada vez mais atenção e dinheiro.

É a prova de que o boom das canetas emagrecedoras não é só uma corrida por inovação. É também uma corrida por acesso. Quem conseguir unir segurança sanitária e preço viável vai ditar as regras desse jogo. Até lá, remédio mais barato sem controle sanitário pode sair caro, e a conta chega para a saúde.

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