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Aplicato criado pela USP para tratar ansiedade e depressão acaba de ser implatado no SUS

O gargalo da saúde mental no Brasil nunca foi só falta de diagnóstico. É falta de acesso. Um aplicativo criado na Faculdade de Medicina da USP para tratar ansiedade e depressão acaba de chegar às 18 Unidades Básicas de Saúde de Indaiatuba, no interior de São Paulo, e mostra como a tecnologia pode encurtar esse caminho dentro do SUS.

Como o Conemo funciona?

O Conemo, de CONtrole EMOcional, foi desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), sediado na Faculdade de Medicina da USP e apoiado pela Fapesp. O foco são adultos com sintomas leves a moderados de ansiedade e depressão, e o app também tem uma jornada voltada para insônia.

A base é a terapia cognitivo-comportamental, especialmente a ativação comportamental, técnica que estimula a pessoa a retomar atividades prazerosas ou significativas no dia a dia. O conteúdo chega em jornadas semanais com áudios, textos e vídeos, organizadas em sete módulos. Num ensaio clínico publicado na JAMA, uma das revistas médicas mais respeitadas do mundo, o app reduziu sintomas de depressão.

O acesso é simples. O paciente escaneia um QR Code nos cartazes da UBS e passa por uma triagem automática. Se o sistema identificar risco de suicídio, a equipe de saúde é avisada na hora.

Por que o encaixe na atenção básica é a grande sacada?

O diferencial do Conemo não está só no conteúdo, está no lugar onde ele opera. O app foi pensado para funcionar dentro da estratégia de saúde da família, vinculado à unidade de referência de cada paciente. Ele não é mais um app solto na loja disputando atenção com milhares de outros. É uma extensão do posto de saúde.

Isso muda a conta. A terapia digital absorve casos leves e moderados e alivia a fila de atendimento, enquanto psicólogos e psiquiatras ficam livres para quem realmente precisa deles. O Conemo não substitui esses profissionais. Quadros mais graves seguem exigindo acompanhamento especializado.

O tamanho do problema

A demanda é gigantesca. No Brasil, só 25% dos adultos com ansiedade ou depressão recebem tratamento adequado. Em 2025, 546 mil brasileiros foram afastados do trabalho por transtornos mentais, com depressão e ansiedade no topo da lista. Para as empresas, isso é produtividade perdida. Para o sistema público, é custo crescente.

O projeto tem parceria com a prefeitura de Indaiatuba, a Unicamp e o Centro Universitário UniMAX, e o estudo de implementação também inclui a cidade vizinha de Jaguariúna. O próximo passo é criar uma startup na USP para levar o app a municípios de todo o país. É ciência pública virando produto escalável.

Num mercado de saúde mental digital lotado de soluções pensadas para quem já pode pagar, o Conemo faz o caminho inverso e começa por quem mais precisa. É a prova de que escala em bem-estar não depende só de tecnologia sofisticada, mas de colocar a ferramenta certa no ponto certo da jornada do paciente.

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