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Aspirina em baixas doses pode aumentar o risco de mortalidade por câncer

Por anos, a aspirina de baixa dose teve um status meio “mítico” na prevenção: coração, vasos e até câncer.

Só que a ciência está colocando esse hábito no lugar certo.

Um estudo publicado na JAMA Oncology (usando dados do grande ensaio ASPREE) mostrou um recado bem direto para idosos saudáveis: tomar aspirina todo dia não reduziu a incidência de câncer e, no período observado, esteve associada a maior mortalidade por câncer.

O que foi o ASPREE, na prática

Estamos falando de um ensaio clínico com ~19 mil pessoas, na Austrália e nos EUA, em geral com 70+ anos (com algumas inclusões a partir de 65 em grupos específicos), acompanhadas por anos, comparando aspirina 100 mg/dia vs placebo.

No seguimento analisado, a aspirina:

  • não diminuiu o risco geral de “ter câncer”
  • mas apareceu ligada a pior desfecho em mortalidade por câncer durante o período do estudo

“Mas aspirina não era ‘boa’ contra câncer?”

A história é mais sutil.

Parte dos estudos antigos sugeria benefícios mais à frente (tipo 10 anos) e muito focados em alguns cânceres, especialmente colorretal, só que a idade muda o jogo.

Em adultos mais velhos, os mecanismos (inflamação, coagulação, microambiente tumoral, fragilidade do organismo) podem fazer a interferência virar efeito colateral de contexto, não “proteção”.

Então devo largar a aspirina?

O ponto é: não faz sentido começar aspirina por conta própria “para prevenir câncer” depois dos 65/70.

Isso conversa com recomendações atuais que já ficaram mais conservadoras com aspirina em prevenção primária (sem doença cardiovascular prévia), por causa do balanço risco–benefício.

Se você já usa aspirina por orientação (ex.: indicação cardiovascular), o caminho é simples:
converse com seu médico antes de mudar qualquer coisa.

A prevenção que dá resultado real

Quando a “pílula mágica” perde força, o básico volta a ser protagonista:

  • não fumar
  • álcool com limite
  • alimentação com mais plantas e menos ultraprocessados
  • atividade física regular
  • sono, peso, pressão, glicemia
  • rastreamentos e check-ups na hora certa

É menos sexy, mas muito mais real.

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