Anvisa manda apreender canetas de tirzepatida e retatrutida vendidas sem registro

A febre das canetas emagrecedoras ganhou mais um capítulo, agora no campo regulatório. A Anvisa determinou a proibição e a apreensão de canetas e frascos com tirzepatida e retatrutida comercializados sem registro sanitário no Brasil. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (14). Quem entrou na mira? A agência proibiu a fabricação, a importação, a venda, a distribuição, a propaganda e o uso dos produtos anunciados nos sites Peptídeos do Brasil, Oxygen KWP Pharma Brasil e ZPHC Store. A fiscalização também alcançou a plataforma Zyntrashop. A CNN Brasil cita ainda a Liberty Pharma e informa que parte dessas empresas não tem CNPJ cadastrado na Receita Federal. O alcance vai além dos nomes citados. A determinação vale para todos os lotes e se estende a qualquer outro comércio que venda esses produtos sem registro. A apreensão não se aplica a quem importa como pessoa física, exclusivamente para consumo próprio. Mounjaro de verdade ou produto de site? A tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, indicado para diabetes tipo 2 e obesidade. No Brasil, só a Eli Lilly pode vendê-la. Segundo a Anvisa, os itens encontrados nos sites investigados não correspondiam à versão aprovada pelo órgão. A retatrutida é outro caso. Ela atua em três hormônios ao mesmo tempo, GLP-1, GIP e glucagon, e ainda está em estudo. A própria Anvisa alerta que ela não está aprovada em nenhum país. Ou seja, qualquer venda é ilegal. A lista da agência inclui também outros injetáveis sem registro, como BPC-157, GHK-Cu e TB-500. O que esse movimento diz sobre o mercado? A demanda por canetas cresceu mais rápido do que o acesso ao produto regulado. Nesse vácuo, prosperou um mercado paralelo de “peptídeos” vendidos online, com cara de farmácia e zero garantia de conteúdo, dose ou qualidade. A Anvisa vem apertando o cerco em sequência. Um dia antes, uma resolução já havia proibido a comercialização e a manipulação de um lote de tirzepatida da Farmausa Pharmaceutical, que descumpriu ordem anterior de destruição do produto. Para quem atua no setor, o recado é claro. Clínicas, farmácias e marcas que surfam a onda dos agonistas de GLP-1 vão precisar provar procedência. O mercado do emagrecimento do futuro é menos atalho e mais rastreabilidade. Em um setor movido por promessas, a confiança virou o ativo mais valioso do jogo. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Correr estraga o joelho? A resposta surpreende quem nunca correu

A frase “corrida acaba com o joelho” é repetida há décadas. Só que quem corre tem menos artrose do que quem fica parado, e o motivo é mais simples do que parece. Todo corredor já ouviu. Do tio no almoço de domingo, do colega de trabalho, às vezes até de quem deveria saber mais. “Cuidado, corrida acaba com o joelho.” A frase parece lógica. Milhares de passos, impacto, pé batendo no chão. Faz sentido imaginar que uma hora o joelho simplesmente acaba. Só que quando os pesquisadores foram olhar os joelhos de verdade, encontraram o oposto. Quem corre tem menos artrose do que quem fica parado Não é força de expressão. É o que aparece nos números. Uma grande revisão científica que reuniou mais de 114 mil pessoas encontrou artrose em 3,5% dos corredores amadores. Entre os sedentários, o índice foi de 10,2%. Quase três vezes mais. Outro estudo foi atrás de gente com muita quilometragem nas pernas: 675 maratonistas ativos, com quase 20 anos de corrida em média. Resultado? Menos artrose do que a população geral da mesma idade e do mesmo peso. Metade, aproximadamente. E o mais curioso: correr mais quilômetros por semana ou ter feito mais maratonas não aumentou o risco. O joelho de quem corre envelhece melhor do que o joelho de quem senta. O erro está na comparação com o pneu A gente imagina a cartilagem do joelho como a borracha de um pneu: cada quilômetro rodado gasta um pouquinho, até acabar. Mas o corpo não é um carro. Cartilagem é tecido vivo, e tecido vivo responde ao uso. Cada passo comprime e descomprime a articulação, e é justamente esse movimento que leva nutrição e lubrificação para dentro dela. Parar de usar não preserva o joelho. Enfraquece. O joelho não aguenta o impacto sozinho Aqui está a parte que muda tudo. O joelho não é quem absorve o tranco da corrida. Quem faz esse trabalho são os músculos ao redor: coxa, glúteo, posterior e panturrilha. Os tendões funcionam como molas, guardando energia na hora que o pé toca o chão e devolvendo na saída. Quando essa estrutura está forte, o joelho recebe só uma parte da força. Quando está fraca, sobra tudo para a articulação. É por isso que o mesmo exercício de fortalecimento usado para tratar quem já tem dor no joelho é o que protege quem ainda não tem. O que realmente machuca não é a corrida São três coisas, e nenhuma delas é o impacto: Pressa. Aumentar distância ou ritmo rápido demais. O corpo se adapta, mas no tempo dele. O fôlego melhora em poucas semanas; o tendão demora bem mais. É por isso que a perna reclama quando a respiração já estava tranquila. Falta de força. Duas vezes por semana de treino de força para as pernas mudam completamente o cenário. Agachamento, avanço, elevação de panturrilha, exercícios de glúteo. Com carga de verdade e progressão, não com caneleira leve por 40 minutos. Lesão antiga mal resolvida. Um ligamento ou menisco machucado que nunca foi tratado direito altera o funcionamento do joelho. Aí, sim, o risco cresce, mas o problema já estava lá antes da corrida. Uma ressalva honesta: atletas profissionais, que treinam em volumes muito altos, têm mais artrose do que corredores amadores. Os extremos são os pontos de risco. Não correr nada, ou correr como profissional. No meio, onde está praticamente todo mundo, é o lugar mais seguro. A pergunta certa “Correr estraga o joelho?” não é uma boa pergunta. A boa pergunta é: meu joelho está preparado para a corrida que eu quero fazer? Se não estiver, a solução não é parar. É fortalecer, aumentar a carga com calma e continuar correndo. Porque o joelho não se desgasta por ser usado. Ele se desgasta por ficar parado, por falta de preparo e por pressa. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/