O que Los Angeles já entendeu sobre wellness que o Brasil ainda está aprendendo

Não é sobre yoga, gelo ou academia. É sobre como cada espaço ocupa um papel claro dentro da rotina e da vida social das pessoas. O erro mais comum ao olhar para o wellness em cidades como Los Angeles é tentar entender os espaços pelo que eles oferecem. Yoga, gelo, sauna, recovery, academia. Mas essa leitura é bem superficial, por que o que realmente diferencia esses lugares não é o produto. É o papel que cada um ocupa dentro da rotina das pessoas. Visitei mais de quinze espaços de bem-estar em LA e entendi uma coisa importante: a capital do wellness não é uma cidade onde todo mundo é saudável ou frequenta vários estúdios diferentes. É uma cidade que criou estrutura suficiente para quem escolheu esse caminho conseguir viver dentro dele com mais qualidade e profundidade. Existe uma diferença entre um mercado que oferece wellness e uma cidade que criou infraestrutura para ele. E, quando você observa com atenção, começa a fazer mais sentido. Espaços como Open não são sobre volume de prática. São sobre profundidade. Um ambiente mais interno, mais sensorial, com foco em experiências como sound healing, respiração e presença. Não é o lugar da intensidade, é o lugar da desaceleração consciente. Outros seguem um caminho mais específico, mas igualmente estratégico. Sweat, CorePower e Hot 8 são focados em yoga aquecida, com diferentes níveis e intensidades. São espaços de prática consistente. Menos dispersão, mais repetição, mais construção. Já espaços como Quantum vão além. Misturam tecnologia com práticas tradicionais. Yoga, gelo, sauna, massagem, recovery. É talvez um dos formatos mais completos, onde o wellness se aproxima de um sistema. Não é só treino, não é só recuperação. É uma estrutura pensada para o corpo como um todo. Indo para outro segmento, o Remedy, por exemplo, não é sobre treino. É sobre recuperação. Tecnologia aplicada ao corpo. Compressão, estímulos, protocolos. Um espaço onde o foco não é performar, mas sustentar a performance. Isso mostra que o wellness não precisa ser tudo ao mesmo tempo. Ele pode ser específico, desde que seja claro. O mesmo acontece com espaços como Likeminded, Den Mother e Teddy’s. Lugares com gelo, sauna, muitas vezes ao ar livre, com menos formalidade e mais foco em convivência. A prática existe, mas o que sustenta mesmo é o social. E isso é muito interessante de observar, por que apesar das diferenças de proposta, todos esses espaços compartilham um ponto em comum: eles fazem parte da rotina daquelas pessoas. Não são eventos, não são exceção, e não são algo que a pessoa faz de vez em quando. São lugares onde as pessoas voltam e procuram. E isso é o que constrói comunidade de verdade. Mesmo academias mais tradicionais e de alto padrão, como Equinox, Hume e Heimat, já operam dentro dessa lógica de lifestyle. Não é só treino. É ambiente, estética, convivência, identidade. O wellness, aqui, ja deixou de ser uma prática isolada e virou uma comunidade Cada espaço cumpre uma função. Treinar, recuperar, socializar, desacelerar. E as pessoas transitam entre eles com naturalidade, quase como quem muda de ambiente ao longo do dia. Não é sobre ter o melhor estúdio, ou vender mais aula, nem sobre criar um espaço bonito. É sobre entender comportamento, saber quando a pessoa quer intensidade e quando quer pausa. Quando quer performance e quando quer pertencimento. E, principalmente, sobre criar lugares onde ela queira estar mesmo quando não precisa. E é exatamente aqui que entra o ponto que mais me chamou atenção olhando para o Brasil. O Brasil já avançou muito na estética do wellness. Temos espaços lindos, experiências bem construídas, ambientes pensados, marcas fortes surgindo. Mas ainda estamos, em grande parte, focados na entrega da experiência, e isso sozinho… não sustenta. O que ainda está em construção é a consistência de comportamento. A capacidade de fazer com que o wellness deixe de ser algo pontual e se torne parte real da rotina das pessoas. E muito legal que existe uma lógica de evento, de experimentar, e de querer viver a novidade. Porem menos de pertencimento e menos frequência. E acredito que isso é uma fase de maturidade de mercado, ate porque construir comunidade exige tempo, repetição e exige clareza de posicionamento. E talvez exige, abrir mão de querer ser tudo para todo mundo. Los Angeles me mostrou que quando o cliente entende onde ir para cada necessidade, é quando o wellness deixa de ser consumo e passa a ser estilo de vida.
Retiros não são tendência. São posicionamento.

Depois de cinco anos conduzindo experiências em Alter do Chão, eu entendi que retiros não são fuga e muito menos moda. São estratégia de construção de comunidade, e comunidade é o ativo mais valioso de qualquer marca de wellness. Retiros estão em alta, viraram tendência. Mas tendência não sustenta negócio, vínculo sustenta. Há cinco anos levo mulheres para Alter do Chão. O que começou como uma experiência virou parte fundamental do ecossistema da minha marca. E ao longo desse tempo, ficou claro: retiro não é produto isolado. É quase uma ferramenta de aprofundamento. O mercado de wellness cresceu exponencialmente isso todo mundo já sabe. A economia da experiência substituiu a lógica da simples e antiga prestação de serviço. As pessoas já não buscam apenas aula e treino. Elas buscam contexto, pertencimento e até propósito. E é isso que um “retiro” bem pensado entrega. Recentemente ampliei o calendário: edição para mulheres, edição para casais, além de destinos como Trancoso, Chapada e Preá. Cada formato atende uma necessidade específica de público, e isso não é atoa, é basicamente leitura de comportamento. Mulheres buscam espaço seguro de expansão e pertencimento, casais buscam pausa e reconexão fora da rotina e pessoas mais maduras buscam reinvenção. Quando você entende isso, o retiro deixa de ser “viagem” e passa a ser extensão estratégica da marca. Eu vivi quatro anos como “nômade”. Viajei o mundo. E sempre que conto isso, surge a mesma pergunta: “Por que você parou?” Existe uma romantização da liberdade do viajante. Como se movimento constante fosse sinônimo de sucesso. Mas no mercado, e na vida, profundidade vale mais que deslocamento. Viajar me ensinou a expandir e “voltar” me ensinou a construir. E é exatamente isso que um retiro faz com uma marca física. Ele amplia alcance, aprofunda relacionamento e aumenta o tempo de conexão com o cliente. Uma aula dura uma hora. Um retiro dura dias. Mas o impacto pode durar anos. Quando alguém vive uma experiência imersiva, ela retorna para o estúdio com outro nível de entendimento e a retenção aumenta. O retiro cria consciência, o estúdio cria constância. E juntos, eles constroem comunidade, que pra mim é o ativo mais sustentável que existe dentro do wellness. Não se trata apenas de faturamento pontual de viagem. Trata-se de posicionamento e mostrar que a marca não entrega só serviço, entrega transformação contextualizada. O futuro do wellness não está apenas em protocolos, suplementos ou equipamentos, está na capacidade de criar experiências que integrem corpo, mente e relações. Retiros não são fuga ou escapismo, como muitos acham, eles ampliam os propósitos. E talvez o maior aprendizado desses cinco anos seja esse: Wellness forte não é o que se move o tempo inteiro. É o que cria raiz suficiente para crescer.
Por que não é falta de disciplina e sim a fase da vida em que você está?

Não é falta de disciplina. É a fase da vida em que você está. Vivemos como se a vida fosse linear, mas ela é cíclica, e cada ciclo pede uma estratégia emocional diferente. Hábitos não falham sozinhos; eles falham quando não conversam com a fase que estamos vivendo. Existem ciclos de performance, reconstrução, expansão, recolhimento e reorganização silenciosa, cada um com uma exigência emocional própria. A disciplina funciona na performance; o descanso serve na cura; o foco ajuda na expansão; a introspecção guia o caos; a leveza acolhe a retomada. Forçar um hábito na fase errada é como exigir força quando a mente está pedindo recuperação: a intenção é boa, mas o contexto derruba. As pessoas confundem falta de disciplina com falta de energia emocional compatível, mas a capacidade não desaparece; o que muda é a habilidade de sustentar. Isso explica por que tantas metas morrem em fevereiro: elas ignoram a fase, ignoram o corpo e ignoram o momento psíquico. Hábitos não são mecânicos, são biográficos. Os desafios de 21 dias funcionam porque oferecem estrutura, início e direcionamento para cérebros sobrecarregados; eles não transformam tudo, mas destravam o que estava parado. Para alguns, o desafio é treinar; para outros, comer bem; para muitos, é simplesmente se reconectar, ligar para alguém, socializar de novo. Sempre haverá um pilar negligenciado, e isso é humano. A pergunta não é qual hábito você não tem, mas qual hábito sua fase atual consegue sustentar. A fase determina o esforço, e a mudança começa com um compromisso pequeno. No fim, somos feitos de ciclos, e reconhecer o ciclo atual é o que torna qualquer hábito sustentável. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
O começo de tudo: o primeiro exercício que muda sua relação com o corpo.

Toda pessoa que hoje vive movimento com naturalidade — quem treina, corre, nada, pedala, faz musculação, sobe montanha ou entra numa sala de hot yoga — começou pelo mesmo ponto: o primeiro exercício que fez sentido. Ninguém começa amando treinar; no início, o treino é um conceito. O corpo não se apaixona por conceito, ele se apaixona por experiência. Para muitos, o primeiro contato veio em uma aula coletiva como Velocity, power jump, dança, bike indoor ou circuito, com música alta, luz baixa e energia coletiva. Ali, o corpo sente pela primeira vez algo parecido com liberdade, pertencimento ou euforia, e isso vira gatilho. Outros descobrem o despertar no jiu-jitsu, que vira disciplina; no pilates, que vira consciência corporal; na corrida, que vira meditação; na yoga, que vira autocontrole; no gelo, que vira presença; no cross, que vira força. Poucas pessoas começam pelo exercício ideal; elas começam pelo que acende algo dentro. Esse primeiro gosto abre espaço para musculação, mobilidade, cardio, descanso, nutrição e rotina. A fase da vida importa: humor, rotina, psicológico, idade, peso, ciclo hormonal, autoestima e contexto emocional moldam o que funciona. O que funciona aos 20 não funciona aos 30; o que encaixa na maternidade não encaixa na fase de empreender; o que faz sentido no caos não faz sentido na cura. Muita gente acha que não gosta de treinar, mas na verdade só não encontrou o movimento que conversa com a fase atual. Quem se apaixona pela sensação volta; quem volta cria rotina; quem cria rotina expande. A pergunta não é qual treino você deveria fazer, mas qual sensação você está buscando agora. Essa resposta é o começo de tudo. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
O luxo invisível é na verdade, coletivo.

O conceito de wellness é amplo, diverso e, mais do que nunca, coletivo. No meio de tanto barulho e tanta métrica, o verdadeiro luxo é conseguir se conectar, com o corpo, com os outros e mais….com o momento presente. Será que o bem-estar virou mais um produto para consumir do que um caminho para a experiência de viver? Essa pergunta abriu uma das falas mais potentes do Festival wellness que presenciei, e ficou ecoando na minha cabeça nas horas seguintes. Falar de wellness hoje virou moda, tendência, hype. Mas o que é, afinal, o bem-estar? A resposta é simples e complexa ao mesmo tempo: depende. O wellness é amplo e se manifesta de formas diferentes em cada pessoa. Pra uns, é correr 10 km. Pra outros, é meditar. Pra alguns, é simplesmente conseguir dormir bem ou dizer “não” sem culpa. Mas tem algo nisso que é universal: ninguém vive bem-estar sozinho. E talvez esse seja o grande ponto que a gente tenha esquecido no meio de tanta individualização. Em meio a tantas palestras e podcast que eu consumo, ouvi dados que reforçam isso, a OMS criou, em 2023, a comissão de Social Connection, reconhecendo a saúde social como prioridade global de saúde pública. Eles apontam que a solidão crônica já é uma das maiores ameaças à longevidade, mais perigosa até que o sedentarismo. E o filósofo Byung- Chul Han escreveu: “O ritmo imposto pela lógica digital reduz a profundidade das experiências e dificulta a construção de vínculos duradouros.” Vivemos tempos em que até o bem-estar foi metrificado: passos, sono, batimento e a respiração. Temos dados para quase tudo, menos para o que realmente importa: a qualidade dos nossos vínculos, a leveza das nossas interações com a amigos e familiares, e a sensação de estar presente. Eu digo presente de verdade. O problema não está nas métricas (elas são incríveis), O complicado está em substituir o sentir pelo controlar ou “monitorar”. O novo luxo não é ter o melhor Garmin. É conseguir silenciar o barulho interno, é olhar procorpo não como um objeto de performance, mas como um portal de consciência. E mais do que isso: é lembrar que o bem-estar é relacional. E A socialização agora aparece de forma que precisa ser estimulada, porque é ali que a saúde emocional e o sentido de pertencimento aparece, aspessoas estão voltando a buscar presença coletiva, nas trilhas, nas aulas, nos retiros, nos workshops de argila e pintura. Fazer tudo sozinho, em casa, já não basta. Temos que falar sobre o bem estar como entendimento que corpo, mente e relações são um mesmo ecossistema. E que o verdadeiro luxo invisível está na simplicidade de estar presente, consigo e com os outros. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
O wellness é o novo sustentável?

Depois de anos ouvindo sobre sustentabilidade, o mundo encontrou um novo rótulo para parecer consciente: o bem-estar. Mas, mais do que uma tendência, o wellness está amadurecendo, saindo da estética e voltando para a essência. Sim, o wellness é o novo sustentável, mas não no sentido raso do marketing. Assim como, a sustentabilidade precisou evoluir do discurso para a prática do dia a dia, o bem-estar vive agora o mesmo desafio: amadurecer e se tornar realmente parte da rotina. O ponto é o mesmo, fazer com que o bem-estar vá além do discurso e se torne prática real. Nos anos 2000, toda marca queria ser sustentável. Ser “eco” era sinônimo de consciência… até que o verde virou também embalagem. Agora, tempos depois, o mesmo está acontecendo com o wellness. Saímos do “carbono zero” e entramos no “self-care”. Tudo é clean, mindful, natural. Mas será que estamos realmente vivendo mais bem-estar… ou apenas vivendo a pressão de estar sempre bem? Entre painéis sobre social wellness e saúde mental, essa discussão ficou evidente. E uma frase me marcou profundamente: “Quantos estão usando o wellness como artifício de comunicação para fazer as pessoas consumirem ainda mais um bem-estar produtizado?” Essa pergunta é necessária, porque o wellness, hoje, é tanto um movimento orgânico quanto um mercado em expansão. E isso não é ruim. O mercado do bem-estar está crescendo, e isso é ótimo. Quando uma marca fala de saúde mental, cria produtos com propósito ou incentiva práticas conscientes, ela está ajudando a levar o wellness para mais pessoas. O desafio está em como isso é feito. Quando o produto vira extensão de um estilo de vida coerente, ele deixa de ser artifício e passa a ser ferramenta. O que transforma não é o colágeno, o tapete ou o aplicativo em si, mas o convite que eles representam: o de cuidar de si, de estar presente, de criar rituais que façam sentido com a rotina e o estilo de vida de cada pessoa. O problema aparece quando o bem-estar é vendido sem reflexão, quando o discurso de leveza vem disfarçado de pressão. Mas quando existe coerência entre o que se comunica e o que se vive, o consumo deixa de ser superficial e passa a ser uma ponte. O wellness amadurece justamente aí: quando o mercado e as pessoas entendem que não é sobre vender o ideal de estar bem (muitas vezes até inalcançável, principalmente quando se usa a rede social como referência), e sim facilitar o caminho para que mais pessoas consigam se sentir bem de verdade. O bem-estar vende, e isso é fato. E ótimo rs. Ele está nas garrafas de matcha, nas roupas esportivas minimalistas, nos shots de colágeno, nos aplicativos de respiração e até nas planilhas de sono. Vale lembrar que, no meio de tantos estímulos e marcas “wellness”, não podemos nos perder da essência: o sentir. Assim como o “sustentável” precisou amadurecer, sair do marketing e virar prática de rotina, o wellness também precisa dessa evolução. Porque o bem-estar não se compra, se constrói. E, embora o caminho às vezes sejal longo, os produtos e ferramentas podem sim facilitar e encurtar essa jornada. O problema é quando passamos a acreditar que o produto substitui o essencial: quando o suplemento toma o lugar do descanso e o relógio, o da percepção do próprio corpo. O wellness não é uma fórmula única que funciona para todos. Ele acontece no tão esperado descanso, no corpo em movimento e nasconversas reais (longe das telas). O futuro do bem-estar, o real bem-estar, vai pertencer a quem souber equilibrar tecnologia e presença, ciência e sensibilidade. E talvez o maior amadurecimento do wellness esteja justamente nisso: em voltarpara o que é humano, simples e essencial. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/