VO₂ Máximo: o marcador mais forte de longevidade que quase ninguém mede

Por que a aptidão cardiorrespiratória virou “sinal vital” — e o que os relógios não contam sobre sua real capacidade física? Se eu tivesse que escolher um único número para estimar seu risco de morte precoce, não seria seu colesterol. Nem sua glicose. Muito menos o seu peso. Seria o seu VO₂ máximo. O VO₂ máximo mede sua capacidade de captar, transportar e utilizar oxigênio durante o exercício. Em termos simples: é o máximo que seu “motor” cardiovascular aguenta entregar de energia quando você exige dele. Quanto maior, melhor. E não estamos falando apenas de performance esportiva — estamos falando de longevidade. Em 2016, a American Heart Association publicou um posicionamento histórico propondo que a aptidão cardiorrespiratória fosse considerada um novo sinal vital. O motivo? Estudos robustos mostram que pessoas com maior VO₂ máximo vivem mais e têm menor risco de doenças cardiovasculares, câncer e mortalidade geral. Uma análise publicada no JAMA Network demonstrou que indivíduos com baixa aptidão física tinham risco de morte comparável — ou até maior — que fumantes e diabéticos. E entre pessoas com um ou mais fatores de risco cardiovascular (tabagismo, diabetes, colesterol alto), aquelas com maior VO2 máximo têm melhor prognóstico. Isso muda o jogo. A maior parte dos médicos avalia pressão arterial e frequência cardíaca em toda consulta, mas se esquece de avaliar formalmente a capacidade cardiorrespiratória. É como avaliar a saúde de um carro olhando apenas a lataria, sem nunca abrir o capô para avaliar o motor. Outro ponto interessante é que muitas doenças só se manifestam no esforço. E nesses casos, a análise em repouso pode gerar uma falsa segurança. O problema dos números “de pulso” Com a popularização dos smartwatches, muita gente passou a acompanhar o “VO₂ máximo” pelo relógio. A intenção é ótima. O problema é a precisão. Relógios e aplicativos estimam VO₂ com base em fórmulas matemáticas que combinam frequência cardíaca, velocidade, idade e peso. São estimativas indiretas. Funcionam razoavelmente para acompanhar tendências em pessoas jovens e saudáveis, mas erram — e erram bastante — em indivíduos com alterações metabólicas, uso de medicações ou menor condicionamento. A diferença pode chegar a 15–20%. E isso, clinicamente, é enorme. Não dá para avaliar sua saúde com um método que pode errar tanto assim. Ergoespirometria: analisando o motor em funcionamento A medida padrão-ouro do VO₂ máximo é a ergoespirometria (teste cardiopulmonar de exercício). Nesse exame, o paciente corre ou pedala usando uma máscara que analisa diretamente os gases respiratórios. Não é uma estimativa. É uma medida real. A ergoespirometria permite identificar limiares metabólicos, eficiência ventilatória e possíveis limitações cardíacas ou pulmonares. É como transformar um simples “check engine” em um diagnóstico detalhado do sistema inteiro. Para quem busca diagnóstico cardiovascular, performance, emagrecimento ou longevidade, essa informação é estratégica. Treinar sem conhecer seus limiares é como dirigir no escuro: você pode até chegar lá, mas não pelo caminho mais eficiente. O que você pode fazer hoje A boa notícia? Diferente da genética, o VO₂ máximo responde ao treino. Ele pode aumentar 10%, 20% ou mais com estratégia adequada. Seu coração é um músculo treinável. E talvez o verdadeiro “segredo” da longevidade não esteja em um suplemento novo, mas na capacidade do seu corpo de usar oxigênio com eficiência. Porque viver mais é importante. Mas viver com energia é essencial. Referências:– American Heart Association. Cardiorespiratory Fitness as a Clinical Vital Sign. 2016.– JAMA Network. Association Between Cardiorespiratory Fitness and Long-term Mortality. 2018. Renata Castro é cardiologista do esporte, diretora da Ipanema Health Club e referência em ergoespirometria e saúde cardiovascular no Brasil.
O coração também entra em overtraining

Overtraining não é “treinar muito”: é o desequilíbrio entre sobrecarga treino e vida e recuperação, que derruba a performance e desorganiza o controle cardiovascular. Na rotina do esporte, é comum confundir cansaço normal com overtraining. O consenso da ECSS e ACSM descreve um espectro: functional overreaching queda breve de desempenho, com melhora após alguns dias, nonfunctional overreaching queda que se prolonga por semanas e, no extremo, a síndrome do overtraining, com recuperação que pode levar semanas a meses. A diferença central não é “quanto você treinou”, mas quanto tempo o desempenho e os sintomas demoram a normalizar. E onde o coração entra nessa história? Ele não “falha” por estar trabalhando demais, mas porque o overtraining costuma vir acompanhado de alterações no controle autonômico simpático e parassimpático, sono pior, estresse psicológico e, muitas vezes, baixa disponibilidade energética. Esse conjunto muda a forma como a frequência cardíaca se comporta no dia a dia e no treino. O que muda no coração na prática Na prática, alguns sinais cardiovasculares aparecem com consistência: Frequência cardíaca de repouso mais alta por vários dias, ou uma oscilação incomum para o seu padrão. Aumento da FC em treinos fáceis: ritmos ou zonas que antes eram confortáveis passam a exigir mais esforço. Recuperação da FC alterada após exercícios padronizados. Estudos em endurance mostram que fases de overreaching podem modificar a cinética de recuperação da FC, um dado útil quando comparado ao próprio histórico do atleta, e não como diagnóstico isolado. Queda sustentada da VFC ou HRV, principalmente quando coincide com piora de sono, humor, dor muscular persistente e queda de performance. Revisões recentes reforçam a utilidade da HRV como ferramenta de monitoramento quando analisada em tendência médias semanais, contexto de treino e sintomas, evitando decisões baseadas em um número de um dia. Palpitações e percepção de batimentos irregulares, especialmente em períodos de acúmulo de carga e recuperação incompleta vale investigação se persistentes. Não existe um exame mágico O ponto importante: não existe um exame único que “fecha” overtraining. A avaliação é clínica e longitudinal: queda de performance, aumento de esforço percebido para a mesma carga, sinais de estresse sistêmico e exclusão de outras causas infecção, anemia, distúrbios do sono, hipotireoidismo, entre outras. Conduta prática para quem treina sério Periodize e inclua semanas leves. Acompanhe tendências de FC de repouso, variabilidade da frequência cardíaca e desempenho. Priorize sono e ingestão calórica adequada. Trate sintomas persistentes como dado clínico, não como falta de disciplina. Se houver dor torácica, síncope ou tontura importante, falta de ar desproporcional ou palpitações frequentes, a regra é simples: pausar os treinos e procurar avaliação médica. Referências
Peptídeos: performance e longevidade ou uma promessa boa demais para ser verdade?

Entenda a verdade científica por trás do hype do momento. Peptídeos são o novo hype das academias e fóruns de conversa sobre performance. Para muitos, são a certeza dos sonhos realizados: mais músculos, menos gordura, melhor sono, pele firme, energia estável… tudo isso com pequenas injeções de moléculas que o próprio corpo produz. Mas será que essa febre tem fundamento ou estamos apenas diante de mais uma moda disfarçada de ciência? Antes de tudo, é importante entender o que são peptídeos. Em termos simples e sem bioquímica demais, imagine que eles são pequenas frases dentro de um livro gigante chamado proteína. Dependendo da frase, o corpo interpreta uma mensagem específica: “produza mais colágeno”, “regule o apetite”, “recupere melhor”, “otimize a liberação de hormônios”. É esse potencial de comandar para efeitos bons, evitando colaterais que transformou os peptídeos nas estrelas do momento. No entanto, como médica e pesquisadora, preciso ressaltar que existe um abismo entre mecanismo biológico plausível e resultado real na prática clínica. Para cada 10.000 moléculas promissoras estudadas apenas uma realmente chega ao mercado com evidências robustas e segurança! E é aqui que a conversa sobre peptídeos precisa amadurecer. Alguns deles, como semaglutida e tirzepatida, já têm respaldo científico robusto para tratamento da obesidade e não à toa viraram fenômenos globais. Estudos publicados no NEJM mostram perdas de 15% a 22% do peso corporal, algo jamais visto em medicamentos tradicionais. Porém, esses fármacos não são “peptídeos fitness”; são medicamentos que exigem acompanhamento rigoroso e não substituem mudanças no estilo de vida. Outros peptídeos muito citados na cena fitness, como BPC-157, CJC-1295, Ipamorelina, TB-500, carecem de evidências, mas são anunciados por supostos experts como milagres! Os estudos são escassos, muitos feitos apenas em animais, com doses e pureza diferentes da prática de consultório ou dos frascos vendidos online. A promessa é bonita, mas a ciência ainda não entrega a mesma beleza. Há também um risco negligenciado: o mercado paralelo. Como não são regulamentados pela Anvisa para fins estéticos ou de performance, muitos peptídeos são produzidos sem controle adequado. É como comprar uma medicamento em um brechó químico, você nunca sabe o que realmente está introduzindo em seu corpo! Mas nem tudo é alarmismo. A era dos peptídeos aponta para algo maior: a medicina de precisão para performance e longevidade. O futuro, provavelmente, incluirá moléculas altamente específicas, com rastreabilidade e estudos robustos, atuando como finos ajustes no corpo humano. Enquanto esse futuro não chega, minha orientação é simples e prática:• Desconfie de soluções milagrosas.• Avalie se o benefício prometido existe em literatura científica humana.• Entenda que nada substitui treino consistente, sono adequado e alimentação consciente.• Consulte um médico que conheça tanto fisiologia quanto tendências do mercado.. Cuidado com discursos do tipo : só eu tenho acesso a esse medicamento! Peptídeos podem até ser parte da conversa sobre longevidade. Mas, por enquanto, não são o protagonista — e definitivamente não são o atalho Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
O pré-treino que me dá energia está acelerando meu coração: até que ponto isso é normal?

Suplementos energéticos prometem mais disposição e foco, mas podem esconder riscos cardiovasculares que o corpo tenta avisar e muitos ignoram. Nos últimos anos, os pré-treinos viraram quase um ritual antes da academia. Um scoop do pó colorido misturado à água e, em minutos, vem a sensação de poder: mais força, foco e uma energia que parece ilimitada. Mas junto com ela, muitas pessoas notam o coração disparando, tremores e até ansiedade. Afinal, até onde isso é normal e quando o “gás extra” vira um sinal de perigo? A explicação está na fórmula. A maioria dos pré-treinos contém altas doses de cafeína, algumas vezes equivalentes a 3 ou 4 xícaras de café em uma única dose, além de outros estimulantes como taurina, guaraná, yohimbina e beta-alanina. O objetivo é simples: ativar o sistema nervoso central e liberar adrenalina, o hormônio que prepara o corpo para a ação. O problema é que esse mesmo mecanismo acelera a frequência cardíaca, eleva a pressão arterial e aumenta a excitabilidade elétrica do coração. Para um corpo saudável e acostumado à atividade física, um leve aumento dos batimentos é esperado. Mas quando o coração dispara mesmo em repouso, vem acompanhado de palpitações, tontura, falta de ar ou mal-estar, é sinal de sobrecarga. Em pessoas com predisposição genética, hipertensão, arritmias ou uso de outros estimulantes (como bebidas energéticas), o risco é maior. Um estudo publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition mostrou que doses acima de 400 mg de cafeína por dia podem causar taquicardia, ansiedade e insônia, efeitos que, quando somados ao esforço físico intenso, tornam-se ainda mais perigosos. Outro ponto pouco falado é a falsa sensação de rendimento. O corpo parece render mais, mas o esforço cardiovascular é maior, e o atleta pode ultrapassar limites sem perceber. É como dirigir um carro com o motor forçado: ele vai rápido, mas o desgaste é alto. O ideal é buscar energia real, não química. Alimentação equilibrada, sono reparador e um bom controle do estresse são os melhores “pré-treinos” que existem. E, se você gosta do estímulo da cafeína, prefira fontes naturais e seguras, como o café puro ou o chá verde em doses moderadas. O coração é o motor da performance. Se ele reclama, é hora de ouvir. A energia que vale a pena é a que vem do equilíbrio, não da exaustão disfarçada. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Treinar reforça a imunidade, mas treino em excesso pode facilitar infecções.

Como entender essa “bipolaridade” do sistema imune? Entre fortalecer o corpo e sobrecarregar o sistema imunológico existe uma linha tênue — entender onde está o equilíbrio é essencial para quem busca saúde e performance. Você já percebeu que, às vezes, logo depois de um período de treinos intensos, surge uma gripe, uma dor de garganta ou uma sensação de cansaço sem fim? Isso não é coincidência. O exercício físico é uma ferramenta poderosa para fortalecer a imunidade — mas, em excesso, pode ter o efeito contrário. A ciência tem mostrado que o movimento é um modulador importante do sistema imunológico. Pessoas fisicamente ativas têm menos infecções respiratórias e melhor resposta vacinal, por exemplo. Isso acontece porque o exercício estimula a circulação de células de defesa, melhora a regulação hormonal e reduz a inflamação crônica de baixo grau, tão comum no estilo de vida moderno. Mas o corpo não entende o treino apenas como “saúde”; ele o interpreta, biologicamente, como um estresse. Em doses certas, esse estresse é positivo. Porém, quando o volume, a intensidade ou o descanso estão desequilibrados, o treino pode virar distresse: um fator de exaustão que enfraquece a imunidade. Estudos com atletas mostram que, após sessões muito intensas, há uma janela de vulnerabilidade imunológica de até 72 horas. Nesse período, o corpo está focado em se recuperar e pode ficar mais suscetível a vírus e bactérias. É por isso que maratonistas, triatletas ou quem treina pesado sem pausas adequadas têm maior risco de infecções respiratórias — especialmente se dormem mal ou se alimentam pouco. Inclusive, existe orientação para atletas suplementarem zinco e vitamina C após longas provas de endurance. A boa notícia é que o equilíbrio é simples, ainda que desafiador. Exercícios regulares, moderados e prazerosos fortalecem o sistema imune. Caminhadas, musculação com orientação adequada e treinos de resistência bem periodizados são aliados poderosos da saúde. Já o excesso, a privação de sono e a falta de nutrientes — especialmente proteínas, ferro e vitaminas do complexo B e C— são inimigos silenciosos da imunidade. Pense no seu corpo como um exército: o treino é o campo de batalha que o prepara, mas o descanso e a nutrição são o quartel-general onde ele se reorganiza. Sem essa base, até o soldado mais forte se torna vulnerável. Em tempos de busca por performance e estética rápida, vale lembrar: o treino ideal é aquele que fortalece sem esgotar. Porque de nada adianta ter músculos fortes se o seu sistema imune está fra Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Testosterona na mulher: quando a reposição é segura?

Um hormônio cercado de mitos, riscos e evidências que precisam ser traduzidas para a vida real. A testosterona, geralmente associada ao universo masculino, também é fundamental para a saúde da mulher. Ela influencia energia, massa muscular, bem-estar, libido e até funções cognitivas. Porém, quando se fala em reposição hormonal feminina, o tema costuma vir carregado de promessas exageradas, tabus e até riscos mal compreendidos. O primeiro ponto importante é: não existe um “exame de sangue milagroso” capaz de definir quem precisa de testosterona. De acordo com consensos internacionais, os níveis séricos não devem ser usados para diagnosticar disfunção sexual, mas apenas para identificar o uso excessivo. Isso porque os exames comuns, chamados de imunoensaios diretos, carecem de precisão para as dosagens usualmente baixas encontradas em mulheres. Por isso, se algum médico te disse que a indicação de reposição da testosterona é o exame mostrando níveis baixos, desconfie! Ele no mínimo está desinformado e provavelmente está mal-intencionado. O que já sabemos (e o que ainda é especulação) Hoje, a única indicação com evidência científica robusta para o uso de testosterona em mulheres é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo. Fora desse contexto, a reposição se torna experimental, sem comprovação de relação risco/benefício satisfatória, embora muitas vezes seja vendida no mercado fitness como solução rápida para ganho de massa magra, energia ou emagrecimento. Nos últimos anos, novos estudos vêm investigando o papel da testosterona no humor, na memória e na cognição. Há indícios de que reposição do hormônio possa reduzir depressão e melhorar o desempenho cognitivo em mulheres no pós-menopausa. Contudo, esses dados ainda são preliminares e não justificam a prescrição ampla da testosterona com essa finalidade. Para prevenção da osteoporose, os protagonistas continuam sendo estrogênio, vitamina D, cálcio e atividade física. A Nandrolona, um anabolizante da mesma família da testosterona, pode aumentar densidade mineral óssea e reduzir fraturas em mulheres idosas com osteoporose. Ainda assim, o risco de efeitos adversos (como engrossamento da voz, alterações de pele, hipertensão e danos cardíacos) limita seu uso. Além disso, pesquisas apontam que a reposição de testosterona seja uma opção para o tratamento da sarcopenia (perda de massa e força muscular). Entretanto, os riscos desse uso podem não justificar sua prescrição em muitos casos. De fato, a literatura descreve alterações no colesterol (como aumento do LDL), além de potencial elevação do risco cardiovascular, incluindo infarto, trombose e AVC. Esses efeitos podem não acontecer em todas as mulheres, mas exigem cautela e acompanhamento rigoroso. Quando bem indicada, a reposição deve seguir critérios de segurança: preferência por formulações transdérmicas (adesivos ou géis, que reduzem riscos hepáticos), avaliação individual de pressão arterial, perfil lipídico e risco cardiovascular, além de monitorização periódica da função hepática. Em resumo, a reposição de testosterona em mulheres não é “vilã”, mas tampouco pode ser banalizada. O que se sabe até hoje é que seu uso deve ser restrito, monitorado e sempre em nome de qualidade de vida — não de promessas de performance supra-natural. O futuro pode trazer novos horizontes no campo do humor, da cognição e do envelhecimento saudável, mas essa ainda não é a realidade para todas as mulheres. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Das crises ao pódio: como o treinamento físico ajuda no controle da asma

Muita gente acredita que quem tem asma deve evitar esforço físico. Afinal, quem nunca ouviu falar em “crise de asma induzida pelo exercício”? Esse medo faz muitos pacientes se afastarem do movimento. Mas a ciência mostra justamente o contrário: quando praticado de forma correta, o exercício pode ser um poderoso aliado no controle da asma. A asma é uma inflamação crônica das vias aéreas, que pode causar chiado, falta de ar, tosse e aperto no peito. Durante o exercício, a respiração acelera, e em algumas pessoas o ar frio e seco pode desencadear crises. Por outro lado, treinar regularmente aumenta a força dos músculos respiratórios e reduz a inflamação de baixo grau no corpo. Ou seja: o mesmo estímulo que pode causar sintomas em excesso, em dose certa, ajuda a fortalecer a respiração. Não são incomuns os casos de campeões de natação que começaram a nadar porque tinham asma ou outras doenças respiratórias. O que começou como tratamento virou vocação — e muitos transformaram uma limitação em superação. Se para alguns o exercício foi a porta de entrada para o esporte de alto rendimento, para a maioria ele pode ser simplesmente o caminho para uma vida com mais fôlego e menos limitações. Não só a natação, mas também outras atividades, melhoram o controle da asma. Diversos estudos científicos comprovam que pacientes com asma que realizaram programas de treino aeróbico tiveram redução da falta de ar e melhoraram sua qualidade de vida. Exercícios que combinam fortalecimento muscular e atividade aeróbica aumentam a resistência física e reduzem a percepção de esforço em atividades do dia a dia. O treinamento específico da musculatura respiratória (músculos intercostais e diafragma) também tem resultados excelentes. Assim como, Yoga e exercícios respiratórios auxiliam no controle da ansiedade e na percepção do ritmo respiratório. A ergoespirometria é o exame de excelência para diagnóstico e acompanhamento de pacientes com asma desencadeada pelo esforço. O segredo do treinamento nesses casos é a progressão gradual, o aquecimento adequado e o uso correto das medicações quando indicadas. Mesmo com estes benefícios, alguns sinais exigem atenção: Se isso acontecer, o treino deve ser interrompido e o paciente deve procurar orientação médica. O exercício não é inimigo da asma. Pelo contrário: pode ser um dos melhores aliados para ampliar a capacidade pulmonar, reduzir sintomas e dar mais qualidade de vida. O que faz diferença é treinar com ciência, orientação e respeito ao corpo. Afinal, o objetivo não é apenas suar — é respirar melhor, dentro e fora da academia e das piscinas. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Palpitações, pausas e batidas fora do compasso: o que fazer no treino?

Treinar é sinônimo de saúde, energia e longevidade. Mas, quando o coração sai do compasso, seja com palpitações, batimentos acelerados ou pausas inesperadas, surge a dúvida: quem tem arritmia pode se exercitar com segurança? A resposta não é única, porque existem arritmias de diferentes naturezas. O que muda é a forma de encarar o treino. Nosso coração bate cerca de 100 mil vezes por dia, em silêncio absoluto. Você nem percebe que ele está ali. Mas nem sempre é assim. Quando o paciente “sente o coração bater” de forma estranha, como trancos, acelerações ou pausas, estamos diante de uma arritmia percebida. Algumas são benignas: rápidas, curtas e sem maiores repercussões. Outras podem ser perigosas, principalmente quando trazem sinais de alerta como: Além disso, muitas arritmias são intermitentes: aparecem e desaparecem sem padrão fixo, tanto no repouso quanto no esforço. Esse “vai e vem” pode confundir o paciente e atrasar o diagnóstico, motivo a mais para valorizar cada sintoma. Exercício: remédio ou gatilho? Na maioria dos casos, o treinamento físico é parte do tratamento. Mas existe a chamada curva em U: tanto o sedentarismo quanto o excesso de treino aumentam o risco de arritmias, especialmente a fibrilação atrial. Sim! Exercício é remédio, mas precisa de dose certa! Para a maioria dos pacientes, atividades leves a moderadas: caminhada, bicicleta ergométrica, natação recreativa e musculação orientada, são as escolhas mais seguras. O segredo está na progressão gradual e no acompanhamento. Treinos de alta intensidade e competitivos devem ser avaliados com cautela, pois podem transformar benefício em risco. Por isso, a avaliação pré-participação realizada por cardiologista/ médico do esporte é essencial. Nesta consulta avaliamos o risco de eventos durante a prática de exercícios e podemos encontrar alterações antes que ela se tornem um problema grave. Exames como eletrocardiograma, Holter de 24 horas, ecocardiograma e ergoespirometria ajudam a entender como o coração reage ao esforço. Assim, o treino deixa de ser ameaça e passa a ser ferramenta otimizada de saúde. O mais importante de tudo é estar atento aos sinais que o corpo dá. Arritmias podem surgir mesmo após uma excelente avaliação pré-participação. Nem toda palpitação é doença! Mas se você tiver palpitações, especialmente se acompanhadas por qualquer um dos sinais de alerta (acima), é importante procurar sua cardiologista. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/