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Cachorro com paralisia volta a andar depois de receber Polilaminina

Teodoro, um cãozinho da zona oeste do Rio de Janeiro, voltou a mexer as patas traseiras depois de perder os movimentos por causa de uma lesão na medula. Ele é um dos seis animais que participaram de um estudo clínico inédito no Brasil usando uma proteína chamada polilaminina para estimular a regeneração de conexões nervosas.

O estudo é liderado por Tatiana Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e acaba de ser publicado em uma das principais revistas científicas veterinárias do mundo.

O que aconteceu com os cães?

No teste, os seis cães receberam uma injeção de polilaminina diretamente na coluna vertebral. Durante seis meses, passaram por avaliações técnicas da marcha.

Quatro deles, incluindo Teodoro, apresentaram melhora nos índices que medem a capacidade motora. Em outras palavras, voltaram a se movimentar melhor.

Segundo a pesquisadora, a laminina já faz esse trabalho naturalmente no corpo. O que a equipe está tentando fazer é observar como a natureza resolve o problema e reproduzir isso de forma controlada no laboratório.

E agora vem a parte mais delicada

O projeto começou no início dos anos 2000. Depois de mais de duas décadas de pesquisa, o próximo passo é solicitar autorização da Anvisa para iniciar testes clínicos em humanos.

A expectativa é que, no futuro, uma injeção possa ajudar na recuperação de movimentos em casos de lesão medular. Ainda é cedo para promessas. Mas os dados em animais abriram uma porta que parecia fechada há muito tempo.

O tutor de Teodoro conta que já havia tentado diversos tratamentos antes. Agora, vê o cachorro reagindo e superando expectativas.

Para quem vive a realidade da paralisia, cada pequeno movimento é gigante.

A ciência brasileira ainda precisa provar segurança e eficácia em humanos. Mas o fato de um estudo nacional avançar nessa direção já coloca o tema no radar.