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CEO da Peloton diz que a próxima fase da marca passa por força, bem-estar e IA e menos “era das bikes”

Um ano depois de assumir o comando da Peloton, Peter Stern decidiu ajustar a expectativa do mercado e deixar o plano bem explícito.

Em uma carta aos acionistas escrita neste mês, o CEO e cofundador do Apple Fitness+ afirma que a Peloton pode voltar a crescer, mas faz um alerta direto: não é para esperar a repetição do boom da pandemia, quando as bikes viraram símbolo de status e motor quase único de crescimento.

O que ele apresenta, na prática, é uma mudança de identidade. A Peloton quer sair da fase de “produto único” e entrar em um capítulo mais amplo, com treino de força, expansão para o mercado comercial, IA de personalização e um empurrão rumo ao bem-estar e nutrição.

Força vira prioridade e o contexto é 2025

Na carta, Stern conecta a popularização de medicamentos para perda de peso com a demanda crescente por treinamento de força em 2025. Para ele, a combinação de cardio com resistência abre uma “nova e crescente oportunidade” de aquisição de membros.

Em tradução simples: a Peloton quer ser menos “só cardio” e mais uma plataforma completa de treino.

Novos equipamentos e software mais natural

Stern também sinaliza que essa estratégia deve aparecer em novos hardwares residenciais e em experiências de software mais intuitivas a partir de 2026. A ideia é ampliar o que a Peloton entrega dentro de casa e reduzir a dependência da lógica centrada em bicicletas.

Mercado comercial entra no plano com força

Outro ponto central é a expansão para fora do lar. A Peloton criou uma Unidade de Negócios Comerciais para colocar seus equipamentos em hotéis, condomínios residenciais e ambientes corporativos.

O movimento se alinha ao lançamento da Pro Series, linha preparada para uso comercial que inclui o Tread+ Pro, descrito como a primeira esteira comercial da marca.

IA vira coaching pessoal com o Peloton IQ

A carta também coloca a inteligência artificial no centro do produto. Stern destaca o Peloton IQ como o futuro do coaching da empresa. Segundo ele, o sistema usa IA para analisar histórico de treinos, dados de wearables e performance em tempo real, entregando recomendações personalizadas, ajustes de técnica e treinos sob medida.

A ambição é expandir o Peloton IQ para cobrir uma gama maior de fitness e bem-estar e incorporar mais fontes de dados de terceiros.

Bem-estar vira estratégia e a nutrição entra na conversa

Além do treino, Stern reforça o avanço para o território de wellness, citando a aquisição do Breathwrk, app de mindfulness. E uma frase chama atenção: a Peloton quer “fazer a ponte entre esforço e nutrição”, sugerindo que a empresa está olhando oportunidades além do treino e considerando uma possível entrada no universo de nutrição.

A Peloton também aponta uma parceria com a Respin Health, plataforma de menopausa fundada por Halle Berry, para estudar como exercícios direcionados podem ajudar sintomas relacionados à menopausa.

No fim, a carta deixa a direção clara. A Peloton quer crescer de novo, só que com uma Peloton diferente daquela que ficou marcada pela era das bikes.