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Cientistas de Stanford criam spray nasal que combate Covid, gripe e pneumonia

Imagine tomar um spray nasal e ficar protegido contra Covid, gripe, pneumonia bacteriana e até alergias respiratórias.

Foi exatamente isso que pesquisadores da Stanford University School of Medicine apresentaram em um estudo publicado na revista Science. Em testes com camundongos, o imunizante experimental mostrou proteção ampla e duradoura nos pulmões por meses.

Ainda é fase pré-clínica. Mas o conceito pode mexer com tudo o que a gente entende por vacina respiratória.

O que muda em relação às vacinas tradicionais?

Desde o século XVIII, vacinas funcionam com um princípio básico: mostrar ao corpo uma parte específica do invasor para que o sistema imunológico aprenda a reconhecê-lo.

Funciona, mas tem um problema.

Vírus mudam e se adaptam a todo momento.

É por isso que a vacina da gripe muda todo ano. É por isso que a da Covid precisou de atualizações.

O novo spray segue outro caminho.
Em vez de copiar partes específicas do vírus, ele estimula os sinais de comunicação do próprio sistema imunológico, integrando resposta inata e adaptativa de forma coordenada.

Segundo o pesquisador Bali Pulendran, líder do estudo, a ideia é manter o sistema imune dos pulmões em estado de alerta prolongado.

Nos testes, os animais vacinados ficaram protegidos contra:

  • COVID-19 e outros coronavírus
  • Bactérias como Staphylococcus aureus
  • Acinetobacter baumannii
  • Proteínas de ácaros, gatilho comum de alergias respiratórias

O dado que chama atenção é a velocidade da resposta.
A carga viral nos pulmões caiu até 700 vezes.

Em vez de levar semanas para montar defesa específica, o sistema reagiu em poucos dias.

É como se o pulmão ficasse permanentemente preparado para agir.

Por que isso é relevante agora?

Estamos vivendo uma era de vírus que evoluem rápido e sistemas de saúde pressionados.

Uma vacina que não depende de reconhecer um único antígeno específico pode ser uma mudança de paradigma.

O próximo passo são testes de segurança em humanos. Se tudo correr bem, estudos maiores devem acontecer na sequência. A estimativa é de cinco a sete anos para algo disponível comercialmente, dependendo de financiamento e resultados clínicos.

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Isso ainda não é produto, mas é ciência em construção.

Se funcionar em humanos, estamos falando de algo que pode transformar a lógica das campanhas sazonais de vacinação.

Um único spray no outono protegendo contra múltiplas ameaças respiratórias.

Agora a pergunta é simples.

Estamos entrando na era da vacina universal respiratória?