Um corte grave não te dá minutos de vida, dá segundos.
E é exatamente nesse intervalo que pesquisadores da Coreia do Sul estão tentando mexer: um pó em spray que, ao encostar no sangue, vira um gel macio e flexível e ajuda a estancar hemorragias em menos de um segundo. Pelo menos nos testes descritos em um estudo publicado na Advanced Functional Materials, com divulgação do próprio KAIST (Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia).
A ideia é simples e brutalmente lógica: em trauma grave, controlar o sangramento rápido é o que decide se a pessoa chega viva ao hospital. Em cenários como resgates, atendimento pré-hospitalar, regiões remotas e até campo de batalha, cada segundo vira moeda.
Como esse spray funciona?
O “truque” está no material que forma o gel, chamado AGCL, feito a partir de componentes de origem natural:
- Alginato (de algas marinhas marrons)
- Goma gelana (produzida por fermentação bacteriana)
- Quitosana (derivada de carapaças de crustáceos e insetos)
Pensa assim: alginato + gelana montam a “estrutura” do gel. A quitosana entra como peça de performance: ajuda a atrair glóbulos vermelhos e plaquetas, acelerando a coagulação. Segundo os pesquisadores, o material ainda consegue absorver até 7x o próprio peso em sangue, o que importa quando o sangramento é intenso e o curativo tradicional não dá conta.

Dois pontos chamam atenção no que o KAIST divulgou:
- o composto teria propriedades antibacterianas naturais
- poderia ser armazenado por até 2 anos em temperatura ambiente, mantendo eficácia mesmo em calor e umidade
Isso é o tipo de atributo que transforma uma inovação de “bonita” em utilizável.
E quando isso vai chegar nos hospitais?
Ainda não chega.
Por enquanto, não há previsão de disponibilidade ao público. O spray segue em testes e etapas adicionais, além de todo o caminho de produção e aprovação regulatória (que costuma ser o funil mais longo).
Um dos cientistas envolvidos, Kyusoon Park, resumiu a motivação do projeto como missão de salvar vidas, começando por emergências militares, mas com potencial de uso médico mais amplo no futuro.
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