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Cientistas testam ocitocina sintética para reduzir a ansiedade

Uma pesquisa da Unesp testou a carbetocina (uma versão sintética e de ação mais longa da ocitocina) e viu um efeito curioso: quando aplicada antes do estresse social, ela ajudou a evitar comportamentos de ansiedade em roedores. Ainda é modelo animal, mas é um sinal forte de que dá para mexer em circuitos de ansiedade de um jeito mais “direcionado” do que só sedar o cérebro.

Mas o que os cientistas fizeram na prática?

O experimento usou um modelo conhecido como “derrota social”: o animal passa por uma situação repetida de estresse social, que costuma gerar ansiedade e esquiva depois.

A sacada foi dar carbetocina de forma preventiva (antes da exposição ao estresse).

Resultado: os ratos tratados mantiveram comportamento exploratório mais próximo do normal, sem virar “super corajosos” ou hiperativos. Foi mais “tirar o excesso de ansiedade” do que mudar a personalidade do animal.

O “botão” parece estar no córtex pré-frontal

O estudo também olhou para o córtex pré-frontal medial, uma área ligada a controle emocional e tomada de decisão sob pressão. A carbetocina foi associada a aumento de receptores de ocitocina em subregiões do pré-frontal (como prelimbic e infralimbic), sugerindo um caminho biológico plausível para esse efeito.

Em bom português: é como se o cérebro ganhasse mais “portas de entrada” para um sinal químico ligado a regulação de estresse, justamente numa região que ajuda a “segurar o volante” quando a emoção tenta tomar conta.

Calma: isso não é “antídoto” e nem tratamento pronto

É estudo em animal, então não dá para pular direto para “funciona em humanos”.

Na verdade, a carbetocina já existe

Mas no mundo real possui outro contexto: ela é usada como uterotônico na prevenção de hemorragia pós parto (inclusive listada na lista de medicamentos essenciais da OMS em formulação termoestável). Ou seja, uma coisa é uso obstétrico; outra é pensar em uso neuropsiquiátrico, com dose, via, alvo e segurança totalmente diferentes.

E o recado para o mercado de wellness

Se um dia isso virar terapia, vai precisar de triagem, monitoramento, adesão e acompanhamento de sintomas, com integração clínica.

É uma ciência promissora, mas ainda é cedo para tirarmos qualquer tipo de conclusão…

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