Em 2010, ser saudável era escolha individual. Em 2025, é um mercado trilionário. O que mudou e o que se perdeu no caminho?
Muito antes do wellness virar mercado ou tendência digital, já existiam pessoas vivendo esse estilo de vida não por hype, mas por escolha. Hoje, ser saudável é quase uma linguagem social. Dá para reconhecer de longe: matcha na mão, corrida ao amanhecer, rotina organizada, suplementos calculados, viagens conscientes. Mas como eram as pessoas saudáveis antes disso virar tendência? Antes do Instagram, antes dos marcadores de sono, antes da palavra bem-estar virar categoria de mercado.
Em 2010, não existia lifestyle wellness como marca pessoal. Existia disciplina. As pessoas que buscavam saúde não eram vistas como tendência, eram vistas como diferentes. Comer natural era alternativo. Fazer yoga era exótico. Viajar sozinho era estranho. Falar sobre propósito era quase ingênuo.

Eu comecei a fazer yoga aos 14 anos. Na adolescência, cresci em uma cultura em que festa era sinônimo de vida social ativa, e eu também vivi isso. Mas, ao mesmo tempo, sempre gostei de comida simples, de movimento e de natureza. Com 19 anos fiz voluntariado em Alter do Chão. Aos 21 já tinha feito pós-graduação em sustentabilidade empresarial. Muito antes de wellness virar mercado, eu já estava mergulhada em temas que hoje são comuns.
Naquela época não havia validação social. Não havia algoritmo reforçando escolhas conscientes. Havia curiosidade e, muitas vezes, estranhamento. Perguntas do tipo “mas pra que isso?”. Ser saudável em 2010 era muito mais sobre convicção pessoal do que sobre pertencimento, e talvez essa seja a maior diferença.
Hoje o wellness é comunidade, mercado, indústria. Na época era quase resistência. As primeiras pessoas que viajaram sozinhas não tinham rede de apoio digital nem vídeos explicando como fazer. Era tentativa, erro e coragem. Comer orgânico era caro e limitado. Yoga não estava em cada esquina. Informação de qualidade exigia esforço.
Mas havia algo que hoje, paradoxalmente, se busca recuperar: profundidade.
Hoje temos acesso, escala, tecnologia e mercado estruturado. Isso é positivo. Facilitou escolhas, democratizou informação e criou oportunidades de negócio. O que mudou não foi o conceito de saúde. Foi a narrativa. Antes, pessoas saudáveis buscavam coerência. Hoje, muitas vezes, buscam identidade.
Não há problema em virar tendência. Tendência gera acesso, gera escala, gera mercado. O desafio é não perder a essência que existia antes do hype.
As pessoas saudáveis de antes faziam menos marketing pessoal e mais prática consistente. Dormiam melhor, movimentavam o corpo, comiam simples, buscavam natureza e construíam hábitos sem precisar provar nada. Talvez o futuro do wellness esteja justamente em integrar essas duas eras: a consciência silenciosa de antes com a estrutura e o acesso de agora.
Porque saúde nunca foi moda. Moda é o discurso. Saúde sempre foi escolha. E escolha exige coerência. Coerência, por mais que o mercado mude, nunca sai de moda.
Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬
👉 Inscreva-se aqui