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Enamed: 107 cursos de Medicina foram mal avaliados. E agora, o que muda de verdade?

O MEC colocou o pé no freio em 99 cursos de Medicina que tiveram desempenho ruim no Enamed (a versão do Enade para Medicina). No balanço divulgado segunda-feira, 19/01/2026, 107 cursos ficaram com Conceito 1 ou 2, e a resposta vem em forma de corte de vagas, suspensão de ingresso e bloqueio de acesso a programas federais.

Em português bem direto: quem formou mal, vai sentir no bolso e na captação de alunos.

Primeiro, o que é o Enamed (sem mistério)

O Enamed é uma prova anual aplicada pelo Inep, ligada ao MEC, para medir a qualidade da formação em Medicina. Ele funciona como um “termômetro” do curso: olha o desempenho dos estudantes concluintes e transforma isso em Conceito Enade, de 1 a 5.

O que acontece com quem tirou 1 ou 2

A regra que o MEC está aplicando é simples:

  • Conceito 2: o curso perde vagas para entrada de novos alunos.
  • Conceito 1: o curso tem suspensão total do ingresso de novos estudantes.

E tem mais: parte dessas punições vem junto com suspensão do Fies e de outros programas federais.

Como ficam as sanções, na prática

Segundo o balanço divulgado:

  • 8 faculdades: não podem receber novos alunos, e ficam suspensas do Fies e de outros programas federais
  • 13 faculdades: precisam reduzir 50% das vagas e também ficam suspensas do Fies e de outros programas federais
  • 33 faculdades: precisam reduzir 25% das vagas, além de também ficarem suspensas do Fies e de outros programas federais
  • 45 faculdades: não podem aumentar o número de vagas

O ministro Camilo Santana reforçou que as instituições terão prazo para apresentar defesa e que a lógica do exame é “forçar a correção de rota”, com foco em qualidade de ensino e proteção da população que será atendida por esses futuros médicos.

Por que 8 instituições não serão punidas diretamente pelo MEC

Aqui tem um detalhe jurídico importante: nem todo curso de Medicina está sob a caneta direta do MEC.

As 8 instituições estaduais e municipais citadas na lista não recebem punição direta do ministério porque pertencem a sistemas de ensino que são supervisionados pelos Conselhos Estaduais de Educação, conforme a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação).

Ou seja: o MEC avalia, mas quem pode abrir processo de supervisão e aplicar sanção nesses casos é o estado (ou o sistema municipal responsável).

Como o Conceito Enade é calculado (o que a nota “quer dizer”)

O Conceito Enade é calculado com base no desempenho dos estudantes no exame, olhando também a participação e o percentual de alunos com resultado proficiente (quem demonstrou conhecimento suficiente).

A régua divulgada no balanço foi:

  • Conceito 1: proficiência abaixo de 40%
  • Conceito 2: 40% a 59,9%
  • Conceito 3: 60% a 74,9%
  • Conceito 4: 75% a 89,9%
  • Conceito 5: acima de 90%

Um dado que chama atenção: nenhum dos cursos com Conceito 1 chegou a 40% de proficiência. Do outro lado, todos os cursos com Conceito 5 ficaram acima de 90%.

O que isso sinaliza (a leitura FitFeed)

Isso não é só “nota de prova”. É o governo dizendo: Medicina não pode ser linha de produção. Se a formação não entrega o mínimo, a máquina de abrir vagas começa a travar.

A pergunta que fica é bem prática: essas punições vão realmente elevar a qualidade do ensino ou só reorganizar o mercado para quem já é forte?

Se você tivesse que escolher hoje, você confiaria mais em qual sinal de qualidade: nota, estrutura, hospital-escola, ou reputação local?