Um novo estudo publicado na JAMA Network Open acendeu um alerta importante sobre o uso de Mounjaro (tirzepatida). Segundo a análise, 82% das pessoas que perderam peso com o medicamento voltaram a ganhar pelo menos 25% do peso perdido um ano após interromper o tratamento.
E tem mais: quanto maior o reganho, maior a perda dos benefícios conquistados durante o uso, como melhora da pressão arterial, do colesterol e da resistência à insulina.
O que o estudo analisou
A pesquisa é uma análise post hoc do ensaio clínico SURMOUNT-4 e acompanhou 308 participantes. Só entraram na conta pessoas que haviam perdido pelo menos 10% do peso após 36 semanas usando a tirzepatida. Os dados foram coletados entre 2021 e 2023 e analisados até março de 2025.
O padrão observado foi claro:
- 82% recuperaram pelo menos 25% do peso perdido após um ano sem o remédio;
- Quem recuperou 75% ou mais praticamente perdeu todas as melhorias cardiometabólicas conquistadas;
- Já quem conseguiu manter a perda de peso também manteve indicadores de saúde mais estáveis, como colesterol, pressão arterial, medidas de cintura e resistência à insulina.
O recado da ciência
Para os pesquisadores, o estudo reforça um ponto que especialistas repetem há anos: obesidade é uma condição crônica. Ou seja, exige tratamento contínuo, acompanhamento e estratégias combinadas.
A própria Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, comentou o estudo em nota:
“A obesidade é uma doença crônica e progressiva que frequentemente requer tratamento de longo prazo. Assim como outras condições crônicas, a terapia deve continuar quando houver indicação médica para a manutenção dos benefícios.”
A empresa também reforça que estilo de vida saudável, alimentação equilibrada, exercícios e acompanhamento psicológico, não substitui, mas complementa o tratamento. E, para muitas pessoas, essas mudanças sozinhas não são suficientes para manutenção do peso a longo prazo.
Por que importa
O resultado coloca luz em uma discussão central na era dos medicamentos GLP-1: o desafio não é só perder peso, é manter. E quando o tratamento para, a fisiologia tende a puxar o corpo de volta ao ponto inicial.
Para quem acompanha o universo de saúde, longevidade e medicamentos para obesidade, o recado é simples: adesão e continuidade fazem tanta diferença quanto o remédio em si.
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