arrow-left-square Created with Sketch Beta.

Fim da insulina? chineses revertem pela primeira vez diabetes em paciente

Imagina passar a vida contando carboidrato, monitorando glicose e vivendo com a insulina como “plano A, B e C”.

Agora imagina seu corpo voltar a produzir insulina sozinho.

Foi isso que pesquisadores na China relataram em um caso que virou manchete na ciência: uma mulher de 25 anos com diabetes tipo 1 voltou a produzir insulina após receber um transplante de células feitas em laboratório a partir de células dela mesma. O estudo saiu na Cell e é descrito como um marco por ser o primeiro registro de controle glicêmico independente de insulina com esse tipo de abordagem autóloga, do próprio paciente.

O que os cientistas fizeram?

Os cientistas pegaram células da paciente, “resetaram” essas células para um estado parecido com o embrionário, pluripotente, e a partir daí treinaram essas células para virar algo que se comporta como ilhotas pancreáticas, que são as estruturas que produzem insulina.

Depois, essas ilhotas foram transplantadas no corpo.

Quando o corpo voltou a produzir insulina

Em cerca de 2,5 a 3 meses, a paciente começou a produzir insulina suficiente para parar de depender de aplicações externas, mantendo a glicose estável na maior parte do tempo no acompanhamento.

Teve até a frase que viralizou pela simplicidade do impacto: “Agora consigo comer açúcar.”

Por que isso é tão grande no tipo 1

Diabetes tipo 1 é uma doença autoimune: o próprio sistema imunológico destrói as células que produzem insulina.

Então, a ideia de criar “peças novas”, as ilhotas, e recolocar no corpo é quase como dizer: ok, vamos reconstruir a função que foi perdida.

E tem outro ponto importante: por serem células do próprio paciente, a chance de rejeição pode ser menor do que em transplantes tradicionais.

Mas isso não elimina o problema principal: o ataque autoimune pode voltar. É por isso que muitos grupos ainda estudam estratégias para proteger essas células e entender quando, e se, será preciso imunossupressão.

E os outros pacientes

O time menciona avanço em mais casos no mesmo programa e a linha geral do campo é acelerar testes com mais gente, porque um caso histórico ainda não vira tratamento de prateleira.

Ensaios maiores são o que vai dizer segurança, repetibilidade e durabilidade.

Isso serve para diabetes tipo 2

Ainda é cedo para cravar.

Tipo 2 não é, em geral, destruição autoimune das ilhotas. É principalmente resistência à insulina e, com o tempo, pode haver queda de produção. Então o “conserto” pode ser diferente.

Existe pesquisa usando ilhotas derivadas de células reprogramadas em tipo 2 também, mas é outra história clínica e biológica.