EMS fechou acordo com a suíça Idorsia para trazer ao Brasil o daridorexanto, medicamento já comercializado no exterior como Quviviq.
O produto ainda aguarda avaliação regulatória da Anvisa, mas, se aprovado, inaugura no país uma nova classe terapêutica para tratamento da insônia: os antagonistas duplos dos receptores de orexina, conhecidos como DORA.
Hoje, a EMS já domina uma fatia relevante do mercado com o Patz, versão comercial do zolpidem. Segundo a companhia, o medicamento vende mais de 100 mil unidades por mês e supera R$ 100 milhões anuais em faturamento.
O zolpidem ficou conhecido como padrão-ouro da indução do sono. Mas também carrega críticas: risco de uso crônico, dependência, amnésia episódica e efeito rebote.
O próprio laboratório reconhece a necessidade de uso racional e acompanhamento médico.
O daridorexanto atua bloqueando a orexina, neurotransmissor responsável por manter o cérebro acordado. A promessa é oferecer um sono mais próximo do fisiológico, com menor sonolência residual no dia seguinte.
Na prática, é uma mudança de lógica terapêutica.
O tamanho da aposta
O acordo de licenciamento envolve US$ 20 milhões, além de royalties atrelados ao desempenho comercial. A produção seguirá na Suíça, já que a Idorsia não autorizou transferência de tecnologia neste primeiro momento.
No Brasil, a meta é ambiciosa: R$ 75 milhões no primeiro ano após lançamento, com previsão de 16,5 milhões de comprimidos anuais.
Antes disso, dois checkpoints importantes:
1. Aval da Anvisa
2. Definição de preço pela CMED
A expectativa interna é que o produto chegue ao mercado em meados de 2027.
Por que isso importa?
Segundo dados frequentemente citados por entidades como Fiocruz e Associação Brasileira do Sono, cerca de 72% dos brasileiros relatam algum tipo de alteração no sono.
Insônia não é só cansaço. Ela impacta humor, risco cardiovascular, performance cognitiva e produtividade.
E aqui entra um ponto delicado.
O Brasil vive um cenário de uso disseminado de hipnóticos. Casos de abuso, consumo elevado e necessidade de desmame não são incomuns. A EMS afirma que não incentiva uso crônico indiscriminado e reforça a prescrição controlada.
Da insônia às canetas emagrecedoras
O movimento da EMS também conversa com outra frente estratégica da companhia.
Em 2024, a empresa inaugurou a primeira fábrica de peptídeos do Brasil, focada em análogos de GLP-1 como liraglutida e semaglutida, usados no tratamento de obesidade e diabetes tipo 2.
Em 2025, lançou sua versão nacional desses medicamentos, com vendas 20% acima das expectativas no primeiro mês.
Ou seja.
A estratégia é clara: acessar moléculas proprietárias globais e posicionar a empresa nas terapias de alta complexidade que moldam o futuro do mercado farmacêutico.
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