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HC-UFMG será o primeiro hospital universitário federal com cirurgia robótica pelo SUS

A cirurgia robótica, até aqui quase um privilégio da rede privada, está prestes a ganhar um endereço público estratégico. O Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, vai fazer cirurgias com robô pelo SUS. O anúncio foi feito na terça (20) por Arthur Chioro, presidente da HU Brasil, estatal do MEC que administra os hospitais universitários federais.

O que está previsto?

O HC-UFMG será o primeiro da rede HU Brasil a receber o equipamento, com investimento previsto de R$ 10 milhões. A compra deve ser concluída em até três meses e a instalação leva cerca de 20 dias. As primeiras cirurgias estão previstas para janeiro ou fevereiro de 2027.

O robô estreia na urologia, com foco no câncer de próstata, procedimento para o qual a técnica já foi habilitada pelo Ministério da Saúde. Depois, pode chegar a cirurgias de intestino, tórax, ginecologia, obstetrícia, pediatria e cabeça e pescoço. Na escolha do hospital, pesaram a experiência prévia dos cirurgiões com a tecnologia e a atuação da instituição na avaliação de tecnologias em saúde.

Por que o robô faz diferença na sala de cirurgia?

Na cirurgia robótica, o médico comanda braços mecânicos a partir de um console. Os cortes são menores e os movimentos, mais precisos. Isso pode reduzir sangramento, dano aos tecidos e complicações depois da operação, além de encurtar o tempo de internação. Para um sistema público pressionado por filas, cada dia a menos de leito ocupado conta.

Formar gente é o verdadeiro trampolim

A jogada mais estratégica não está no equipamento, está na formação. O HC-UFMG vai treinar novos cirurgiões na técnica e já conta com um Centro de Simulação Realística em Cirurgia Robótica. Outros três hospitais universitários federais também vão receber robôs, em Brasília, no Espírito Santo e no Maranhão. A expectativa da HU Brasil, que administra 47 hospitais universitários, é levar o projeto a mais 12 unidades no próximo ano.

Levar a tecnologia para hospitais que formam médicos é o que espalha o acesso pelo resto do SUS. Cada residente treinado no console vira um multiplicador. É assim que a inovação deixa de ser vitrine e vira política de saúde, com impacto direto na recuperação e na qualidade de vida de quem depende da rede pública.

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