Uma guerra fria está sendo travada nos tribunais brasileiros. Por outro lado, pacientes buscam acesso a tratamentos para perda de peso. Do outro, a Anvisa está tentando barrar a importação das chamadas “canetas emagrecedoras” do Paraguai. No centro da disputa está a tirzepatida, princípio ativo de medicamentos como o Mounjaro, e uma diferença de preço que acende o debate sobre acesso, risco e regulação.
Por que o mercado clandestino explodiu?
A conta simplesmente não fecha para a maioria. Enquanto medicamentos como o Mounjaro chegam a custar R$ 2.000 no Brasil e não são cobertos pelo SUS, as versões paraguaias são perdidas por cerca de 10% desse valor. Impulsionada pela viralização nas redes sociais e pelas altas taxas de obesidade no país, a demanda dos agonistas do GLP-1 explodiu, criando um mercado paralelo que movimenta milhões e opera abertamente em grupos de mensagens.
Justiça libera, mas Anvisa alerta: qual o risco?
Apoiados em prescrições médicas, alguns pacientes obtiveram na Justiça Federal o direito de importar o medicamento para uso pessoal. A justificativa é garantir a continuidade do tratamento, um direito constitucional. No entanto, especialistas e a própria Anvisa veem essas decisões como um desafio à autoridade sanitária. O alerta é claro: produtos sem registro nacional não passam pelo controle de qualidade, e falhas na conservação e refrigeração podem comprometer a segurança e a eficácia do tratamento.
O futuro do emagrecimento: entre o acesso e a segurança
O impasse expõe uma falha sistêmica. A alta demanda por tratamentos eficazes contra a obesidade acaba no custo elevado e na falta de acesso via sistema público. Enquanto a aprovação de genéricos mais baratos caminha a passos lentos, o atalho paraguaio se consolida como uma alternativa arriscada. O cenário abre uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de produtos acessíveis e regulamentados no Brasil, mas, até lá, a decisão entre o tratamento possível e o tratamento seguro continuará sendo um dilema para milhares de brasileiros.
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