A era das injeções semanais como única porta de entrada para os medicamentos de obesidade começa a ser desafiada. A Novo Nordisk iniciou nesta segunda-feira o lançamento da primeira pílula GLP-1 para perda de peso nos Estados Unidos, abrindo um novo capítulo no tratamento da obesidade e no mercado bilionário desses medicamentos.
Batizada de pílula Wegovy, a versão oral chega apenas duas semanas após a aprovação da FDA e já está disponível em mais de 70 mil farmácias no país, além de plataformas de telemedicina.
Acessibilidade entra no centro da conversa
Um dos pontos mais relevantes do lançamento é o preço. A pílula chega com valores considerados os mais baixos do mercado GLP-1 até agora. A dose inicial de 1,5 mg custa US$ 149 por mês para quem paga em dinheiro. As doses intermediárias ficam entre US$ 199, enquanto as mais altas chegam a US$ 299 mensais.
Para pacientes com cobertura de seguro, o valor pode cair para US$ 25 por mês. A diferença é brutal quando comparada às injeções, que ainda têm preço de tabela próximo a US$ 1.000 mensais, mesmo com descontos oferecidos pelas farmacêuticas.
Na prática, a versão oral reduz uma das maiores barreiras do tratamento: custo e conveniência.
Da farmácia de bairro à telemedicina
A pílula Wegovy já está disponível em redes como CVS e Costco, além de plataformas como Ro, LifeMD, Weight Watchers, GoodRx e a própria farmácia digital da Novo Nordisk. A estratégia indica uma distribuição agressiva e focada em escala rápida.
A empresa também firmou um acordo para disponibilizar a dose inicial por US$ 149 no canal direto ao consumidor TrumpRx, ampliando ainda mais o alcance do medicamento.
Por que isso importa tanto
Segundo a Novo Nordisk, mais de 100 milhões de americanos vivem com obesidade. Até agora, muitos ficavam fora do tratamento por medo de injeções, custo elevado ou dificuldade de acesso. A pílula muda essa equação.
Além da perda de peso, a FDA também aprovou o uso do medicamento para redução do risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC, em adultos com obesidade e doenças cardiovasculares já estabelecidas.
Os números por trás da eficácia
Em um estudo de fase três com mais de 300 adultos com obesidade e sem diabetes, a dose mais alta da semaglutida oral ajudou os pacientes a perderem, em média, 16,6% do peso corporal após 64 semanas. Considerando todos os participantes, inclusive os que interromperam o tratamento, a perda média foi de 13,6%.
O medicamento atua imitando o hormônio intestinal GLP-1, suprimindo o apetite. A principal exigência é simples, mas disciplinada: aguardar 30 minutos antes de comer ou beber após tomar o comprimido diariamente.
A nova guerra do mercado GLP-1
As pílulas se tornaram o próximo campo de batalha entre a Novo Nordisk e sua principal rival, a Eli Lilly. Analistas estimam que o mercado global de medicamentos para perda de peso pode chegar a US$ 100 bilhões até a década de 2030, com os orais representando cerca de 24% desse total.
Com a pílula Wegovy já aprovada e em circulação, a Novo Nordisk sai na frente. A FDA ainda deve decidir neste ano sobre uma versão concorrente da Eli Lilly.
O recado final é claro
Obesidade deixou de ser tratada apenas como força de vontade ou cirurgia. Com medicamentos mais acessíveis, orais e escaláveis, o cuidado entra definitivamente na rotina. A pílula GLP-1 não é só uma nova opção terapêutica. É um sinal de que o tratamento da obesidade está entrando na fase de adoção em massa.
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