Os diagnósticos de autismo dispararam nas últimas duas décadas. Nos Estados Unidos, o CDC, principal agência de saúde do país, estima que 1 em cada 31 crianças é autista. Em 2000, essa conta era de 1 em 150. Mas enxergar nisso apenas uma explosão de casos é simplificar demais o jogo.
O retrato brasileiro
Pela primeira vez, o Censo do IBGE contou as pessoas com diagnóstico de autismo no Brasil. São 2,4 milhões, o equivalente a 1,2% da população. A maior proporção está entre crianças de 5 a 9 anos, faixa em que o índice chega a 2,6%, cerca de 1 em cada 38.
A ciência acompanha esse movimento de perto. Só em 2025, mais de 9 mil estudos sobre autismo foram publicados. O tema saiu do nicho e entrou de vez na agenda da saúde.
O que realmente explica o aumento?
Boa parte do salto vem da forma de diagnosticar. Em 2013, o DSM-5, manual usado por psiquiatras no mundo todo, passou a tratar o autismo como um espectro. Com isso, casos mais leves, chamados de nível 1 de suporte, começaram a ser reconhecidos. Antes, eles passavam despercebidos.
Os dados do IBGE reforçam essa leitura. Acima dos 45 anos, os diagnósticos caem muito. Para especialistas, isso não significa que existam menos adultos autistas. Significa que muitos nunca foram avaliados.
A base do autismo é fortemente genética. Alguns fatores na gravidez também aumentam a chance, e os mais comprovados são pais mais velhos na concepção, parto prematuro e exposição a certas substâncias, como agrotóxicos e o ácido valproico, remédio contra convulsões. Já dois mitos seguem circulando sem sustentação. Estudos grandes não encontraram relação de causa entre autismo e vacinas, nem entre autismo e paracetamol na gravidez.
O que isso significa para o mercado?
Se uma parcela grande de adultos nunca passou por avaliação, existe uma população inteira vivendo sem o suporte adequado. Parte dela está dentro das empresas, no dia a dia do trabalho. Isso coloca inclusão e neurodiversidade no centro da conversa sobre bem-estar corporativo e retenção de talentos.
Ao mesmo tempo, os médicos fazem um alerta importante. O diagnóstico precisa de avaliação cuidadosa para evitar erros. Diagnosticar mais só faz sentido quando significa diagnosticar melhor.
O crescimento dos números é menos um alarme e mais um sinal de que a ciência passou a enxergar o que antes ficava invisível. O cuidado do futuro é menos rótulo e mais suporte certo para cada pessoa.
Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness?
A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.
Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/