O Conselho Federal de Nutrição decidiu ampliar o escopo da profissão.
A acupuntura agora passa a ser reconhecida como especialidade para nutricionistas no Brasil, podendo ser utilizada como recurso complementar em diferentes contextos clínicos.
Na prática, isso significa que o nutricionista pode incorporar a técnica no atendimento, especialmente em casos como náuseas, dor, síndrome do intestino irritável e até compulsão alimentar.
O próprio CFN deixa claro um ponto importante.
A acupuntura não substitui tratamentos consolidados.
Ela entra como um apoio dentro de um plano mais amplo de cuidado.
Segundo o órgão, a ideia é ampliar ferramentas disponíveis para o profissional, não trocar a base científica da nutrição por abordagens alternativas.
O ponto de atenção está na evidência
Aqui está o principal debate.
Apesar da liberação, o próprio Conselho reconhece que não existem evidências científicas fortes para o uso da acupuntura em condições metabólicas, gastrointestinais ou obesidade.
Os estudos disponíveis, em geral, têm nível de evidência moderado ou baixo.
Faltam ensaios clínicos mais robustos, com metodologia rigorosa e resultados consistentes.
Ou seja, existe sinal de benefício em alguns contextos, mas ainda longe de um consenso sólido.
O campo onde a técnica tem mais sustentação hoje é o controle da dor.
Principalmente em quadros de dor crônica.
A hipótese mais aceita é que o estímulo das agulhas ativa o sistema nervoso e aumenta a liberação de endorfinas e outros neurotransmissores ligados ao alívio da dor.
Mesmo assim, esse efeito não se estende automaticamente para outras áreas como metabolismo ou saúde digestiva.
A acupuntura vem da medicina tradicional chinesa e parte de um conceito chamado “qi”, uma energia vital que circularia pelo corpo.
Esse conceito não faz parte da ciência moderna.
Por isso, o uso da técnica dentro da saúde ocidental costuma ser interpretado mais pelos seus efeitos fisiológicos observáveis do que pela explicação tradicional.
Por que o CFN tomou essa decisão?
O Conselho baseou a decisão em três pilares.
A legislação brasileira permite que profissionais de saúde utilizem acupuntura.
O SUS já reconhece a técnica dentro das chamadas Práticas Integrativas e Complementares.
E existem estudos que apontam benefícios em algumas condições, ainda que com limitações.